<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215</id><updated>2011-12-27T08:22:45.239-02:00</updated><title type='text'>Sem sugestão</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>72</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-864186398132234176</id><published>2011-12-10T10:38:00.034-02:00</published><updated>2011-12-22T13:48:23.592-02:00</updated><title type='text'>A meu avô</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #073763; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Ele joga a caneta. O quarto -tem uma mesa no canto e alguma literatura e a Bíblia- fica escuro. João Batista encosta a porta. Vai pra sala. A gatinha vai do lado. É feiinha, mas a tem faz cinco anos e se acostumou ao pelo escuro falhado. Quando chegou as costas estavam vermelhas e descascando. Ele se estica na poltrona e pega o jornal de dois dias atrás. Dá uma olhada nas fotos e passa pelas notícias. Empurra pro lado. Madalena entupida de sacolas abre a porta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #073763; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Me ajuda aqui João.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele se levanta e pega duas sacolas, Madalena entra e ele fecha a porta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Tentei escrever e não saiu nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Uma hora ou outra você consegue. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- A mente de poesia saiu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Distrai a cabeça que tudo volta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Madalena se move dum jeito bem mais duro. Vivem numa casinha de água furtada. Falta pro João um pedaço do indicador esquerdo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Há um quadro grande de moldura marrom com filigranas bem no meio da sala. “A gente passou da hora se a filharada começa a morrer”. Ela está na cozinha limpando a mesa para o almoço e fica confusa com tantas cadeiras. Madalena e João Batista falam bem pouco, com medo de faltar assunto à noite. Ele, com a cabeça de lado no travesseiro, olhando a escrivaninha e a Bíblia, ela vendo mosquitos rodearem o abajur. O sono vai demorar. Madalena raspa o pé na perna porque o silêncio corta o coração. João Batista puxa algum assunto. Ela respira.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dois se conheceram meio sem querer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ia mancando nos sapatos de bico fino à casa de Madalena, que esperava no portão, e uma flor ele trazia e prendia nos seus cabelos. Ela sorria dum jeito leve, mostrando no canto esquerdo os dentes branquinhos, a boca meio torta. Madalena ficava muito bonita sorrindo assim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;João Batista declamava poesias. Ajoelhava-se e dizia de cor, sem nem tirar do bolso o papel manchado e dobrado bem pequenininho. Teve cócegas com os pelinhos finos do buço de Madalena acariciando a sua boca. João tinha o cabelo cheio de pomada e um vento ingênuo de fumo adoçou o nariz dela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Desde que o filho mais velho morreu sente que a mulher desanima e ele vai desanimando, desanimando sem querer. Madalena busca, João tenta fugir. Sempre quis que ela morresse primeiro. É de vidro, está trincada. Ele aguenta. &amp;nbsp;Madalena ia morrer sofrendo menos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A mente de poesia sumiu. João Batista se movimenta devagar entre as bugigangas no quarto de forração azul. Ela põe na panela a rabada que ele gosta, e que agora faz mal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O presente se tornou eterno e pesado. Os anos aumentaram as pernas, cresceram as mãos, deixaram o rosto mole e fácil de amassar, torcer, puxar, encolher e esticar, os braços secaram e o couro vem e vai. João mastiga as gengivas que têm o gosto do surubim que comeu numa fazenda. Ele e o pai. Foi uma das últimas vezes que se viram, foi uma das poucas vezes que o pai olhou pra ele e sorriu dando pro rosto aquele jeito besta e tão humano. O sorriso quase seco de seu Armando iluminado de satisfação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Numa noite, a cem metros de casa, calçou a botina de bico aberto e o ar seminal da madrugada bateu nas bochechas. As estrelas brilhavam, a lua amaciava a ameixeira perto da estrada. Uma cobra foi rastejando pro mato, deixou a terra se afogando na noite livre. Lá longe clarões de aurora mostravam amanhecer nalgum lugar, trazendo cheiro das chaminés e da grama e do café soprando quente e dos tocos no fogão de lenha e João Batista apareceu na vendinha e tomou uma xícara, engoliu duas fatias imensas de pão e respirou. O rosto começava a se encharcar pelos olhos. Ele riu. Ergueu as mãos marcadas de enxada e riu de novo. O café escorria na garganta e esquentava o coração. &amp;nbsp;A venda não era diferente da casa que estava deixando. Tinha as paredes cinza comidas de podridão. O balcão preto mal aplainado mostrava a tristeza santificada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida acima da prateleira, a santa de olhos calmos e tristes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Madalena se emburra pra gatinha brincando com um rato do lado de lá da janela. O vapor sai da panela de pressão e passa os dedos dentro da barriga e ela tira os pratos do armário. João vem, avança a boca para a testa mas volta; a timidez para de acanhar e a intimidade se esconde. Sabe que João a ama. Mas não precisa mais de toques. Só que sente falta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;João vai à calçada. Um motorista tenta acelerar um casal apaixonado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela vestia vestidos de pregas rodados e se lavava com alfazema, esperando João. Ele vinha e declamava poesias de cor sem gaguejar, os cabelos afundados pelo chapéu soltando suor. Cheiro do seu homem. Ela esperava desde criança, o pai trazia doces, pegava no colo e se metia a contar histórias da cidade. O lampiãozinho queimando um óleo que fedia bastante e ela fungava o fedor misturado à cachaça do pai.&amp;nbsp; A mãe brigava com Adão, que estava mimando demais a filha. Ele fazia de conta que não escutava.&amp;nbsp; João dizia como a madrasta lambava as suas costas no pinto de boi ressacado e ela à noite escorregava as mãos na foto e chorava soluçando “pobre João”.&amp;nbsp; &amp;nbsp;Madalena pensa na mão dura e rachada do pai pegando um pedaço de pão e enfiando na panela e mordendo aquela fatia que pingava pela cozinha toda repimpando a cara de alegria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Isabela e Fernando dão de ombros. Nem se viram pro velho na calçada e fecham os ouvidos pro motorista apressado. Os cabelos loiros encaracolam até o meio das costas. O motorista buzina e eles continuam no meio da rua, o velho está calmo e o motorista bufa. Se cansam e vão pra calçada, misturam os passos. As pernas se enroscam. Ele chuta o calcanhar, ela tropeça e belisca seu braço.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Foi sem querer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Sei!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela fecha a cara, ele fala baixinho no ouvido. Passa a língua no pescoço. Ela ri. Balança os cabelos perfumados e o narigão dele coça de amor. Entram na casa e Isabela vai pro quarto. Fernando tira do bolso e coloca no meio do caderno dela um bilhetinho de cantos amassados. Está vendo ele pela fresta da porta. Depois que for embora Isabela vai virar o caderno de cabeça pra baixo e chacoalhar até cair. Duas ou três vezes por semana vai encontrá-los, escritos em letras esquisitas e cheios daquelas palavras que a gente não sente vergonha quando está apaixonado. O que Fernando escreve faz traquinagens no coração dela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As fotos na estante o deixam feliz. É Isabela a menina com chuquinha vermelha! Vê se pode a cara de arteira, essa Isabela! Ela volta e passa os dedos na orelha dele. Aperta os olhinhos azuis e escancara o beiço num sorriso nada recatado. Fernando se levanta e vai atrás, Isabela põe a mão na boca do atrevido que pediu um beijo antes até de perguntar nome. Empurra segurando a gola da camisa e traz ele de volta e sapeca outro beijo. Ela tem riscos fortes no rosto rosado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu te amo – ele diz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Dá outro beijo e arrasta Fernando à cozinha, pega leite condensado e chocolate. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Faz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele cozinha uma panela de brigadeiro e Isabela dá uma colherada pra ele outra pra ela, vendo TV. Tudo ia parecer tão brega e infantil se eles, que passam na calçada arrastando suas vidas, topassem com Isabela enrolada no colo de Fernando e as mãos dele brincando na pinta negra do braço dela!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A tardinha vem chegando e o céu fica menos azul. Os dentes brancos e compridos de Isabela de cuspezinhos brilhantes. E Fernando com cara de bobo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- A gente vai casar. E não vou deixar mais você sair de casa. É só minha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Tonto!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A gargalhada se fecha, vai se fechando e Isabela entorta as sobrancelhas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Se meus pais tivessem ido o que a gente ia fazer agora? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu ia estar na casa de outra menina comendo brigadeiro e falando que amava ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Seu besta! Tô falando sério. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Isabela abraça os joelhos e enfia a cabeça no meio das pernas. Fernando fica alisando a almofada de crochê. O retrato na estante de quando Isabela tinha três anos e uma falha enorme. Faltava um dente. Tropeçou e engoliu. &amp;nbsp;Está rindo e é a foto que Fernando mais gosta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu te amo. Não chora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Se tivessem ido embora nem você me amava nem eu ia te amar. Já disse pra outra menina que amava?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Claro que não! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Fala a verdade. Nem quando era criança? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Ah, criança sim. Mas não vale. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Por que não?&amp;nbsp; Por que não? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele está andando de volta pra casa. As pessoas falam baixo, roupas de trabalho, bicicletas velhas, enferrujadas. Carregam sacolas gigantes no guidão. Há pacotes e outras vêm atrás com mais pacotes. Criancinhas em uniformes de creche na garupa fazem birra e Fernando dá risada pra elas. Ficam com vergonha e ele vira um pimentão. Até ontem jogava água quente nos gatos. Agora ama. Ri de novo e de novo fica vermelho. Chuta uma pedrinha.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um jornal quase inteiro espera Aílton e o casal lesmando no meio da rua! Ela é bonita por trás e ele parece forte. Que pena, esses pobres diabos! De esguelha observa o senhor na calçada tranquilo, cuca refestelada na árvore imensa que peneira o Sol dum lado ao outro. Ele rumina a vida como se Aílton valesse menos e vai ver vale ou esse senhor com muitos anos a menos buzinou pralguém se sentindo só e com inveja. A inveja é casta. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sônia fingiu orgasmo a noite passada e ele a foi estocando compassadamente meio sem querer. Sônia tem os cabelos curtos e as unhas de esmalte discreto. Aílton era esquisito e desengonçado, de óculos de aros grossos. Sônia tem filhos, cachorro, casa, máquina de lavar, empregada, TV, carro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Aílton solfejava poesias e Sônia o edulcorava com seus imensos olhos claros. Ela é bonita. E Aílton, com seu carro, está entre o senhor e o casalzinho. Aílton está no meio dos dois. Ele, seu carro e seu jornal.&amp;nbsp; O homem calmo esperando o sol esfriar embaixo duma imensa árvore, jogando olhos leves e espertos pra ele e pros amantes. Andam no meio da rua e pouco se preocupam se as pessoas têm pressa e se podem fazer algo diferente de amar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #073763; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: #073763; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Aílton buzina outra vez.&amp;nbsp; Sônia um dia escreveu uma carta longa, mais de dez páginas rasuradas. E Aílton sorriu no quarto, quietinho. Sônia chorava enquanto escrevia. Depois de escritas possivelmente censuraria sua própria impudicícia ou que aquelas palavras se tornariam nada, não mais seu sentimento quando Aílton lesse a carta, mas o sentimento dele usando o punho dela pra reafirmar coisas que ele imaginava. E ao escrever esvazia seu coração. Mas era o que tinha a fazer. &amp;nbsp;Ele a ama. Mas há uma edição faltando bem mais da metade! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Pro senhor e pros jovens restam seus problemas. Pra uns, tão efêmeros e apinhados de esmero que se morre hoje e amanhã se levanta de olhos alegres e beija o dia com ternura; pro outro todo dia é belo e sorumbático porque é dia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-864186398132234176?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/864186398132234176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=864186398132234176&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/864186398132234176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/864186398132234176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/12/meu-avo.html' title='A meu avô'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5754040430803654904</id><published>2011-10-26T17:05:00.001-02:00</published><updated>2011-10-26T17:11:06.782-02:00</updated><title type='text'>Cientificidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A mulher do meu cunhado fez exame de sangue e descobriu que esforço, fé, esperança e privações valeram nada. Depois de três meses, muitas agulhadas na barriga e grana com a inseminação não estava grávida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;E tem gente se mantendo sem bambear as pernas enquanto tabula com mãos e olhos fleumáticos desejo, medo, desespero, segurança ou alegria até na hora em que as pessoas ainda estão gritando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Chorei pela minha concunhada. E ela chorou bem mais, claro. Se sentindo tão estéril como tantos outros com a mente tão atarantada de necessidades tão pessoais -e por motivos mais complexos e pessoais ainda- e que acabam analisados por quem aprendeu a ver fundo e igual, descascando o que nunca deixou de ser essência. Enquanto chorava quiçá tenha mandado à merda questões psicológicas, biológicas, morais e sociais. Tomara que só tenha recorrido a elas depois de enxugar o rosto.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5754040430803654904?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5754040430803654904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5754040430803654904&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5754040430803654904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5754040430803654904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/10/cientificidade.html' title='Cientificidade'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8858966838322898877</id><published>2011-09-19T15:19:00.032-03:00</published><updated>2011-09-27T15:44:36.431-03:00</updated><title type='text'>Ficção</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone está tocando. Começou baixinho, lá longe, e agora faz um barulho insuportável, igual a pontada seca ardendo no fundo do ouvido. Espreme e torce e revira e chacoalha e berra dentro da cabeça. natanael nem tenta se levantar. As pernas trôpegas continuam esticadas, o lençol retorquido, e o telefone para. Chegou em casa e lourdes vomitou um beijo ensopado e sensabor na sua boca, fez o prato, colocou mais água no suco, deu toalha e roupas limpas. Tudo sonso. O telefone recomeça. E natanael puxa o travesseiro sobre os cabelos duros. lourdes levantou cedo, saiu fazer faxina.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;ele trabalha ali pertinho de casa, numa Revenda de Automóveis. Seu espaço é o fundo, tentando dar jeito no motor vazando óleo, enferrujado, fazendo maquiagenzinha pra colocar à venda no setor de usados, mas que todo mundo chama Seminovos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Seminovo tem cheirinho de carro velho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone volta. Vem arrebentando natanael, que rebola em semicirculos, faz caretas e aperta mais o travesseiro. O telefone toca e parece pirraça porque já teria dado pra notar que, se tem alguém em casa, coisa que com certeza não quer fazer é atendê-lo. E o telefone para e recomeça. Recomeça e para e natanael fica puto. A cabeça dói. A mulher saiu pra trabalhar e ele que só entra depois do almoço ainda tem que fazer o almoço pra ele e pra ela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone berra e natanael sem saber por que se lembra, contaram no Serviço, que o Grande-Prefeito levou o Filhão pra casar no Estrangeiro chamando pencas de Fotografáveis-De-Colunas-Sociais-Regionais e natanael nem sonha quanta Grana. ele pergunta a seus botões como alguém vira Grande-Prefeito dum lugar que acha indigno prum reles Casamento.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Na verdade natanael imagina o quanto é tão sem ter o que fazer quem vai Casar Longe de casa. Na Europa, por exemplo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone rouqueja. E a cabeça de natanael dói. natanael tem moto. ele e milhares de cidadãos que empurravam, na subida, bicicletas tempos atrás. Voam apressados e volta e meia alguém espatifa os miolos em Postes, Placas, árvores, Carros, Muros e em outras motos. Mas por que não? É o progresso, dizem. Aliás só os mais velhos falam progresso, o Sim Senhor solfeja Desenvolvimento e parece que o Sim Senhor é que está certo. Se Desenvolve sem progredir. Os olhos de natanael piscam miudinhos ao verem o Sim Senhor chegar no Carrão Bacana e é muito estranho porque o Sim Senhor é todo bonito e enorme enquanto está Lá Dentro, logo que desliga e desce -camisa e calça jeans- o patrão se apequena. Daí natanael perde o interesse nele, só volta a ter na hora em que o Sim Senhor dá ordens.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Eita barulhinho insuportável! Os ouvidos de natanael ecoam e misturam quando toca de verdade e quando é coisa da cabeça. Sim Senhor contou a História do Vencedor que pulou de lacaio pra um dos Mais Próceres Empresários da cidade. Mas o Sim Senhor se esqueceu da lenda de que o Vencedor numa tarde de garoa fria e embaçada olhou pro Pátio e maldisse os carros de menos de dez anos dos empregados. Nem o Vencedor tinha Carros Novos e Tantos assim! Foi forçado a agir. Muita gente rodou e muita gente foi recontratada meses depois pela metade do preço. natanael pensa que seria legal ser Sim Senhor ou Vencedor pra contratar o osvaldo e fazer ele se foder. Pra que ser Dono se for pecado humilhar de leve de vez em quando? Mas a lenda é historinha...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;lourdes, improvável. ela tenta irritá-lo o mínimo, principalmente depois que o Sim Senhor montou Turnos, jogando os ajustes nos Seminovos pra quando há quase ninguém ali e é possível deixar essas Coisinhas tinindo. natanael ficou fodido, apesar de o Sim Senhor ser Senhor Bom, Humano, que chega e o abraça todas as manhãs, conta piadas, dá umas tiradas. Sim Senhor não rouba e se não rouba, não estupra nem trafica é errado dizer que o Sim Senhor fode com ele ou com quem compra os carros. Raiva passa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone mia. Está com vontade de ir lá e sentar o pé. E o telefone é responsável. Como arrebentá-lo?! Se fosse numa briga com lourdes, tudo bem. Dava pra arremessar na parede, estraçalhar aquela coisa azul-calcinha. Sentiria culpa de nada. Teria continuado racional. Agora é o mesmo que bater em lourdes por pentelhá-lo. Capaz de dizerem que é louco, louco igual o valdemar, internado depois de chapar durante meses 100 Gotas de Rivotril no café da manhã, receitadas pela Psiquiatra da Firma. Claro, Ela não receitou 100, mas no Frasco vem bastante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;natanael aperta a cabeça, espreme pra diminuir a dor brotada pelo trililim e daqui a pouco é a vez de ir pro ar o Futuro-Grande-Prefeito que mudou pro Partido que não é Partido mas &amp;nbsp;um Amontoado de Letrinhas e Refeces acostumados a dar rasteiras uns nos outros e as histórias de como são passados e passam pra trás se tornam chacotas adoçando as curtas e amiúdes libadas no Whisky de Rótulo Azul ou no mínimo Preto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;natanael cerra as mãos como se do telefone fizesse suco. O grasnado renitente diz que tem de acordar logo, escovar os dentes, jogar água no rosto, fazer almoço, almoçar, ir pro Trabalho, ver a cara do martins carrancuda. o martins deixa a Injeção Eletrônica ronronando como Nova e não conta pra ninguém que e só tirar o cabo negativo da bateria e esperar poucas horas. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Curva o sobrecenho e pontifica, o motor &amp;nbsp;está fodido mesmo, tem de Limpar Bicos e o Caralho A Quatro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O telefone toca. Só que natanael desistiu de pensar por hoje. Pensar piora a ressaca e come os miolos, melhor deixá-los pras coisas que importam, pensa bem rapidinho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8858966838322898877?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8858966838322898877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8858966838322898877&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8858966838322898877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8858966838322898877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/09/ficcao.html' title='Ficção'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2154293618313883570</id><published>2011-08-30T15:34:00.020-03:00</published><updated>2011-08-31T08:29:35.023-03:00</updated><title type='text'>Dia sinestésico</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Tá soprando um bafo úmido e quente no minúsculo jardim sombreado pela arcada robusta e velha duma arquitetura que não é porque é velha que se salva. A gente trabalha aqui faz oito meses. E ninguém tem ideia de quando volta pro andar redivivo, cortado a paredes de gesso, mesas, ar condicionado, portas encostadas e barulhos de teclado indo e batendo nas divisórias, voltando pro ouvido aguçado na surdez de um escritório onde ninguém vê ninguém. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;A sede fica num prédio que tem menos de 30 anos e já se esboroa inteiro. Ia pra janela fumar e observava as pessoas lá embaixo. Quase sempre as mesmas. Nunca lhes disse “oi!”, mas viraram amigas; a amizade é uma atitude autorreflexiva.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Trabalho numa sala antigo quarto -a gente tá numa casa transformada em ponto comercial-, com uma grossa porta de peroba de maçaneta rococó que chega a lixar as mãos, dura e áspera. Fumo, na maioria das vezes, na edícula da churrasqueira, a churrasqueira entupida de cinzas das pessoas que moraram aqui algum dia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Semana passada comecei a ir fumar de vez em quando lá fora, perto do jardim. É uma rua bonita. Vagueiam pessoas comuns, senhoras carregando sacolas de supermercado, mães voltando do colégio de mãos dadas com pivetinhos naquela idade em que todos são “uma gracinha!”. Só se estraga pela modelagem invasiva de construções velhas e novas. Fariam falta nenhuma se sobraçassem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quase sempre o calor me dá coceira, enche a pele de vergões. Menos o hálito morno desta tarde. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Enquanto fazia aulas pra carteira de moto, meses atrás, tive a sensação de ser levemente arrastado pelos ares, como se flutuasse. Fui pro carro e demorou uns minutos praquele “arrancamento” murchar -ninguém em casa teve moto-, ia esmaecendo e eu o segurando, tilintando os dentes, afrouxando os dedos pra alongar um tiquinho a satisfação de ter chupado um estranhamento ao “natural”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Já não faz diferença se tô de carro, a pé ou de moto. Merda!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Na frente da casa, olhando de soslaio à esquerda numa curvatura de não sei quantos graus, se vê ao fundo mais grama e árvores marcadas por nódoas cinza mas carregadas de folhas verdes &amp;nbsp;adejando sobre o telhado do ginásio municipal. Se se mantiver concentrado nem dá pra sentir o concreto que suja os irisados raios de sol destilados entre essas árvores gigantes; pintam a grama com ouro. Não dá pra ficar muito. Mas é um intocável respiro prum dia corrido, dia útil, dia de trabalho, dia de corroer os miolos salvando a pele dos outros enquanto a minha vai sendo salgada pro jantar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2154293618313883570?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2154293618313883570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2154293618313883570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2154293618313883570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2154293618313883570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/08/um-dia-sinestesico.html' title='Dia sinestésico'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1204985680560096405</id><published>2011-07-27T10:22:00.006-03:00</published><updated>2011-07-27T10:36:50.869-03:00</updated><title type='text'>Quem me encontrava na balada agora pode agendar uma horinha nas filas do supermercado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; tab-stops: 5.0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Ficaram prontos ontem o álbum e o vídeo do meu casamento. Recortes duma festa em que se fica de pé o tempo todo vendo por todo lado neguinho enchendo a cara de uísque e cerveja e dá vontade de chorar assistindo às economiazinhas descendo goela abaixo dum monte de gente que nunca viu antes e nem vai ver depois. Vi e revi o álbum na casa dos meus pais. E chegando, na minha, colocamos o DVD pra rodar. Era assistir enquanto tomava uns goles, perder no sofá uns 30 minutos...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Só que os caras abusaram da paciência. Fizeram uma coisa de duas horas! Duas horas! É legalzinho até observar como dos dois lados tem gente feia pacas, dar risada de danças epilépticas e ver que a galera perde a noção do ridículo ou dá de &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;poser &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;quando aparece o cara enfiando câmera na cara. Mas depois de cinco minutos começa a incomodar. Os caras gravam três horas e aproveitam duas! Duas horas! Fazem takes da cerimônia, da jogada do buquê, dos melhores momentos (sic), até da gravata... Aprenderam com a rapaziada da Record, só pode.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quem me encontrava na balada agora pode marcar uma horinha nas noites de sexta em filas do supermercado. Imagino a hora em que vierem os pimpolhos e a gente juntar os tios, avós, sobrinhos no sofá domingueiro pra rever festas e festas de aniversário. Ô! Malditos sejam os caras que inventaram câmeras de vídeo caseiras! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Sou só eu ou alguém mais que passa por aqui acha que a cama &lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Queen &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt; King -&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;sei lá-&lt;/span&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;é muito pequena pra ser dividida? Apenas a Ana e eu vimos por enquanto o vídeo. Falta sentar no sofá da minha mãe, da minha irmã, do meu irmão, da minha sogra, do meu cunhado, das dez tias ou tios, de uns trinta amigos e de sei lá quem mais. Talvez até no nosso mesmo, quando ela sentir saudades. Aliás, já é item básico da bolsa da Ana uma miniatura do álbum que &amp;nbsp;o dono do foto teve a cara de pau de me cobrar 150 cruzeiros.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 1.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quem me encontrava sujo às seis da manhã na volta de um showzinho punk qualquer agora pode me ver bem mais imundo nas tardes de sábado, acocorado, aparando o jardim. Mais imundo e molhado quando me sobram calçadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1204985680560096405?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1204985680560096405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1204985680560096405&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1204985680560096405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1204985680560096405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/07/quem-me-encontrava-na-balada-agora-pode.html' title='Quem me encontrava na balada agora pode agendar uma horinha nas filas do supermercado'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4548455907924699475</id><published>2011-06-25T22:46:00.003-03:00</published><updated>2011-06-26T09:30:42.954-03:00</updated><title type='text'>Respondendo a um post</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Faz tempo que não escrevo ou ao menos faz tempo que não escrevo algo coerente e discorrido de forma racional no blog. Talvez contrarie a tendência de pessoas que dizem ser a escrita mais exercício disciplinado que pura inspiração. Bom, a questão é que é meio difícil ter disciplina enquanto se experimenta coisas novas amontoadas às antigas, virando um bolo doido de obrigações, exigências e prazeres, por que não? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Faz tempo também que queria escrever o que tô escrevendo agora. É mais fácil escrever do que se admitir piegas o bastante pra dizer cara a cara. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Aliás nem dá mais pra fazer isso. A gente está a uns 3.000 quilômetros de distância um do outro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Confesso que quando li o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://forasteirismo.blogspot.com/2011/04/ah-amizade.html"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;post &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;sobre amizade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt; no seu blog me deu um nó na garganta. É foda, só pensar nela e a pieguice me pega. Dia desses, repassando na cabeça alguns relacionamentos que mantive nestes últimos anos, vi o quanto a coisa degringolou. Busca de amizade mesmo. Aquele tipo de amizade que você não espera nada em troca porque sabe que as pessoas também têm urgências absurdas e já mantêm seus cérebros ocupados com suas próprias piras. Sabem o quanto machuca ficar absorvendo a dor dos outros. Você não exige nada disso numa amizade. E se a pessoa simplesmente continuar sorrindo enquanto você chora você vai entender. Amigos só são palhaços pra deixar nossos momentos menos insalubres. Dizendo de forma direta: você não pede absorção, ela vem voluntariamente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Me lembro da primeira vez que trocamos algumas palavras. Era a galera cabaça que não ia pra bebedeira no primeiro dia de aula, tinha de pegar o ônibus de volta pra casa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Me lembro das vezes em que a via chorando em suas crises pré-menstruais e perguntava por que estava chorando e ela dizia “não sei” e daí chorava por não saber por que estava chorando. Me lembro de quando começou a namorar e eu remoendo de ciúmes e ficou uma situação meio ridícula porque sempre fui bom em estratificar uma cara retardada de alegre e mentir sem contorcer os lábios mesmo quando estava totalmente destruído. Esta cara entrava em mim tão desgraçadamente que não me deixava nem chorar sozinho. Criava, e ainda crio bastante, fantasias esquizofrênicas entupidas de mentiras que nunca passaram de desejo &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LggFQdO-VlM"&gt;(roubei do Tweedy&lt;/a&gt;). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Me lembro de quando me perguntou como estava e me lembro de um amigo perguntando por que nunca tinha rolado nada entre a gente e me lembro de como ficava vermelho me imaginando dar mais tiros do que os pombos que podia derrubar, correr o risco de perdê-la pra sempre, perder sua companhia, sua voz, suas brincadeiras sarcásticas e seu sorriso escancarado entre goles regulares de cerveja e até suas crises de choro, de lágrimas doces que me desconcertavam talvez por achar lindas, pura demais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Me lembro de ela tentando fumar e do dia que quis porque quis dar um tapa e eu agi como irmão mais velho hipócrita..&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Nunca disse algo que pudesse denotar que às vezes tivesse misturado sentimentos e realmente os embaralhei mesmo no começo. &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Mas foi melhor. Bem melhor. Além do mais a amizade é amor puro, a gente engole cobranças e depois aprende que não tem direito a cobrança alguma. Posso ficar dias, até meses, sem falar com ela e continuá-la amando. É minha irmãzinha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4548455907924699475?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4548455907924699475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4548455907924699475&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4548455907924699475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4548455907924699475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/06/respondendo-um-post.html' title='Respondendo a um post'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7432809433343561653</id><published>2011-06-09T21:40:00.004-03:00</published><updated>2011-06-10T08:42:45.478-03:00</updated><title type='text'>Tentando</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Tô com dor de barriga. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Vamos parar? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não. Pode continuar, a dor não me incomoda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu também não te incomodo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Claro que não. Eu te amo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Que pena!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Pena do quê? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Queria te incomodar... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Casais não incomodam. Apenas irritam um ao outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu te irrito?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- De vez em quando, mas faz um tempão que não. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Que pena!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Por quê? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Queria te irritar...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Começou agora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- É? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Sim. E esse negócio dentro enquanto fala e fala e fala. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Tá te incomodando ou te irritando? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Do jeito que tá apenas tá. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- E se eu forçar um pouco e começar a mexer? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Daí vou gostar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Mesmo se mexer sem parar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Ufa, melhor ainda!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- E não te incomoda nem um tantinho assim?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Que pena!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Você tá começando a me incomodar, irritar, enervar, me emputecer...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; line-height: normal; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Oba!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7432809433343561653?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7432809433343561653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7432809433343561653&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7432809433343561653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7432809433343561653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/06/tentando.html' title='Tentando'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3158143554173714183</id><published>2011-04-22T13:41:00.027-03:00</published><updated>2011-12-08T08:36:25.898-02:00</updated><title type='text'>Sobre pais e filhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Acho que a gente fica por aqui! – ele esticou as barras da calça, esfregando os calcanhares, mantendo a cabeça erguida pro lado das palmeiras que chacoalhavam no vento teimoso. - Pisei algumas vezes na bola com sua mãe. Só que sempre a amei. Muito!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não. Não é pela mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- É um gosto suave de vingança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Vingança é pra quem não tem discernimento. E outra pessoa não tem nada a ver com o que me faz sentir ou deixar de sentir. E até sinto. Só não sei até que ponto é um sentimento relevante. Não tem nada com o que o senhor fez com a mãe ou comigo. É meu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Perto deles passou um velho com olhos parados e mãos tremendo, boca tisnada pelas balas que mordia antes de sair à caça nas noites em que era responsável por manter as coisas e as pessoas em ordem, -os anos em que era policial militar-, atrás uma enfermeira gorda cheirando a ranço do fogão em que beliscara nacos de carne remelenta pra quem como ele havia perdido os dentes. Ela empurrava a cadeira de rodas sem se esforçar, só com a mão esquerda, a direita segurava um pano de prato que de vez em quando levava à boca do velho e enxugava a baba caindo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Tomara que não acabe assim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não vai. É orgulhoso demais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Vingança é pra quem não discerne? Que bobagem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Todo mundo é filho da puta com todo mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Vou morrer igual a esse velho. Meu orgulho pede que você carregue isso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Que mentira! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Você se lembra como a sua mãe morreu santificando meu amor por ela? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não é pela mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Aquele velho só é dez anos mais velho que eu. As enfermeiras dizem que está definhando desde que o filho parou de visitá-lo. Brinca de morrer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Quero tornar as coisas práticas, do jeito mais fácil possível. Procurei o melhor lugar. A sua aposentadoria não ia dar conta disso aqui.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- E ainda assim limpam a boca da gente com pano de prato! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Vou reclamar. Só um segundo - Era a mulher no telefone perguntando se voltava &amp;nbsp;pra casa. “Vou demorar um pouco ainda. Tchau!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Quando vim pra cá você disse que era apenas até me recuperar e parar de beber. Me sinto bem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Disse que tentaria achar uma casa bacana, com uma empregada. Mas aqui é melhor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não adianta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O prédio fora reformado, gesso novo e uma galeria de ar condicionado esticando seus dedos pelos quartos. O jardim em que eles iam acabando com o tempo -um até gostando, vendo o gramado felpudo, as palmeiras e, ao fundo, uma cerca de pinheiros gigantescos separando a parte mais verde da grama da rua, uma sebe informe e cerrada, gostando, era um lugar agradável pruma tarde de sábado- tinha sido refeito havia poucos meses, as flores amarelas e lilases e brancas empurravam seu cheiro anasalado, eles estavam no banco confortável de madeira grossa talhada por um artesão de longas barbas brancas, rosto rosado e rechonchudo. O artesão ia e ficava batendo papo com os internos. Seu ateliê cheio de coisas, de tantas que eram davam tão pouco, e ele tinha de continuar nelas e nunca ia completar a quantia que amealhava uns 30 anos, dinheiro pra poder ficar ali, sossegado e até que enfim sentir como pode ser aconchegante e preguiçoso o banco que fazia durante três décadas e nunca terminava. O imenso banco, se terminasse ia ter dinheiro pra não ir ali só de visita. Ele, que tinha mulher, dois filhos, cinco netos e uma mesa cheia de macarrão e de sorrisos sinceros e demorados aos fins de semana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não adianta o quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Reclamar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Do quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Da mulher limpando a boca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Ah! – respondeu ele, beliscando o cérebro que roncava por ter posto num canto confortável quem nunca tinha ligado pra isso nem dado conforto nenhum a ele, apesar da grana enchendo os bolsos antigamente. – Claro que sim! Custa quase 10% do meu salário manter o senhor aqui.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- 10%! Por uma enfermaria de mortos! Meu Deus!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- O senhor já viu o laguinho do outro lado? É perfeito ao pôr do sol.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não. Dá medo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Como sabe se nunca foi?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Um lago é um lago. Vai fazer medroso se pensar que existe. É por causa da cobra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Não há cobra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- E tirar o prazer de quem vê a gente morrendo, mas tão devagar que nem dá a impressão de que morre!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Ninguém quer que o senhor morra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;- Se quisessem ver pessoas nascendo estavam numa maternidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt; Não temos mais serventia. Inútil dizer alguma coisa. Ela vai continuar limpando a nossa boca no pano de prato e mordendo a nossa carne.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3158143554173714183?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3158143554173714183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3158143554173714183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3158143554173714183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3158143554173714183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/04/sobre-pais-e-filhos.html' title='Sobre pais e filhos'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-6167469885822627065</id><published>2011-04-01T17:34:00.009-03:00</published><updated>2011-04-01T23:17:43.385-03:00</updated><title type='text'>Bolsonaros não nasceram esta semana</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Devia ter uns 16, 17 anos. Certa tarde, durante um treino de futsal no colégio, o professor me chamou no meio da roda e pediu: “Me diz três semelhanças entre preto e boceta.” Fiquei meio fodido, ia sair merda dali, mas calado. Ele continuou: “Os dois têm grandes lábios, cabelo pixaim, e não adianta lavar que daqui a cinco minutos estão fedendo.” O círculo de loirinhos de olhos azuis riu alto pra cacete.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Um parêntesis sobre o lugar. Chamava-se Colégio Evangélico, passou pra Carlos Renê Egg e hoje, se não me engano, é Decisão. Quando era Evangélico, tinha parceria com o município –quase ninguém pagava mensalidade-, depois virou particular mas com preços populares e nem tão pesado assim no ensino. A maioria daqueles moleques era descendente da leva de empresários que dominam a cidade. Paravam ali porque tinham se fodido ou iam se foder no Mãe do Divino Amor, São Camilo, Prisma. Digo isso pra salientar um fato importante: Arapongas nunca teve e dificilmente terá pelos próximos 10, 20 anos a formação de uma elite intelectualizada, que trata o preconceito de jeito maternal, como se nós, os negros, fôssemos bichinhos de estimação merecendo cuidados e misericórdia. Resultado de uma elite econômica pura, somos tratados aqui também como bichos, mas que devem ser amarrados numa árvore pras estilingadas. Vivo isso desde o prezinho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Desconheço ambientes daqui, e olha que frequento muitos -quase nunca por prazer-, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;em que piadas ofensivas a negros não rolam soltas. Todo mundo as conta, até os próprios negros. Mas os homossexuais sofrem mais que nós. Pouca gente realmente os respeita, até aqueles que dizem defendê-los. Eu já vi bastante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não ia escrever nada com relação ao Bolsonaro por achá-lo tão medíocre que nem merece. E fazendo isto sei que estou ferindo outra regra deste blog, não tratar de nada que TVs, jornais, rádios e sites papagueiam. Mas escrevo justamente por causa destas TVs, jornais, rádios e sites que papagueiam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Incrível como a imprensa tem a capacidade de criar coisas por geração espontânea e instantânea! Até semana passada vivíamos num país em que negros eram respeitados, homossexuais possuíam seus direitos, e todo mundo podia tomar um chopinho no bar e conversar -branco, negro, hétero e homo- em harmonia. Agora não! De segunda prá cá cresceu uma corja de preconceituosos nefandos! Bolsonaros, eu convivi com eles minha vida inteira e nunca saiu um dedinho, nem um dedinho assim, das coisas que passei, o professor que me comparou à boceta é só um exemplo. Podem dizer, ninguém nunca fez nada porque não denunciei; pra diretoria, pro conselho escolar, pro caralho-a-quatro. Mas racismo e homofobia são institucionalizados! Tanto pelos agressores quanto pelos agredidos. Quem comete sabe que vai ficar de boa. Quem sofre não fala, sabe que não adianta porra alguma. E não me venha dizer o contrário. Nas poucas vezes em que tentei contar, me respondiam que era só uma brincadeira, sinal de que gostavam de mim. “Liga não.” Talvez este seja um dos motivos de nunca mudar de colégio: é fado. Engraçado, dia desses listando pruma colega de trabalho os motivos que me fizeram detestar a escola e sua corja, ela disse: “Mas você nem é negro! É moreno!” Ah, bom se eu fosse negão então podia? Então tá, né.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mesmo quando um defensor se levanta pra gritar contra o preconceito (coisa pouco comum em Arapongas), age como se a gente fosse um bichinho de estimação indefeso. Eu, sinceramente falando, prefiro o desprezo à compaixão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A abolição não chegou ainda. Somos tratados como produtos. Ora pra justificar a nossa defesa; ora, a nossa chacota. Acontece faz tempão pra caralho, coleguinhas de profissão. Nasceu essa semana, não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-6167469885822627065?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/6167469885822627065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=6167469885822627065&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6167469885822627065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6167469885822627065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/04/bolsonaros-nao-nasceram-esta-semana.html' title='Bolsonaros não nasceram esta semana'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-6371207841715303265</id><published>2011-03-27T16:00:00.008-03:00</published><updated>2011-08-30T13:39:37.628-03:00</updated><title type='text'>Como pegar no sono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Onze da noite.&lt;/b&gt; Alexandre abre o tubo segurando de forma malabárica a escova e a pasta e aperta, escorregando nas cerdas. Dá uma olhada em frente e vê seu camarada com as manchas de barba em algumas partes do rosto. Empurra o pescoço pra frente e faz uma careta, estica e vira para o lado esquerdo. Olha de rabo de olho, tão de esguelha, que chega o doer. Uma espinha começa a nascer. Com calma põe a pasta e a escova na pia, vira-se, abaixando perto do vaso, sente o cheiro de urina antiga que nem mesmo a água assopra embora, e pega um pedaço de papel higiênico. Volta ao espelho, coloca o papel em volta da espinha e com o polegar e o indicador espreme. Força a pereba que ainda está tão nova que nem parece dar a mínima. Afasta-se e se fixa em algumas partes daquela cara que tantas vezes olha durante o dia. É um rosto liso. Uma beleza simples sem pavoneio. Tem uns rastros que poderiam fazer seus pés se mexerem numa hora dessas, pôr uma roupa descente e ligar o carro e ir atrás dela. Joga o papel no lixo e com os dedos desmãozados aperta de novo a espinha tranquila, nem se lixando. Desiste e abre a torneira, esfrega polegar, indicador e dedo médio. Rosqueia a tampa no tubo, pega a escova e começa a oblação antes do sono. Começa devagar dum jeito compassado e com movimentados pendulares, depois aperta e esfrega mais rápido, cada vez mais rápido e forte, até doerem as gengivas. Cospe e coloca um pouco de água na boca e cospe de novo. Passa a toalha de rosto na boca e encara aquele cara perfeito do outro lado. Hoje é um bom dia para Alexandre, está belo e com as partes bem definidas. As mãos são angulosas e firmes, dá uns tapinhas no rosto. Abaixa a bermuda e a cueca, senta-se na patente e começa a se masturbar, bate uma pensando em Alice, a loira-coroa que vê todas as manhãs da janela do primeiro andar com a bunda arrebitada passando com sacolas do supermercado. Limpa-se, apaga a luz do banheiro e rasteja até o quarto. Agora, sem nada na cabeça, é bom dormir.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Duas da manhã.&lt;/b&gt; A música está alta já faz um tempão lá fora. Maurício e Gisele se pegam pra valer. Ele rasga a calcinha dela e enfia a língua na xana úmida, quente e meio que cheirando a mijo. Gisele se lembra que está com um cara. Ela mantém as pernas lânguidas em 150 graus, fleumáticas. Maurício morde perto da virilha esquerda enquanto grunhe, Gisele dá mais uma tragada no cigarro e, sem querer, quebra a cinza na cabeça dele. Um psycotrance faz tremer a casa, chacoalhando a porta do banheiro, mas Gisele e Maurício nem escutam. Ele aproveita que ela notou o que estava fazendo e enfia a rola na boca. Gisele arremete os dedos e suga olhando como aquela porta está feia, suja e gasta. Maurício é bonito e forte, tem os braços grossos e veias saltadas, o peito liso e o rosto sorridente. Gisele solta o pau duro dele e se vira, erguendo o rabo. Ele cospe no pinto e enfia o dedo no cu daquela bunda muitas vezes sacana, mas agora gelada. Ela continua com o rosto blasé e um olhar profundamente apático. Maurício enfia e Gisele se lembra que está com um cara. O azulejo está meio que quebrado onde ela encosta a cara, o rejunte caiu, e ela escuta o que Maurício está fazendo, um barulho meio chocho. Gisele preferia estar com as garotas, Paula e Ana estão do outro lado da porta em alguém lugar, conversando com alguém ou fumando maconha, cheirando cocaína, quem sabe. E Gisele sabe quão bom é estar entre elas, mas este cara chegou e lhe disse algumas coisas no ouvido que ela não escutou, a chamou prum canto mais sussa e ela pensou que seria rápido. Ana e Paula, Ana Paula, nome composto, quem não casa com Gisele, e elas estão lá do lado de fora, conversando com pessoas nem tão legais, mas que ficam melhores se elas estão com elas. E tem um cara enfiando o pau no seu rabo e ela já perdeu a sensação destas cenas de literatura barata feita pra vender. Maurício termina e sai. Gisele senta no vaso com a tampa abaixada e pensa em Ana e em Paula. Passa os dedos no cu ainda ardente da brutalidade de Maurício, enfia médio e indicador e leva médio e indicador da outra mão pra boceta. Masturba-se lentamente e lentamente, até sentir suas mãos fremirem. Levanta-se. É hora de ir pra casa, dormir. Pega a bolsa e rasteja pra casa, pro quarto. Agora, sem nada na cabeça, é bom dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Duas da manhã.&lt;/b&gt; Alice geme enquanto Cláudio a estoca, dá cacetadas firmes e duras e Alice geme mais alto. Cláudio termina e se deita e ela de novo quase gozou. Alice se perde no teto enquanto pensa como é bom amar. Ele está ali pensando em ir à varanda acender um cigarro, mesmo sabendo que ela pouco importa caso fume no quarto. As crianças roncam perto da cozinha. Ela começa a arrumar os lençóis assim que Cláudio pula da cama dizendo o que ela já sabia. Os cabelos estão molhados e grudam na testa, tapando os olhos. Ela os prende e se abaixa para pegar as cobertas que caíram. A calcinha está colada na boceta. Na gaveta escolhe uma seca e vai ao banheiro. Cláudio vai fumar uns três ou quatro, em intervalos de cinco minutos. Se quiser ir pra cama vai ter de ficar quase meia hora sozinha. Em frente ao espelho percebe a idade que começa a mostrar um rosto nem tão comum, mesmo 40 anos depois. Passa a língua no lábio inferior e se lembra que tem de escovar de novo os dentes para tirar o sabor ácido. Antes puxa a calcinha ensopada e cheira. Senta-se no vaso e começa a roçar os dedos no clitóris e a dar beliscõezinhos nos lábios grudentos. A unha do dedo médio está grande, coloca com cuidado na boceta e começa a se masturbar, escorregando a outra mão até os peitos com os bicos duros. Aumenta o ritmo e o corpo se endurece, as pernas se forçam uma contra a outra travando, mas ela continua a enfiar e tirar o dedo. Alice acelera até sentir aquela sensação de que tudo de repente ficou sensível ao máximo, quase nunca quando está com Cláudio. É bom ser amada e Alice sabe disto. Mas também é bom ser desejada e por isto empina bem a bunda quando passa em frente dum prédio e percebe que tem um rapaz meio feio meio bonito, mais bonito que feio, a espiando da janela do primeiro andar. Leva o dedo ao nariz. Alice está sentindo o amor como uma espécie de tristeza tenra. Lava as mãos rasteja até o quarto. Agora, sem nada na cabeça, é bom dormir.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Onze da noite.&lt;/b&gt; Maurício desliga o chuveiro cantarolando alguma coisa de refrões babados e grudentos. Passa a toalha nos cabelos, enxuga as orelhas. O celular em cima do cesto registra algumas chamadas que ele não ouviu. Olha. Pâmela está atrás dele, caçando. Ele sorri e relembra filhadaputamente como chegou e disse que a teria, um amigo duvidou que fosse capaz, tão gostosa e esnobe. Maurício vai sair de casa, é sábado e ele vai sair com alguns amigos, bem pro outro lado, prum lugar que Pâmela não vai. Maurício até que quer vê-la, mas não hoje. Hoje há outros planos, outras pessoas. Gisele tem os olhos meigos pequeninhos e apertados, como se cada vez que fosse enxergar tivesse que fazer um esforço enorme. Enxuga-se e passa a mão no pau. Dá outra risadinha sarcástica e pensa que idiotice é se masturbar. Coloca a cueca e sai pro quarto. Fica ali pouquinho tempo, só o tempo de botar uma roupa maneira, pentear o cabelo e calçar os sapatos. Não quer dormir, nunca. Vai ficar lutando contra o sono até de manhã. Longe de casa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-6371207841715303265?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/6371207841715303265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=6371207841715303265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6371207841715303265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6371207841715303265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/03/como-pegar-no-sono.html' title='Como pegar no sono'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1671719994434195843</id><published>2011-03-06T16:20:00.002-03:00</published><updated>2011-12-23T14:52:49.824-02:00</updated><title type='text'>Casando</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Minha mãe chega por trás e põe a mão no meu ombro. Curva-se um pouquinho só, encostando seu queixo na minha cabeça que olha pra fora, pruns restos de casa ao fundo, onde ela queria que eu morasse, não pra economizar a grana do aluguel. Estamos na cozinha de azulejo branco e do outro lado da janela o concreto meio curvo pelo desvio da caixa séptica forma poças com água esguichada ainda de manhã. Eu estava deitado quando meu pai atendeu ao telefone e descobriu que o serviço de casa havia sobrado pros dois. Eu estava deitado com os olhos abertos e mal os podia ouvir dando vassouradas no chão atrás da porta. Foi uma semana dura, uma semana de sensações pesadas por tudo o que acontecera desde sábado, quando houve uma festa e resolvi me comportar como todas as moças recatadas, exceto pela bebida. Pouco me lembro de como cheguei em casa, mas cheguei com a consciência tranquila e me achando bem idiota. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Ela e meu pai falam de como pretendem acabar com a casa dos fundos e dividir a da frente. Minha mãe tem um sério problema nas mãos e não acha alguém capaz de deixar as suas casas do jeito que quer. Mas nós três entendemos, há mais humanidade ou solidão humana nas frases ditas de forma direta e nem por isto menos soturnas do que um problema crônico de saúde; meu pai sabe, eu sei, ela sabe. Tenho 28 anos e nunca a preparei pro que vai acontecer. Estou a pouco mais de um mês pra sair de casa, não vou pra longe, mas vou sair. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Faz quase seis anos que estamos juntos e vamos ficar mais perto dentro de um mês e meio. Faz quase seis anos que estamos juntos, mas faz quatro que estamos juntos muito longe um do outro, pra ser mais exato, 509 quilômetros que me levaram a uma acomodação e a única saída encontrada, talvez houvesse outras, se abre daqui a pouco mais de um mês. &amp;nbsp;Bom, mas estou dizendo de forma errada. Vou começar de novo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Desde que terminei a faculdade não causei nenhum tipo de problema pra minha mãe e ela deve ter desencanado de vez que alguma vez eu pudesse ter fumado maconha por exemplo. De todos os momentos sufocantes de uma vida em família meu pai e ela faziam questão de que eu participasse, sei lá, por ser o único dos filhos conseguindo ganhar no fim do mês mais grana que ele, e não era grande coisa o salário de um ou do outro. Mas lá estava eu dando meus veredictos com ares professorais e os dois escutavam e escutavam com atenção. Minha opinião entrava neles como uma homilia, suas decisões saíam embasadas na voz dum filho filho da puta de saco cheio. Como caçula tinha absorvido a composição corpórea de meus três irmãos mais a dissimulação de quem viu mãe e pai chorando enquanto crescia e concluiu, fazer pai e mãe chorar é horrível, dá remorso, mas não fazer o que eles gostariam era sinal de que estava vivo, não era uma mera extensão dos braços e dos pés e da cabeça daqueles que te colocaram neste mundo pra você ser feliz; eles nunca passaram perto desta palavra tão gordurosa e lamurienta.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Minha mãe mantém o queixo encostado na minha cabeça pensando coisas. Imaginando, quem sabe, que nunca mais me verá tão despojado nesta cadeira numa tarde de sábado de tempo cinza e gostoso, um friozinho bom, no entardecer terno; os últimos entardeceres têm se tornado cada vez mais ternos pra mim e pra ela. Tão desesperados como os de Saturno comendo seu filho estão meus olhos. Ela me ama, eu a amo e o amo, e a partir de agora nossos pés precisam trilhar trilhos diferentes, está na hora de virar homem, de deixar de ser filho, de crescer, de todos aqueles ajuntamentos de expressões cafonas repetidas pelas pessoas como papagaios bestas.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;Com a mão esquerda entrelaço seus dedos enquanto ela diz como pretende derrubar a casa do fundo, que tem só dois cômodos, e dividir a da frente, com 12, já que serão só três: ela, meu pai e um de meus irmãos e seu pâncreas parecendo uma bola de basquete. Ela vai dividir a casa, não aguenta limpar um mausoléu desses! Aquiesço e dou uma leve apertada nos seus dedos (Neste momento, enquanto escrevo, ela abre a porta do quarto, me olha, sorri, fica sorrindo por longos 15 segundos e volta a fechá-la). Ela e meu pai rabiscam seus planos em cima do meu rosto arredondado e obscurecido, olho pra eles e pra fora e me aborreço ao imaginar aquele quintal aberto sulcado de muros e portões e gentes estranhas, estranhas a mim, estranhas a este lugar que carrega grande parte deste moleque crescido. Meu pai se fodeu e fodeu a sua saúde durante sessenta anos de trabalho pesado, está com sessenta e sete!, e o máximo que conseguiu foi uma casa mais ou menos - e relativamente grande -, uma Blazer 97 e uma casinha na praia, onde, faz quase dois anos, não vai. Como disse, a casa é mais ou menos, é bem velha, de meados da década de oitenta. Mas foi ali que os netos, filhos da minha irmã, caíram, se levantaram e caíram de novo, que eu sujei um dia a parede de barro porque aquela cor clara já tinha torrado a pouca paciência de meus cinco anos e ele me fez lavá-la, e depois de lavada pedi pra mãe ajuntar as minhas roupas, eu ia sumir -quando passava por ele ou fechava um olho ou emparelhava as mãos espalmadas sobre o rosto pra não vê-lo- que a minha irmã casou numa festa embaixo duma lona e eu fui padrinho de alianças, que meu irmão do meio cortou minha cabeça duas vezes, que a minha mãe chorou num sábado de manhã ao me ver deitado sujo e ainda cagando de bêbado aos quinze anos, e que me ajoelhei ao lado da cama e pedi a Deus que consolasse minha mãezinha porque eu nunca mais ia fazer aquilo.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Os dois vão retalhar o que construíram durante longos carregados anos pra que a perda de mais um filho não ecoe tão gravemente pelos quartos lisos. A família fica menor crescendo. E justamente na hora em que estamos indo direto pro fundo. Eu aperto as mãos dela, a levo a minha boca e a beijo. Me levanto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1671719994434195843?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1671719994434195843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1671719994434195843&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1671719994434195843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1671719994434195843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/03/casando.html' title='Casando'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8281749146689315938</id><published>2011-01-23T19:31:00.000-02:00</published><updated>2011-01-23T19:31:05.590-02:00</updated><title type='text'>Conversas de casal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acendi o cigarro e dei uma tragada pesarosa e reflexiva olhando pra fora, meio de lado na cadeira encostada à janela, e ela falava. “Que capacidade dissimulada de mostrar que me importo!” Dizia algo sobre sua dor, o brinquedinho gostoso com que brincava em noites quentes como aquela, e eu ali escutando obviedades que me contorciam, o cigarro rolando entre o indicador e o polegar, depois entre o médio e o indicador, e ela continuava a falar. Quando fizesse uma pausa e jogasse pesadamente a fronte sobre as mãos espalmadas, cotovelos na mesa, era minha hora de pigarrear, olhá-la apertando os olhos até ficar úmidos e dizer frases sinceramente falsas e me levantar a chamando pra dormir. Eu só queria dar o fora dali, o quanto antes possível, mas seus antebraços continuavam deitados na mesa, cansados, resignados, desafiando a escutar a voz aguda e monótona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava realmente triste e cuspia a sua tristeza em mim, me tentando fazer triste também, obrigado a suportar a sua tristeza, torná-la minha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acompanhava agora o meu olhar pela janela. Quem sabe tivesse percebido a insustentável desfaçatez da cara dissimulada e frígida!? Fiquei confuso, uma gota fina de remorso escorreu pro intestino. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há respostas e ações esperadas, mesmo quando se quer dizer foda-se bem pausadamente, a voz tonitruante, a fim de não deixar dúvidas. Foda-se soa realmente mal educado porque sincero. Ela me olhava e eu olhava pra fora, com medo de virar e encarar os olhos turvos semicerrados mas profundos e doentes, doentes da brincadeira de suportar a dor dum jeito demais pesado, maior que ela mesma. E eu olhando um amontoado de lixo inútil, tão inútil! Mesmo assim guardado. A cinza do cigarro se quebrou estatelando no assento e ela ainda se fixava nas curvas estéreis acima das bochechas cimentadas numa cadeira curva de metal descascado. Do outro lado da janela um gato corria atrás dum bicho se escondendo entre as telhas, o camundongo cercado. O ratinho querendo se esconder e o gato colado na sua bunda. Ela se colava a mim, seus olhos, suas mãos, seus cabelos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela me fez realmente sentir raiva, uma raiva profunda e ardente! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ódio é bem mais gostoso que o amor porque alimenta o desprezo pra fora, não o autodesprezo. As pessoas esperam coisas amigáveis mesmo quando têm sentimentos desprezíveis. Para mim dava na mesma estar com raiva ou completamente encantada com a mãe. Nenhuma das duas opções deixaria a noite menos abafada ou ao menos acabaria com os mosquitos. Eu queria coisas simples. Ir pra cama e dormir. Ela buscava palavras agradáveis misturadas a amor, o amor que estava sentindo falta. Queria que eu me desprezasse por ela enquanto desprezava a mãe. Dois contra um e o jogo estava ganho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela se sustinha em dedos frios e lívidos e olhos displicentes. Os cabelos colavam-se ao rosto nas lágrimas tépidas marejadas de rancor. Eu a amava. De dentro pra fora pra dentro. Saindo de mim batendo nela e voltando puro. Não existia dor. Talvez por isto ficasse tão incomodado com a agonia que encenava na minha frente. Quando a conheci não foi pra odiar no lugar dela nem pra amar no lugar dela. Foi simplesmente para que pudesse ser e ter a mim divinizado em alguém. Esta pessoa que implorava agora pra que eu fizesse parte de seus desejos e rancores. “É demais!” O gato bebia água estertorando. Perdera. O ratinho respirava lá fora, nalgum canto daquela infinidade de coisas estragadas esperando ser usadas num dia que fica cada vez mais longe. Mas aqui dentro não restavam chances. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela começou a dizer como o pai a amara e como havia devotado a vida a ele, enquanto a mãe se jogava no meio dos dois, os impedindo de chegar a algo mais próximo que uma relação de pai e filha, lengalengas requentadas e que já tinham me cansado em outros dias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Velvet Underground ou Lou Reed? Acho que é da época do Velvet o que tá rolando na minha cabeça, misturado ao som monocórdio e enfadonho dela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8281749146689315938?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8281749146689315938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8281749146689315938&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8281749146689315938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8281749146689315938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/01/conversas-de-casal.html' title='Conversas de casal'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8934339539153646495</id><published>2011-01-04T23:10:00.000-02:00</published><updated>2011-01-04T23:10:30.575-02:00</updated><title type='text'>2011 chega prometendo!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa de lado aquelas simpatias chatas e mofadas pra começar de pegada o novo ano. Há coisas mais importantes que dão os toques se vai ser bom ou ruim, ou ao menos o começo dele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ter passado véspera, Natal e pós no meio dum monte de gente que não fazia a menor ideia de onde tinha saído eu ostentava poucas esperanças pra na hora em que o relógio zerasse. Mas não precisava ser tão foda quanto foi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quinta-feira saí do trampo e fui com a futura senhora Alves ao mercado comprar cervejas e comida pro estoque particular de guloseimas e danações. Claudicava um pouco, tinha uma coisa na bunda (sem piadinhas de duplo sentido, por favor) que me fazia mancar, parecia inflamação no nervo. Tentei ir com calma. Mas só me livrei daquele inferno cheio de pessoas sedentas por se empanturrarem de porcarias depois de quase duas horas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sexta-feira de madrugada o primeiro aviso de que o dia prometia bastante gelo esturricando. Às cinco da manhã acordei rangendo os dentes. Me aninhava, mas o frio parecia cortar os ossos ao meio. Quando me levantei, afastando o cobertor, levei uma lufada de ar direto da boca do capeta. Opa! Algo bem esquisito. Andei pela casa inflada daquele bafo rançoso e voltei a dormir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei às onze e me sentia relativamente bem. Até ajudei minha noiva a fazer doces. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três e meia, a segunda crise de febre. Batia as pernas mesmo enrolado no edredom. Bebia chás. Mas porra nenhuma me esquentava. Tomei coragem só às sete da noite e fui ao pronto socorro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá um carinha com cara mais remoçada que meu sobrinho de 15 anos apalpou um pouco minha bunda. Constrangedora a situação, ainda mais quando sua namorada, que está vendo tudo, espalha a história praquele irmão pentelho e pros fila-boias amontoados na sua casa. Sem medo de errar o monitor de sala deu o veredicto: &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adenite"&gt;adenite&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É normal. Muita gente tem isto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Receitou antibiótico e anti-inflamatórios e me mandou pra casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada beleza! Acabava de perder toda a grana nas cervas que havia comprado. Ia passar pra 2011 mais seco que o Saara. Mas a dor acabaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O futuro do pretérito se encaixa perfeitamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque ela só cresceu. Minha bunda ficou igual a um pão daqueles enormes que passaram tempo demais no forno. Dura e doída. E a febre indo e vindo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma besta, pode me chamar. Fiquei com aquela dor filha da puta o sábado inteiro. No domingo de manhã, sem conseguir andar direito, fui carregado pelo meu pai ao hospital. A médica deu uma examinada, não pôs a mão no queixo porque senão seria porca, mas com aquela cara séria que a gente faz quando apoia polegar e indicador no mento e finge cara de sério, sentenciou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Abscesso_perianal"&gt;Abscesso perianal.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resultado. Após internamento e cirurgia arrasto um dreno gigante no toba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2011 começou legal pra caramba!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8934339539153646495?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8934339539153646495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8934339539153646495&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8934339539153646495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8934339539153646495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2011/01/2011-chega-prometendo.html' title='2011 chega prometendo!!!'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4171924189959465235</id><published>2010-11-28T22:52:00.002-02:00</published><updated>2010-11-28T22:55:51.812-02:00</updated><title type='text'>Polícia e “guerra” no RJ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheço de maneira muito genérica os problemas sociais do Rio de Janeiro. Estive lá uma vez só e posso dizer de forma bem superficial (foram só três dias) que é o lugar mais bonito que já vi. E não é tão perigoso assim; tem como sair à noite, passear sem se grudar à mochila etc. &lt;br /&gt;Sei também muito pouco sobre a invasão da PM e das Forças Armadas nos locais de miseráveis. E ressalto que este blog nunca foi pautado pelo que Globo e Record jogam no nosso colo todo santo dia, ainda mais num texto dissertativo. Mas tem uma coisa que tava me encucando fazia tempo, desde uma conversa com uma colega de trampo, namorada dum PM: a polícia é o grupo de extermínio dos ricos. Nunca, em hipótese alguma, vai lutar positivamente pelo direito dos fodidos. &lt;br /&gt;Matar é imanente aos policiais, está no sangue. Não é qualquer tipo de morte que os deixa em paz com seu espírito. É a morte de miseráveis ou de quem ameaça o nunca ameaçado status quo. Digo nunca ameaçado porque o capitalismo só se faz reinventar e se pinta até de socialismo quando a situação convém. Parece despropositado o que vou dizer, mas a Rússia de Stálin é exemplo de como o capitalismo se recicla, pra usar palavra da moda. Pra mim escancarar a diferença entre capitalismo e socialismo no plano econômico é mera simplificação. Onde se mostram mais discrepantes socialismo e capitalismo é no plano sócio-psicológico.&lt;br /&gt;Bom, voltemos à consideração sobre a PM. A minha colega disse que, quando seu namorado matou a primeira pessoa, ele ficou em cima, rindo da agonia do cara, que sangrava e gritava. Ficou ali velando o cara até ele apagar de vez. Quem mata com tanto sarcasmo? Traficantes matam e riem do que fazem, eu sei, eu sei. Só que não é o mesmo riso dos policiais. Talvez riem do fatalismo de serem os próximos, mas não agora. Matam com impessoalidade porque estão se matando. Policiais matam de maneira fria, mas nunca impessoal. Pouco me assusta ver PM trabalhando como segurança privado. Fazem isto o dia inteiro, o tempo todo, a vida toda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fica bem lugar-comum dizer que o Rio precisa de política social mais do que da polícia para resolver seus problemas. Como também parece inócuo apostar que a ação da PM não vai ter resultado nenhum praquelas comunidades além da sensação temporária de alívio. Mas se o tráfico sair dali é justamente porque já procurou outra forma faz tempo e os policiais deram pouca “ajuda”, oficialmente falando, a esta decisão. Posso até algum dia acreditar em subversão ou derrota de instituições sagradas, mas nunca vou crer que aconteça partindo da polícia. A forma como estamos organizados precisam dos seus fantasmas, precisam de parte da sociedade premida, justamente pra se justificar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PS: Andei sumido porque o trampo está me sugando a alma, acabando comigo, no sentido mais nietzschiano que isto possa ter. Tô meio sem inspiração ainda pra escrever um conto ou crônica. Bom, sei que isto interessa a ninguém, mas tinha de dizê-lo a vocês, meus dois leitores. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4171924189959465235?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4171924189959465235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4171924189959465235&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4171924189959465235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4171924189959465235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/11/policia-e-guerra-no-rj.html' title='Polícia e “guerra” no RJ'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-949690888291840609</id><published>2010-09-04T00:46:00.019-03:00</published><updated>2011-09-21T09:33:50.952-03:00</updated><title type='text'>Notas menores sobre amor - Final</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Marcos analisa o Gol cinza de Henrique. Pneus novos. A aliança na mão esquerda dele já gasta. Ele a mostra com certo orgulho enquanto corta e diz algumas palavras doces sobre a mulher. Marcos tem os dentes agora. Ele os tem. Só a ele agora. E deve pagá-los. Tem pagado faz dez anos e nos últimos três os paga todo dia, mesmo quando fica em casa na frente da TV, o sol entra pela janela, a sala amarelada, ele se levanta e estica a cortina, mas Luciana vem e a abre.&lt;br /&gt;Gustavo tinha 14 anos. Era grande e gordo. Embaixo de óculos de lentes grossas e armação escura, passava os recreios no meio do pátio. Quando soube que Dona Clotilde morrera Luciana se lembrou do jardim. Saiu da loja pra ser merendeira. Dentro da balaustrada de nódoas verdes uns minguados girassóis não se viravam mais entre a manhã e a tarde.&lt;br /&gt;As crianças estavam correndo pra quadra descoberta do lado da casa. Amélia as encarava com as mãos convexas sobrepostas no cabo da enxada. Arfava sentindo o gosto gelado do suor escorrendo, pulando do queixo. Mais gritaria pra rebentar dentro da cabeça.&lt;br /&gt;- O que a senhora tá fazendo?&lt;br /&gt;- Vou acabar com isto aqui. Tá horrível!&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;Adiantou-se pondo as mãos em cima das de Amélia, apertando-as.&lt;br /&gt;- Eu cuido pra senhora.&lt;br /&gt;- Depois você esquece e fica essa coisa no fundo da minha casa.&lt;br /&gt;- Eu cuido. Prometo.&lt;br /&gt;Era um velho jardim, um jardim em que enterrara Douglas e Sharmila e era doído pra ela pensar neles quando voltava, o jardim se tornava uma bolha de ar denso, mas ela voltava e voltava amarfanhando Douglas, Sharmila e Marcos. Douglas e Sharmila não estavam ali, nunca os vira por perto dali, quase certo que estavam longe do colégio e um do outro. O jardim cultivara a misantropia dela, e agora tomava fôlego nele. Era como se o fazendo vicejar de novo estaria livre pra deixá-lo lá e voltar ao recreio, às conversas monossilábicas com Douglas e Sharmila, a se sentar entre eles, esquentando os braços, abraçada aos braços deles.&lt;br /&gt;O marido trouxera algumas sementes do orquidário da mulher de Henrique, a mulher que o marcou com a aliança cuja reverberação queima Marcos a alguns passos longe, encostado no muro e pensando nos dentes enormes e brancos, novos, de Luciana. Ele deve dentes a ela, já pagou, e deve. Orquídeas multicolores, Henrique havia dito. Ajoelhada entre as covas ela sentiu os pés num tênis branco encardido dobrar a quina da casa. Gustavo parou a encarando através das lentes embaçadas, um saco de chips na mão esquerda, a direita na boca, os dentes esfarelados. Ela continuou jogando terra nas covinhas e Gustavo tirando e colocando a mão na boca, o barulho de ruminação compassado. Assim que terminou, Luciana apoiou a palma da mão direita no joelho, se levantando.&lt;br /&gt;- Você devia estar na classe já faz tempo.&lt;br /&gt;- Tô comendo.&lt;br /&gt;- Tá mastigando merda – disse pegando o saquinho de arroz em que Henrique pusera as sementes. – Por que não vai pra sala?&lt;br /&gt;- Tanto faz lá dentro como aqui fora. Pra mim tanto faz.&lt;br /&gt;- Tanto faz o quê?&lt;br /&gt;- Sou gordo e feio e só. Escola é pra quem é bonito.&lt;br /&gt;- Besteira sua, escola é pra todo mundo. Feio ou bonito. Ou você pensa que só existe médico bonito?&lt;br /&gt;- Não tô falando de médico, tô falando de escola.&lt;br /&gt;Gustavo era feio e gordo. Feio e gordo e Luciana esticava os olhos pra vê-lo amassar o saquinho num barulho irritante. Marcos não era bonito, Douglas tinha o rosto estourado e os olhos pendendo em lados opostos, Gustavo era feio e gordo.&lt;br /&gt;- Detesto todo mundo da minha sala.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Por que são bonitos.&lt;br /&gt;- Impossível só ter gente bonita na sua sala.&lt;br /&gt;- Não. Tem eu também.&lt;br /&gt;- Tô falando dos outros.&lt;br /&gt;Ela iria sair daqui a vinte minutos e em casa o marido a esperava, almoço na mesa.&lt;br /&gt;- Você disse que detesta o pessoal da sala porque são bonitos. Você me detesta também.&lt;br /&gt;- Você é merendeira.&lt;br /&gt;Marcos entrou na igreja. Três ou quatro mulheres ajoelhadas em frente ao manto azul de coroa, a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Estava escura às três e quarenta, os vitrais esfumaçavam a luz fina de sol que rastejava na porta principal se afogando na vasilha prata de água benta.&lt;br /&gt;Padre Nilson o observara do altar.  Não conhecia o rosto, mas assistira a João enquanto almoçava.  Sentando com os braços lânguidos, a cinta no flanco, Marcos se esparramou. Nossa Senhora Aparecida, mãe de Deus, mãe delas, não mãe dele. Nossa Senhora que a todos abençoa e guarda, não o faz dormir nem o cobre à noite. Mãe do Salvador, o Salvador que escolhe a quem salvar, não a ele. Luciana estava longe agora e Marcos queria estar com ela.&lt;br /&gt;Apoiado numa bengala fina de madeira rude Padre Nilson desceu os degraus e foi às mulheres. Ciciou um pouco e duas andaram pra sacristia. Voltou-se a Marcos dando estocadas compassadas e suaves no chão, sentou-se.&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho!&lt;br /&gt;A criança já velha trancava os lábios frementes, os olhos turvados e ardidos.&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho!&lt;br /&gt;Marcos começou a rir. Rilhava e ria baixinho com as mandíbulas renitentes.&lt;br /&gt;- Meu filho! Como Deus chora agora te vendo assim! Ele te vê perdido e atordoado, com sede Dele ou de alguma coisa ruim.&lt;br /&gt;- Quem sabe das duas?&lt;br /&gt;Luciana encostou-se à parede da casa. Dona Clotilde se encostava igual, conversando com ela.&lt;br /&gt;- Tá bom. Se eu sou merendeira você pode conversar comigo com certo orgulho, e falar a verdade. É como se dissesse a ninguém. Sou uma merendeira.&lt;br /&gt;- Tenho 14 anos.&lt;br /&gt;- Ótima idade. Que vontade que tenho de voltar pros meus 14!&lt;br /&gt;Gustavo lhe mostrou os dentes tingidos de fiapos amarelos, forçando o pescoço pra trás. &lt;br /&gt;- Retardada, retardada! É uma desgraçada!&lt;br /&gt;Já estava quase na hora de ir pra casa encontrar Marcos, encontrá-lo lá, parado, com a mesa posta, as panelas fumegantes e um sorriso babado, os braços apoiados na cadeira, o queixo sobre os braços. Sempre esteve ali e ela sempre voltava, pra casa, pra louça suja, pra calçada crua de marcas, pra bicicleta de aros amarronzados e pedais estalantes, pra ele e pra se manter na vida que sempre soube, desde quando Douglas não pediu muito, desde quando Rogério e Felipe lhe tiraram bastante.&lt;br /&gt;- Por que você tá com tanta raiva assim dos seus colegas?&lt;br /&gt;- E... Eles ficam tirando sa...rro de mim, me chamando de vir... virgenzi... nho e falando que... que meu... pin...to... vai dar ca...lo na minha mão, de tan.... tan...&lt;br /&gt;- De tanto que toca punheta?&lt;br /&gt;- É... é.&lt;br /&gt;- E as meninas?&lt;br /&gt;João não tinha imagens. Fizeram apenas algumas do lado de fora enquanto as crianças iam embora, filmando seus pés. Só um nome, mas não se lembrava de quem era, era apenas um nome. Queria falar bastante, mas só tinha um nome vago, e ele ficou meio amuado. A repórter, morena, alta, rosto anguloso, de nariz adunco e pernas grossas, contava as conversas que havia tido com pessoas que trabalhavam lá. A tal mulher tinha começado fazia pouco tempo, trabalhava antes numa loja de roupas, as outras a achavam quieta demais. João fechou os olhos.&lt;br /&gt;- Pode continuar.&lt;br /&gt;A voz dela ia falando lá bem baixinho - enquanto o esforço para ficar mais aguçado ia minguando - de como os pais do menino se revoltaram e foram à porta da delegacia pra...&lt;br /&gt;- Dormiu, coitadinho!&lt;br /&gt;- E então? O que vão fazer com ela? – perguntou o cinegrafista.&lt;br /&gt;Já sabia o que iam fazer dela, estava junto com Carina quando o delegado disse o que ia acontecer, escutou tanto quanto ela. Carina recontava e sua boca se retorcia, os olhinhos afundados lacrimejavam excitados.&lt;br /&gt;- Vão mandar ela pra Sabáudia. Foi pega em flagrante. Mas talvez sai em pouco tempo, o advogado dela é bom pra cacete. Fico só pensando como vai fazer pra pagar. Ele é caro! Vamos lá?! Já tá quase na hora da primeira edição. Acorda o João aí.&lt;br /&gt;- Acorda você. Tô fora!&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho! – Padre Nilson estendeu os braços no pescoço de Marcos.&lt;br /&gt;- Nunca pensei que voltaria aqui deste jeito. Nunca pensei que Ele me veria assim.&lt;br /&gt;Um homem que Padre Nilson conhecia sem nunca ter visto. Sabia que se chamava Marcos e que a mulher se chamava Luciana. Poucos homens entravam na igreja à tarde e mesmo em seus desesperos percebiam na fé que se arrasta do domingo durante a semana um gesto extremamente sensível e feminino. Pra entrarem ali só se o desespero tivesse se queimado dentro dum redemoinho de desolação e dor estrondeante e inaudível, uma dor que precede a resignação.&lt;br /&gt;- As meninas são as mesmas de quando você era menina também.&lt;br /&gt;Gustavo alisou o chão com o pé esquerdo. Luciana se aproximou, apertando seu braço. &lt;br /&gt;- Abaixa as calças.&lt;br /&gt;- O... q... q... quê?&lt;br /&gt;Ele tentou se soltar, mas ela o segurava com força, com tanta força que arrebentava suas bochechas.&lt;br /&gt;- Deixa que eu abaixo.&lt;br /&gt;- Vo... você... é... uma... me...rendeira!&lt;br /&gt;Ela tocou na glande e a apertou. Gustavo de uma gozada. Luciana riu.&lt;br /&gt;- Não fica triste. É normal acontecer com moleques da sua idade.&lt;br /&gt;Do bolso de trás da calça tirou o avental da cozinha e limpou o pau do menino. Ajoelhou-se e começou a escorregar a língua da glande às gônadas.&lt;br /&gt;Marcos andava com os pés tortos entre as marcas da calçada, sentindo os encontrões das pessoas que vinham lado a lado, sentindo as cabeças sardônicas. Empinou o nariz assim que o sino marcou três horas. Não ia à igreja desde quando esfregou na cara da mãe a batina de coroinha, querendo mandá-la enfiar no rabo junto com seu Deus. E agora ele teve vontade de nunca ter saído dali. Devia continuar igual. Os mesmos móveis escuros e longos, as mesmas paredes pintadas de bege com detalhes marrons; o átrio mantinha suas árvores e pombas.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Oi, pai! Você viu quem é a putinha que foi pega com o moleque?&lt;br /&gt;- Tô sabendo da história, vou falar aqui, mas não sei bem certo quem é esta mulher. Esse povo que trabalha pra mim é uma cambada de coçadores de saco. Só sei que foi uma tal de Luciana.&lt;br /&gt;- Não uma tal, foi a Luciana. Tá lembrado dela? Por causa dela eu tive aquela suspensão do colégio.&lt;br /&gt;Com os pés distantes João se levantou e deu três pulinhos. Bateu na mesa. Caía no seu ouvido os sons nasalados de Anderson. Era então Luciana, a quem disse certa vez que ia foder a vida na primeira chance?&lt;br /&gt;- Carina, vem cá!&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Você sabe o que sobre esta mulher?&lt;br /&gt;- Eu sei o que disse. O marido se chama Marcos, é barbeiro. Estão casados há algum tempo e ele ama ela. Ela &amp;nbsp;trabalhava antes numa loja, e todas as funcionárias da escola a achavam bem calada.&lt;br /&gt;- Seguinte: quero  que vocês incitem as mães. Pra esta tarde, viu? Conheço umas que a gente pode levar pra frente da escola e fazer barulho. A da criança também tem que estar lá. Vamos fazer disto uma novela, tenta falar com o marido. Eu prometi que acabaria com a vida dela pro meu filho.&lt;br /&gt;- Pro seu filho? Por quê? Ele era amigo da... da família do moleque?&lt;br /&gt;- Outra história.&lt;br /&gt;- O... que vocês estão fazendo! – Amélia berrou erguendo os dedos finos e truncados ao rosto. Gustavo se atrapalhou com as calças e caiu, ele serpenteava e Amélia alternava os olhos assombrados a ele e a Luciana.&lt;br /&gt;- É esta merendeira! Esta merendeira puta! – ele fugiu pro pátio e ela se sentou no chão. Amélia chegou perto, soltou um tapa e cuspiu.&lt;br /&gt;- Todo mundo sabe da minha desgraça, padre. Todo mundo sabe que a minha querida Luciana fez aquela coisa horrível!&lt;br /&gt;Padre Nilson passou a mão nos cabelos de Marcos e lhe deu um beijo como um pai dá no filho pra ver se divide com ele um pouco do desespero, ele que é pai e sabe que nenhum desespero chega a ser tão enorme quanto a própria continuidade dos dias, os dias que se enrolam uns nos outros e caminham pacatos de mãos dadas, mofando os braços de quem ainda tenta usá-los. Padre Nilson tinha uma criança ali, padre Nilson tinha um filho, um filho uivando, vociferando o calor de Deus, o calor de Deus pra tirar o calor dos homens dos ombros, mas do calor deles Deus não podia livrá-lo, teria sido sarcasmo se tivesse plantado naquele coração trincado e sangrando Deus na forma de pecado, Marcos ia sofrer mais quando acordasse noutro dia e olhasse pro lado vendo Luciana numa cela de nove metros com outras 15 mulheres.&lt;br /&gt;Com o avental ela limpou o canto da boca. Passou as costas da mão nos olhos. Amélia havia subido, quem sabe à diretoria? Gustavo correra pra diretoria, quem sabe? Ajeitou os cabelos. Douglas podia desculpá-la agora. Podia enxergá-la como alguém que soube ver onde estava e o que lhe cabia. Não tinha certeza de que ele ouvira dizer que ela se casara com um barbeiro que estava chegando em casa pra fazer o almoço e esperá-la numa cadeira rangente de espaldar duro, erguendo o queixo sorridente entre uma garfada e outra. A história ia grassar, Douglas ia entender que havia sido ela e que ela o havia visto sob seus olhos caridosos renovados na castidade. Luciana sorria, inspirando o ar quente e meio úmido da manhã no pedaço de sombra da cumeeira da casa. Ficou de pé e contornou a casa. Viu a diretora descer ombreada por dois funcionários. Ela viu e deu passadas longas firmes e retas.&lt;br /&gt;Quem vê Marcos parado entre as duas barbearias aguentando os quilos destes três anos sente pena dele. Entre elas ele puxa um cigarro e dá uma tragada fraca e curta. Luciana está de volta pra casa, faz um ano que voltou. Pessoas passam e Marcos olha pra baixo, pros sapatos. Estão lustrosos, Luciana os engraxou. Ela está com os dentes bonitos, os mesmos dentes de muito tempo atrás, dez anos, mas naquela época poucas vezes sorria pra ele. Ele entende que ela está livre, livre pra sorrir e olhar com orgulho, orgulhosa de estar ali, ela, Luciana. Ela tem sorrisos novos que sorriem só pra ele e ele poucas vezes retribui. A mulher está livre mas ele não e se odeia por isto. Luciana não rogou coisa alguma, nem na primeira vez que ele observou o rosto entrecortado nas barras de metal escuro e frio. Não clamou nada, ele acreditou que estava certo, que tinha de estar do lado dela, havia jurado. Ela tem sorriso novo pra ele e ele sabe que deve pagar. Ela mantém as contas da casa em ordem fazendo doces pra pessoas que se desconfiassem que fosse ela não comprariam. Henrique e padre Nilson entenderam quando resolveu ficar com ela, mas o veem empanturrados de comiseração e ânsia. Ele está entre as barbearias e precisa dalguma grana. Apaga o cigarro e desce raspando as costas na parede. Agachado, não tem nada mais baixo pra olhar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-949690888291840609?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/949690888291840609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=949690888291840609&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/949690888291840609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/949690888291840609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/09/notas-menores-sobre-amor-final_04.html' title='Notas menores sobre amor - Final'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1539405098320675742</id><published>2010-09-04T00:46:00.017-03:00</published><updated>2011-09-21T09:29:34.992-03:00</updated><title type='text'>Notas menores sobre amor - Final</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Marcos analisa o Gol cinza de Henrique. Pneus novos. A aliança na mão esquerda dele já gasta. Ele a mostra com certo orgulho enquanto corta e diz algumas palavras doces sobre a mulher. Marcos tem os dentes agora. Ele os tem. Só a ele agora. E deve pagá-los. Tem pagado faz 13 anos e nos últimos três os paga todo dia, mesmo quando fica em casa na frente TV, o sol entra pela janela, a sala amarelada, ele se levanta e estica a cortina, mas Luciana vem e a abre.&lt;br /&gt;Gustavo tinha 14 anos. Era grande e gordo. Embaixo de óculos de lentes grossas e armação escura, passava os recreios no meio do pátio. Quando soube que Dona Clotilde morrera Luciana se lembrou do jardim. Saiu da loja pra ser merendeira. Dentro da balaustrada de nódoas verdes uns minguados girassóis não se viravam mais entre a manhã e a tarde.&lt;br /&gt;As crianças estavam correndo pra quadra descoberta do lado da casa. Amélia as encarava com as mãos convexas sobrepostas no cabo da enxada. Arfava sentindo o gosto gelado do suor escorrendo, pulando do queixo. Mais gritaria pra rebentar dentro da cabeça.&lt;br /&gt;- O que a senhora tá fazendo?&lt;br /&gt;- Vou acabar com isto aqui. Tá horrível, se alguém cuidasse podia até ser bonito, mas haja paciência!&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;Adiantou-se pondo as mãos em cima das de Amélia, apertando-as.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Eu cuido pra senhora. Não mata ele não. Eu venho aqui todo dia cuidar dele.&lt;br /&gt;- Esta porcaria tá cheia de mato! Tá muito feio! E depois você esquece e fica essa coisa no fundo da minha casa.&lt;br /&gt;- Eu cuido. Prometo.&lt;br /&gt;Era um velho jardim, um jardim em que enterrara Douglas e Sharmila e era doído pra ela pensar neles quando voltava, o jardim se tornava uma bolha de ar denso, mas ela voltava e voltava amarfanhando Douglas, Sharmila e Marcos. Douglas e Sharmila não estavam ali, nunca os vira por perto dali, quase certo que estavam longe do colégio e um do outro. O jardim cultivara a misantropia dela, e agora tomava fôlego nele. Era como se o fazendo vicejar de novo estaria livre pra deixá-lo lá e voltar ao recreio, às conversas monossilábicas com Douglas e Sharmila, a se sentar entre eles, esquentando os braços, abraçada aos braços deles.&lt;br /&gt;O marido trouxera algumas sementes do orquidário da mulher de Henrique, a mulher que o marcou com a aliança cuja reverberação queima Marcos a alguns passos longe, encostado no muro e pensando nos dentes enormes e brancos, novos, de Luciana. Ele deve dentes a ela, já pagou, e deve. Orquídeas multicolores, Henrique havia dito. Ajoelhada entre as covas ela sentiu os pés num tênis branco encardido dobrar a quina da casa. Gustavo parou a encarando através das lentes embaçadas, um saco de chips na mão esquerda, a direita na boca, os dentes esfarelados. Ela continuou jogando terra nas covinhas e Gustavo tirando e colocando a mão na boca, o barulho de ruminação compassado. Assim que terminou, Luciana apoiou a palma da mão direita no joelho, se levantando.&lt;br /&gt;- Você devia estar na classe já faz tempo.&lt;br /&gt;- Tô comendo.&lt;br /&gt;- Tá mastigando merda – disse pegando o saquinho de arroz em que Henrique pusera as sementes. – Por que não vai pra sala?&lt;br /&gt;- Tanto faz lá dentro como aqui fora. Pra mim tanto faz.&lt;br /&gt;- Tanto faz o quê?&lt;br /&gt;- Sou gordo e feio e só. Escola é pra quem é bonito.&lt;br /&gt;- Besteira sua, escola é pra todo mundo. Feio ou bonito. Ou você pensa que só existe médico bonito?&lt;br /&gt;- Não tô falando de médico, tô falando de escola.&lt;br /&gt;Gustavo era feio e gordo. Feio e gordo e Luciana esticava os olhos pra vê-lo amassar o saquinho num barulho irritante. Marcos não era bonito, Douglas tinha o rosto estourado e os olhos pendendo em lados opostos, Gustavo era feio e gordo.&lt;br /&gt;- Detesto todo mundo da minha sala.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Por que são bonitos.&lt;br /&gt;- Impossível só ter gente bonita na sua sala.&lt;br /&gt;- Não. Tem eu também.&lt;br /&gt;- Tô falando dos outros.&lt;br /&gt;Ela iria sair daqui a vinte minutos e em casa o marido a esperava, almoço na mesa.&lt;br /&gt;- Você disse que detesta o pessoal da sala porque são bonitos. Você me detesta também.&lt;br /&gt;- Você é merendeira... e velha!&lt;br /&gt;Marcos entrou na igreja. Três ou quatro mulheres ajoelhadas em frente ao manto azul de coroa, a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Estava escura às três e quarenta, os vitrais esfumaçavam a luz fina de sol que rastejava na porta principal se afogando na vasilha prata de água benta.&lt;br /&gt;Padre Nilson o observara do altar.  Não conhecia o rosto, mas assistira a João enquanto almoçava.  Sentando com os braços lânguidos, a cinta no flanco, Marcos se esparramou. Nossa Senhora Aparecida, mãe de Deus, mãe delas, não mãe dele. Nossa Senhora que a todos abençoa e guarda, não o faz dormir nem o cobre à noite. Mãe do Salvador, o Salvador que escolhe a quem salvar, não a ele. Luciana estava longe agora e Marcos queria estar com ela.&lt;br /&gt;Apoiado numa bengala fina de madeira rude Padre Nilson desceu os degraus e foi às mulheres. Ciciou um pouco e duas andaram pra sacristia. Voltou-se a Marcos dando estocadas compassadas e suaves no chão, sentou-se.&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho!&lt;br /&gt;A criança já velha trancava os lábios frementes, os olhos turvados e ardidos.&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho!&lt;br /&gt;Marcos começou a rir. Rilhava e ria baixinho com as mandíbulas renitentes.&lt;br /&gt;- Meu filho! Como Deus chora agora te vendo assim! Ele te vê perdido e atordoado, com sede Dele ou de alguma coisa ruim.&lt;br /&gt;- Quem sabe das duas?&lt;br /&gt;Luciana encostou-se à parede da casa. Dona Clotilde se encostava igual, conversando com ela.&lt;br /&gt;- Tá bom. Se eu sou merendeira você pode conversar comigo com certo orgulho, e falar a verdade. É como se dissesse a ninguém. Sou uma merendeira.&lt;br /&gt;- Tenho 14 anos.&lt;br /&gt;- Ótima idade. Que vontade que tenho de voltar pros meus 14!&lt;br /&gt;Gustavo lhe mostrou os dentes tingidos de fiapos amarelos, forçando o pescoço pra trás. &lt;br /&gt;- Retardada, retardada! É uma desgraçada!&lt;br /&gt;Já estava quase na hora de ir pra casa encontrar Marcos, encontrá-lo lá, parado, com a mesa posta, as panelas fumegantes e um sorriso babado, os braços apoiados na cadeira, o queixo sobre os braços. Sempre esteve ali e ela sempre voltava, pra casa, pra louça suja, pra calçada crua de marcas, pra bicicleta de aros amarronzados e pedais estalantes, pra ele e pra se manter na vida que sempre soube, desde quando Douglas não pediu muito, desde quando Rogério e Felipe lhe tiraram bastante.&lt;br /&gt;- Por que você tá com tanta raiva assim dos seus colegas?&lt;br /&gt;- E... Eles ficam tirando sa...rro de mim, me chamando de vir... virgenzi... nho e falando que... que meu... pin...to... vai dar ca...lo na minha mão, de tan.... tan...&lt;br /&gt;- De tanto que toca punheta?&lt;br /&gt;- É... é.&lt;br /&gt;- E as meninas?&lt;br /&gt;João não tinha imagens. Fizeram apenas algumas do lado de fora enquanto as crianças iam embora, filmando seus pés. Só um nome, mas não se lembrava de quem era, era apenas um nome. Queria falar bastante, mas só tinha um nome vago, e ele ficou meio amuado. A repórter, morena, alta, rosto anguloso, de nariz adunco e pernas grossas, contava as conversas que havia tido com pessoas que trabalhavam lá. A tal mulher tinha começado fazia pouco tempo, trabalhava antes numa loja de roupas, as outras a achavam quieta demais. João fechou os olhos.&lt;br /&gt;- Pode continuar.&lt;br /&gt;A voz dela ia falando lá bem baixinho - enquanto o esforço para ficar mais aguçado ia minguando - de como os pais do menino se revoltaram e foram à porta da delegacia pra...&lt;br /&gt;- Dormiu, coitadinho!&lt;br /&gt;- E então? O que vão fazer com ela? – perguntou o cinegrafista.&lt;br /&gt;Já sabia o que iam fazer dela, estava junto com Carina quando o delegado disse o que ia acontecer, escutou tanto quanto ela. Carina recontava e sua boca se retorcia, os olhinhos afundados lacrimejavam excitados.&lt;br /&gt;- Vão mandar ela pra Sabáudia. Foi pega em flagrante. Mas talvez sai em pouco tempo, o advogado dela é bom pra cacete. Fico só pensando como vai fazer pra pagar. Ele é caro! Vamos lá?! Já tá quase na hora da primeira edição. Acorda o João aí.&lt;br /&gt;- Acorda você. Tô fora!&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho! – Padre Nilson estendeu os braços no pescoço de Marcos.&lt;br /&gt;- Nunca pensei que voltaria aqui deste jeito. Nunca pensei que Ele me veria assim.&lt;br /&gt;Um homem que Padre Nilson conhecia sem nunca ter visto. Sabia que se chamava Marcos e que a mulher se chamava Luciana. Quando entrou tremelicando e ronronando as pernas nos bancos Padre Nilson soube que era ele. Poucos homens entravam na igreja à tarde e mesmo em seus desesperos percebiam na fé que se arrasta do domingo durante a semana um gesto extremamente sensível e feminino. Pra entrarem ali só se o desespero tivesse se queimado dentro dum redemoinho de desolação e dor estrondeante e inaudível, uma dor que precede a resignação.&lt;br /&gt;- As meninas são as mesmas de quando você era menina também.&lt;br /&gt;Gustavo alisou o chão com o pé esquerdo. Luciana se aproximou, apertando seu braço. &lt;br /&gt;- Abaixa as calças.&lt;br /&gt;- O... q... q... quê?&lt;br /&gt;Ele tentou se soltar, mas ela o segurava com força, com tanta força que arrebentava suas bochechas.&lt;br /&gt;- Deixa que eu abaixo.&lt;br /&gt;- Vo... você... é... uma... me...rendeira!&lt;br /&gt;Ela tocou na glande e a apertou. Gustavo de uma gozada. Luciana riu.&lt;br /&gt;- Não fica triste. É normal acontecer com moleques da sua idade.&lt;br /&gt;Do bolso de trás da calça tirou o avental da cozinha e limpou o pau do menino. Ajoelhou-se e começou a escorregar a língua da glande às gônadas.&lt;br /&gt;Marcos andava com os pés tortos entre as marcas da calçada, sentindo os encontrões das pessoas que vinham lado a lado, sentindo as cabeças sardônicas. Empinou o nariz assim que o sino marcou três horas. Não ia à igreja desde quando esfregou na cara da mãe a batina de coroinha, querendo-a mandar enfiar no rabo junto com seu Deus. E agora ele teve vontade de nunca ter saído dali. Devia continuar igual. Os mesmos móveis escuros e longos, as mesmas paredes pintadas de bege com detalhes marrons; o átrio mantinha suas árvores e pombas.&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Oi, pai! Viu quem é a putinha pega com o moleque?&lt;br /&gt;- Tô sabendo da história, vou falar aqui, mas não sei bem certo quem é. Só sei que foi uma tal de Luciana.&lt;br /&gt;- Não uma tal, foi a Luciana. Tá lembrado dela? Por causa dela eu tive aquela suspensão do colégio.&lt;br /&gt;Com os pés distantes João se levantou e deu três pulinhos. Bateu na mesa. Caía no seu ouvido os sons nasalados de Anderson. Era então Luciana, a quem disse certa vez que ia foder a vida na primeira chance?&lt;br /&gt;- Carina, vem cá!&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Você sabe o que sobre esta mulher?&lt;br /&gt;- Eu sei o que disse. O marido se chama Marcos, é barbeiro. Estão casados há muito tempo, cerca de 13 anos e ele ama ela. Não tem muito pra falar dele, um cara pacato pelo que dá pra gente saber.&lt;br /&gt;- Seguinte: quero  que vocês incitem as mães. Conheço umas que a gente pode levar pra frente da escola e fazer barulho. A da criança também tem que estar lá. Vamos fazer disto uma novela, tenta falar com o marido.&lt;br /&gt;- O... que vocês estão fazendo! – Amélia berrou erguendo os dedos finos e truncados ao rosto. Gustavo se atrapalhou com as calças e caiu, ele serpenteava e Amélia alternava os olhos assombrados a ele e a Luciana.&lt;br /&gt;- É esta merendeira! Esta merendeira puta! – ele fugiu pro pátio e ela se sentou no chão. Amélia chegou perto, soltou um tapa e cuspiu.&lt;br /&gt;- Todo mundo sabe da minha desgraça, padre. Todo mundo sabe que a minha querida Luciana fez aquela coisa horrível!&lt;br /&gt;Padre Nilson passou a mão nos cabelos de Marcos e lhe deu um beijo como um pai dá no filho pra ver se divide com ele um pouco do desespero, ele que é pai e sabe que nenhum desespero chega a ser tão enorme quanto a própria continuidade dos dias, os dias que se enrolam uns nos outros e caminham pacatos de mãos dadas, mofando os braços de quem ainda tenta usá-los. Padre Nilson tinha uma criança ali, padre Nilson tinha um filho, um filho uivando, vociferando o calor de Deus, o calor de Deus pra tirar o calor dos homens dos ombros, mas do calor deles Deus não podia livrá-lo, teria sido sarcasmo se tivesse plantado naquele coração trincado e sangrando Deus na forma de pecado, Marcos ia sofrer mais quando acordasse noutro dia e olhasse pro lado vendo Luciana numa cela de nove metros com outras 15 mulheres.&lt;br /&gt;Com o avental ela limpou o canto da boca. Passou as costas da mão nos olhos. Amélia havia subido, quem sabe à diretoria? Gustavo correra pra diretoria, quem sabe? Ajeitou os cabelos. Douglas podia desculpá-la agora. Não tinha certeza de que ele ouvira dizer que ela se casara com um barbeiro que estava chegando em casa pra fazer o almoço e esperá-la numa cadeira rangente de espaldar duro, erguendo o queixo sorridente entre uma garfada e outra. A história ia grassar, Douglas ia entender que havia sido ela e que ela o havia visto sob seus olhos caridosos renovados na castidade. Luciana sorria, inspirando o ar quente e meio úmido da manhã no pedaço de sombra da cumeeira. Ficou de pé e contornou a casa. Viu a diretora descer ombreada por dois funcionários. Ela viu e deu passadas longas firmes e retas.&lt;br /&gt;Quem vê Marcos parado entre as duas barbearias aguentando os quilos destes três anos sente pena dele. Entre elas ele puxa um cigarro e dá uma tragada fraca e curta. Luciana está de volta pra casa, faz um ano que voltou. Pessoas passam e Marcos olha os sapatos, estão lustrosos, Luciana os engraxou. Ela está com os dentes bonitos, os mesmos dentes de muito tempo atrás, treze anos, mas naquela época poucas vezes sorria pra ele. Ele entende que ela está livre, livre pra sorrir e olhar com orgulho, orgulhosa de estar ali, ela, Luciana. Ela tem sorrisos novos que sorriem só pra ele e ele poucas vezes retribui. A mulher está livre mas ele não e se odeia por isto. Luciana não rogou coisa alguma, nem na primeira vez que ele observou o rosto entrecortado em barras de metal escuro e frio. Não clamou nada, ele acreditou que estava certo, que tinha de estar do lado dela, havia jurado. Ela tem sorriso novo pra ele e ele sabe que deve pagar. Ela mantém as contas da casa em ordem fazendo doces pra pessoas que se desconfiassem que fosse ela não comprariam. Henrique e padre Nilson entenderam quando resolveu ficar com ela, mas o veem empanturrados de comiseração e ânsia. Ele está entre as barbearias e precisa dalguma grana. Apaga o cigarro e desce raspando as costas nas paredes. Agachado, não tem nada mais baixo pra olhar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1539405098320675742?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1539405098320675742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1539405098320675742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1539405098320675742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1539405098320675742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/09/notas-menores-sobre-amor-final.html' title='Notas menores sobre amor - Final'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7444233144447688334</id><published>2010-09-02T00:00:00.008-03:00</published><updated>2011-09-22T11:09:46.888-03:00</updated><title type='text'>Notas menores sobre amor - III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Marcos trabalhava até tarde em casa numas perucas que ele havia encaixado em bolas de isopor. Estalava os dedos e soltava o cronômetro. Henrique já havia notado a afobação dos braços que cortavam os cabelos dos caras mais velhos, eles pouco se davam com qualquer rosto que surgia no espelho, estavam acostumados com os seus. A mãe bateu na porta e gritou.&lt;br /&gt;- Vem comer, a janta tá pronta. &lt;br /&gt;- A senhora traz pra cá?&lt;br /&gt;Quando ela encostou a porta, Marcos correu e rodou a chave. Foi ao armário e tirou uma sacola de fibras grossas, raspou o prato pra dentro e voltou pras perucas. Média de 20 minutos, precisava baixar pra 15. &lt;br /&gt;Luciana saiu de cima de Felipe e jogou os olhos esburacados pro espelho, o rosto estava macio e calmo, mas triste. Felipe não tinha deixado marcas vermelhas nele, mas era uma tristeza aninhada, um fiozinho fino e molhado. Fazia dias que este fiozinho quase transparente mas pesado estava nos seus olhos e ela teve vontade de chorar. “Vou me queimando neles enquanto eles se refrescam, me queimo e eles se refrescam.” Ele desligou o carro duas quadras antes.&lt;br /&gt;- Tô com casamento marcado.&lt;br /&gt;- Acho que a gente deve parar.&lt;br /&gt;- Não tô dizendo isto, tô dizendo que a gente tem de aproveitar agora porque depois vou precisar de mais desculpas pra te ver, mas quero continuar te vendo.&lt;br /&gt;Ela pôs as mãos no trinco. Ele a encarava esperando uma resposta, o nariz ouriçado. Luciana sorriu um sorriso melancólico e Felipe se endireitou pondo as mãos no volante, olhando pra trás pelo retrovisor.&lt;br /&gt;- Não disse o que você tava querendo dizer – respirou ela. – Só o que eu queria dizer.&lt;br /&gt;Os dias no salão caíam com moleza na cabeça de Marcos. Sentia Henrique e os fregueses cada vez mais longe dos seus ouvidos, de tão longe incomodava. Não tinha só emagrecido, estava doente, isto sim, pensava o patrão vendo-o suar mesmo nos dias em que o vento se fortalecia e estalava a placa da calçada com o nome dos dois, o de Marcos bem menor.&lt;br /&gt;- Você tá amarelo! O que tem?&lt;br /&gt;- Nada.&lt;br /&gt;Em casa Marcos tomava água pra passar a fome, enchia uma jarra de um litro na pia do banheiro, que ficava mais perto do quarto. O pai nascera estofador, dizia o velho com um fiapo de orgulho nos dentes escurecidos.  Estava na mesma fábrica fazia 32 anos. Criou Marcos e cuidou da mulher com o dinheiro vindo dali, extremamente honesto, sem nenhum tipo de falcatrua, nunca fez mal pra alguém e nem exigiu beijo ou amor de Marcos e da esposa. Pediu bem pouco a eles. Comida e roupa limpa pra ela; pra ele, não ser tão preguiçoso e estudar um pouco. Marcos obedeceu. Fez o segundo grau e depois o curso de barbeiro.&lt;br /&gt;- É estranho! Meu pai nunca quis que eu seguisse uma profissão, como qualquer um sonha pro seu filho. Ele dizia que eu podia fazer o que quisesse, desde que fosse alguma coisa que exigisse que eu estudasse, pra não me tornar bandido ou veado ou preguiçoso. Só sabia a que não queria que eu seguisse: a dele.&lt;br /&gt;- Porque te ama, quer o melhor.&lt;br /&gt;- Besteira! O velho ama mais o cachorro do que eu. É arrogância. Arrogância! A arrogância faz enxergar que o trabalho de estofador é bem pouco digno pra gente, ganha mal pra ficar comendo courvin e arriscando os dedos com os grampeadores. Mas ele continua firme. Se eu fosse pro seu lado ia ficar perturbado, eu ia acabar com a sua segurança. - Marcos balançou a cabeça e soltou uma gargalhada. - Ele acha que fez a sua parte quando o assunto é meu estudo. Me pagou um curso de barbeiro. O humor dele é espetacular!&lt;br /&gt;A barriga estava doendo, e o barbeiro suava. Doía como se não tivesse sobrado mais nada dentro e ela estava enrugando, doendo, enrugando e farfalhando. Alcançou o relógio na cabeceira. Dez da noite! Doze pra ir pro trabalho e mais quatro pra ver Luciana. Abriu o criado mudo e tirou umas notas amassadas: R$ 800 e ele já tinha comprado calça de linho e camisa de algodão. O suador com as perucas funcionara. Amanhã Luciana o veria em roupas engomadas, de desodorante, os cabelos com gel repartidos e o rosto liso e corado de talco.&lt;br /&gt;- Oi, boa tarde!&lt;br /&gt;- Que... quero... com...prar uma cal...ça pru...ma pes...soa.&lt;br /&gt;- Como se chama?&lt;br /&gt;Engasgou mais olhando os dentes brilhantes. Tossiu pensando num nome.&lt;br /&gt;- Mar... Mar... Mar... Mar...cela.&lt;br /&gt;Luciana sorriu de novo.&lt;br /&gt;- O dela não. O seu.&lt;br /&gt;- Ah – disse suspirando, balançando as mãos para enxugar o suor que corria por dentro. – Pen...sei que você falava de...la... Meu no... me é Mar... Marcos.&lt;br /&gt;- Prazer, Luciana.&lt;br /&gt;- Muito prazer... Lu...ciana.&lt;br /&gt;- É presente?&lt;br /&gt;- Sim... é pre...sente.&lt;br /&gt;- Que jeito ela é?&lt;br /&gt;- Mais ou menos... o seu... cor...po.&lt;br /&gt;- Tomara que você ache ela bonita! – disse percebendo os dedos desajeitados errando os bolsos, a boca tremelicava igual aos olhos.&lt;br /&gt;- Mui... mui... muito!&lt;br /&gt;Rasgou o papel antes de chegar em casa. Ela amarfanhara a calça. Marcos a beijava e mordia engolindo fiapinhos de jeans. O suor das mãos dela, os restos dos dedos entrelaçados nas fibras e ele mordia, chupava a calça.&lt;br /&gt;O pai de Luciana voltou ao salão algumas semanas depois. E ele lhe cortava os quando viu Henrique se esfumaçar, ficar preto, o rosto bem largo. O dono da barbearia andava pra frente e pra trás e diminuía, a voz dele era só uma voz de alguém gritando bem longe, as mãos dele apenas uns encontrões intermitentes e estalados no rosto. Henrique não estava ali, só o som dele, o barulho dos tapas.&lt;br /&gt;Na mesa de jantar o homem contou à mulher e às duas filhas sobre o desmaio do barbeiro. Henrique dissera que Marcos estava sem comer num regime esquisito. Luciana não prestava atenção, ficava rodando o garfo nos dedos se lembrando de que já fazia tempo que ela tinha se ultrapassado, fazia tempo e ninguém notara. Continuava sendo tratada do mesmo jeito pelas pessoas da loja e de casa. Até que ponto tinha mudado ou havia mudança mesmo, um pouquinho só? Pra ela ficava difícil dizer, a medida são os outros. O pai ria, gritava e batia no peito meio que engasgado, perguntando pra mãe e pras duas filhas se aquilo era decisão de homem, mas nem notava que Luciana pouco se lixava pra história dele.&lt;br /&gt;- Aonde vai? - perguntou o colega de enfermaria.&lt;br /&gt;- Pra casa.&lt;br /&gt;- De camisola?&lt;br /&gt;Marcos abriu a porta. O pai dormia na poltrona no canto da sala, a mãe assistia à novela. Olhou-o e seus olhos gritaram vermelhos.&lt;br /&gt;- Meu filho! Meu filho! O que você tá fazendo?&lt;br /&gt;O velho soltou um ronco.&lt;br /&gt;Felipe e Rodrigo. Os dois não ligavam pra loja ou pra casa dela fazia um mês e ela se esqueceu de que eles tivessem telefone ou mesmo um rosto. Luciana tinha se ultrapassado. Felipe e Rodrigo e Luciana, cada um pro seu lado, da forma que dava e que era mais fácil pra cada um. Juliana e Evelise ficavam mais afobadas no sofá mostrando decorações de salão e penteados, vestidos e anéis pipocados de diamantes nas revistas, Luciana as servia de dia e pouco se esforçava pra imaginar o que conversavam à noite.&lt;br /&gt;- O... oi! Se... se... lembra... de mim?&lt;br /&gt;A pele estava marrom de novo, reluzente, os olhos claros e brilhantes.&lt;br /&gt;- Olá! Desculpa, mas não me lembro – deu uma risada nervosa remexendo o álbum do cérebro e aquele rapaz de roupa simples, mas bem passada, não apareceu.&lt;br /&gt;- Com...prei... uma calça aqui... um mês a...trás.&lt;br /&gt;- Hum, pra você ou pra esposa?&lt;br /&gt;- Pra... pra... vo...cê. Ma... Mas... comi ela...&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Que... que... que... ro na... morar vo... vo... cê.&lt;br /&gt;Anderson escutava Luciana cantando aquela canção atrás da casa de Dona Clotilde, ele sentado nos degraus e ela do outro lado do colégio cuidando dum jardim cheio de flores alquebradas e cantando aquela canção que o fazia lembrar o avô, o pai da mãe, e ele vivia com o pai; a mãe trabalhava num escritório, o pai tinha arrumado porque sozinha ela não conseguia. Luciana cantando a canção que o avô cantava a ele, o avô pai da mãe. Nos fins de semana João o levava pra ela. Ali perdia algumas horas brincando nos ponteiros do relógio, adiantando pro pai chegar mais rápido. Mas só dava pra adiantar os seus, o pai estava longe e, adiantando os seus, aumentava o tempo que ficava com a mãe e o avô. Nem tanto a mãe, ela não tinha culpa. A culpa era do avô. Homem tosco de mãos cascudas de enxada e barba amarela de tabaco. A mãe tinha uma preguiça crônica e congênita vinda dele.&lt;br /&gt;- Luciana, vou te bater de jeito agora!&lt;br /&gt;João tentou, mas todos estavam a fim da forma mais difícil, a suspensão de três dias pro filho. Seus olhos chisparam sobre o nariz sangrando e o rosto arranhado de Luciana. &lt;br /&gt;- Sua putinha! Tá fodida pra sempre!&lt;br /&gt;A menina não afastou os ouvidos e continuou balançando os pés vendo João esmurrar o batente da sala e sair em passos retos. A boca doía, o nariz doía, as bochechas ardiam, mas os olhos estavam secos; as mãos presas nos lados da cadeira. A diretora apareceu com água, toalha e mercúrio.&lt;br /&gt;- Você o quê?&lt;br /&gt;- Não! – riu tristemente remexendo a toalha branca da sacristia. Fazia duas semanas que começara a frequentar aquela sala clara de móveis beges, uma mesa, duas cadeiras e um armário com vinho, hóstias e cálices. Padre Nilson, de camisa listrada e calça preta. Duas semanas e cada vez novas histórias daquela história encarquilhada e furibunda. – Eu não comi a calça. Na verdade eu mordi um pouco e tentava engolir, mas o gosto era horrível. Cheguei à conclusão de que Luciana não tinha aquele gosto amargo, como não tem mesmo.&lt;br /&gt;- Mas você disse a ela! – Padre Nilson se levantou e pôs de volta a garrafa no armário, os olhos de Marcos brilharam.&lt;br /&gt;- Foi força de expressão. Achei que ela ia gostar daquilo. Mulheres sempre gostam destas histórias aumentadas que a gente copia de alguém, mudando só uma coisinha aqui e outra ali. As mulheres acham elas muito românticas e era o melhor que eu podia inventar naquela hora porque não era em seu todo mentira.&lt;br /&gt;- A gente é que cai na armadilha de que querer complicar tudo, meu filho – o padre desceu os olhos. – Bom, olha quem está dando conselhos! Alguém que nunca testemunhou isto na carne.&lt;br /&gt;- Seja como for. A questão é que eu disse a ela.&lt;br /&gt;O padre de novo se sentou na sua frente, baixou as lentes pra encará-lo, esticou os braços peludos na mesa. Percebia a curvatura e os riscos encovados perto do nariz e nas bochechas. “Quase seis anos de diferença, ele está ficando velho demais”&lt;br /&gt;- Ela ficou ali me encarando. Depois me disse com calma, inventou uma história que tinha namorado e não me lembro o que mais, me pediu pra sair.&lt;br /&gt;- E como vocês começaram a namorar?&lt;br /&gt;- Isto foi um tempo depois, bastante tempo depois. Eu ia toda vez na frente da loja esperar ela. Teve uma vez que ela disse que ia chamar a polícia, mas não chamou. Eu inventei de dizer que era o barbeiro do seu pai, que tinha visto ela a primeira vez quando foi na barbearia pegar a moto, e ela disse que eu então devia ser mais porco que o velho porque cortava o cabelo dele. Como eu, ela nunca gostou do pai.&lt;br /&gt;Marcos a pedira pra namorar igualzinho Douglas, voz intermitente e ombros inquietos, a cabeça pendida, as órbitas moles e gordurosas fugindo de lado.&lt;br /&gt;- Por que você fez isso?&lt;br /&gt;- Eu queria dar a calça pra você, mas você não ia aceitar. E eu queria sentir o teu gosto e você tocou nela – já não gaguejava, Douglas ficou gaguejando até o fim e Marcos parou. Mas não era gagueira e sim um toco entupindo a garganta e ele o havia cuspido. Luciana se acuou.&lt;br /&gt;- É burrice! – de costas começou a dobrar umas peças que deslizavam da banca, de vez em quando erguia a cabeça pro espelho. Ele, com as mãos nos bolsos, parado, observando-a dobrar as camisas, não olhava pra bunda, Luciana notou e ficou mais leve, sentiu que aqueles olhos acariciavam suas mãos, seus braços, os beijavam, quis vê-los de novo. - Então?&lt;br /&gt;- Eu é que pergunto então!&lt;br /&gt;- É... você...&lt;br /&gt;- Marcos, meu nome é Marcos.&lt;br /&gt;- Então, Marcos!? Acho que já pode ir. Veio, disse o que queria, eu te respondi. Pode ir embora porque você já tem a resposta que te deixava gago, você vai voltar pra casa e nunca mais vai gaguejar.&lt;br /&gt;- Eu desmaiei por você.&lt;br /&gt;- Oh, meu Deus, quanta besteira!&lt;br /&gt;- Fiquei sem comer. Sequei até desmaiar porque tinha certeza de que você não gosta de gordo.&lt;br /&gt;- Vai embora, por favor.&lt;br /&gt;Em frente à loja, ele esperava todas as manhãs rabiscando com pedrinhas o nome dela no banco. Luciana o via uns cem metros antes e rilhava os dentes, mas mantinha as passadas, entrava sem falar, o rosto marcado num sorriso sardônico e embotado. Ele ficava ali até as 15 pras dez, dizia alguma coisa que ela não conseguia escutar e se levantava; ela se escondia na porta pra olhar as pernas desengonçadas na calça social pela Avenida de calçadas e fachadas imponentes e ocas, indo pra barbearia.&lt;br /&gt;Casaram-se cinco meses mais tarde. Ele continuava trabalhando na barbearia e ela, na loja. Moravam numa casa de uma água que tinha na frente uma oficina pra aparelhos eletrônicos. A vida andava como uma folha que o vento calmo toca. Marcos pensava em crianças; Luciana, em como os anos tiraram seu pijama, dando um avental escuro e lúgubre, o avental que ganhou na ultrapassagem. Quando a pediu em casamento, eles nem tinham começado a namorar. Estavam conversando no banco em frente à loja e ela olhava os carros descendo a Avenida cedo, indo pra Maracanã, pras fábricas. Rodas claras e reluzentes. Um beijo e umas voltas na época de colégio poderiam ter lhe dado a resignação necessária quando ainda havia pouco a se cortar, quase nada.&lt;br /&gt;- Padre, me ajuda! Fala pra Deus que eu to sofrendo, diz pra Ele me confortar.&lt;br /&gt;- O que Deus pode fazer meu filho? Sua dor é profana!&lt;br /&gt;Padre Nilson tinha na frente uma criança que descobrira as mentiras dos pais e chorava num mundo de pessoas adultas desesperadas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7444233144447688334?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7444233144447688334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7444233144447688334&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7444233144447688334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7444233144447688334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/09/notas-menores-sobre-amor-iii.html' title='Notas menores sobre amor - III'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2326608448224907575</id><published>2010-08-30T23:28:00.005-03:00</published><updated>2011-09-26T17:02:32.939-03:00</updated><title type='text'>Notas menores sobre amor - II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Anderson bolara um plano pra descobrir onde Luciana se enfiava a cada recreio. Sairia faltando uns dez minutos pro intervalo. Ninguém pulava fora antes do sinal, menos ele. A TV ainda não havia chegado; o pai apresentava um programa de rádio e fazia alguns bicos que o filho e o resto da cidade não faziam a menor ideia; e já era bem conhecido.&lt;br /&gt;- Quero ir no banheiro! – disse com a mão direita levantada.&lt;br /&gt;- Falta pouquinho pro sinal. Não dá pra esperar?&lt;br /&gt;- Não – respondeu o menino empurrando a cadeira e claudicando à porta.&lt;br /&gt;A torneira espirrava água quente e ele deixava escorrer nas mãos, imaginando aonde Luciana ia. Alta, magra, rosto pálido, morto, o sangue dela devia ser sem cor. O sinal tocou quando Anderson estava de volta ao corredor, encostado atrás duma coluna, espiando a porta em frente. Ela apareceu no umbral com o cabelo preto que ele odiava, os olhos sombreados irritadiços e irritantes.  Começou a descer pra atrás da quadra descoberta. “Hum, pra casa do tiozinho!”&lt;br /&gt;Dona Clotilde a esperava escorando a porta da sala, enxugava as mãos num guardanapo meio sujo de cascas de batata.&lt;br /&gt;- Oi, Lu!&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;Nem a mãe a chamava de Lu; só aqueles estranhos que se acharam seus amigos por algum tempo. E Dona Clotilde, outra esquisita, pensava que podia. Pisou algumas florezinhas rosas penduradas em galhos finos e moles. “Pra parar de me chamar de Lu, sua velha gorda!”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- É aqui que vem ficar longe de todo mundo, Vara de Cutucar Morcego?&lt;br /&gt;- Vai pro inferno, molequinho remelento! Volta lá com eles, vai jogar bola se seu pé de pato deixar.&lt;br /&gt;Anderson chegou perto de Luciana, que continuava mexendo nas roseiras, e, desajeitado, raspou os joelhos nas costas dela, que parecia não percebê-lo ali.&lt;br /&gt;- Hem, Vara de Cutucar Morcego? Você fica todo dia aqui se lambuzando, sua porca?&lt;br /&gt;Loguinho o calor ia escapar da terra, assim que as nuvens desabassem. A voz do menino a irritava, vinha pesada como a chuva, enchia suas orelhas de lama. Ela começou a cantar uma canção melódica lentamente, reforçando a desafinação na voz aguda nasalada.&lt;br /&gt;- Serra, serra, serrador...&lt;br /&gt;- Cala a boca!&lt;br /&gt;- Cinco, seis! Serra, serra...&lt;br /&gt;- Cala a boca!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Quantas tábuas já serrou?...&lt;br /&gt;Ele a empurrou, apertando as costas, dando estocadas nos pulmões, Luciana se desequilibrou e caiu enfiando os joelhos na grama.&lt;br /&gt;- Uma, duas, três...&lt;br /&gt;Ainda cantava e Anderson queria matá-la ali, joelhos enterrados na grama verde e macia e cantando aquela música de criança. Odiava a música, um ódio amarelo e viçoso e atonal. Dona Clotilde escutou alguém gritar “Cala a boca!” e ligou o fogo, tampando a panela com batatas. Vinha de trás da casa, de onde Luciana arrancava os matinhos que enfeavam o jardim; ela atravessou a sala estéril com móveis pretos e duros, estante escura sem puxadores. Anderson socava as costas da menina que gemia uma canção que Dona Clotilde cantara pros netos e filhos que a vinham ver nos almoços encarnados de domingo.&lt;br /&gt;- Para, menino! – disse, puxando Anderson pela gola da camisa.&lt;br /&gt;- Ela me deixa louco com essa música! – correu atravessando as quadras, os garotos seguraram a bola virando o pescoço com a boca esgarçada enquanto o filho de João passava.&lt;br /&gt;Luciana ainda estava cantando. Dona Clotilde quis levantá-la.&lt;br /&gt;- Sai daqui!&lt;br /&gt;Ficou furando perto das rosas, retirando os matinhos e cantando.&lt;br /&gt;Marcos apanharia se não arrumasse emprego assim que recebesse o diploma, tanto ele como o pai dipsomaníaco tinham isto como certo.&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Oi, quer cortar o cabelo? – perguntou Henrique espadanando a cadeira com uma almofada preta de courvin costurada pela mulher.&lt;br /&gt;- Não. Não é isto. Eu... fiz um curso de cabeleireiro e queria saber se o senhor... me deixa praticar.&lt;br /&gt;- Você sabe cortar?&lt;br /&gt;- Sei, mas acho que ainda não sou bom.&lt;br /&gt;Henrique se sentou.&lt;br /&gt;- Pega a capa e a tesoura. Vamos ver.&lt;br /&gt;Os cabelos de Henrique eram lisos, já estavam baixos, mas ele pedia pra cortá-los mais. O fio inteiro colado na cabeça e Marcos ainda tinha de cortar mais rente! Os dedos escorregaram na tesoura exclamativos, ameaçavam começar prum lado, pro outro, o barbeiro tamborilando nos braços da cadeira.&lt;br /&gt;- Vai lá! Daqui a pouco começam a chegar os clientes e você ainda não fez nada.&lt;br /&gt;- Tenho medo de estragar a sua cabeça. Não vou furar ela... mas tenho medo de estragar...&lt;br /&gt;- Tá bom, tá bom. Vou te dizer o que deve ser feito.&lt;br /&gt;Ele pegou o jeito bem rápido. Henrique gostou do garoto; com dois, ninguém mais ia reclamar de demora. Marcos ganhava trinta por cento do que pagavam quando cortavam com ele. Dois dias antes de receber o diploma já trabalhava das nove às seis.&lt;br /&gt;Ainda está entre os salões, os pés recalcitrantes. Ele precisa de R$ 100, Luciana tem dentes novos só pra ele. Três anos estertoram, estertoram e nunca morrem. Ele afunda a cabeça quando nota alguém se aproximando, se atrofia como três anos atrás.&lt;br /&gt;Luciana voltava ao jardim sem bom dia a Dona Clotilde. Ia ao jardim e não mais fazia buracos com os estouros de raízes. Na despensa da mãe tinha encontrado um saquinho de sementes de girassol; as esparramava nos pés das rosas. Os girassóis eram grandes e muito amarelos, o viço deles mataria o resto, iam chegar as férias quando tudo começasse, as rosas morreriam sob os óculos baços e gordurosos de Dona Clotilde. Anderson ainda se fixava nela sumindo atrás das quadras, a vozinha nasalada cantando “Serra, serra...”, ele macetava as orelhas, deixava vermelhas e Luciana ainda cantava lá dentro, um zunido de ouvido sujo, um zunido de ouvido sujo e cheio de criança e de um avô que o juntava pelos braços e fazia ficar ali ouvindo “Serra, serra...”, dando beijos de alcatrão, o fumo molhado mofando as bochechas.  As aulas estavam no fim e Luciana ainda cantava aquela canção lá no fundo da cabeça de Anderson, a espremia.&lt;br /&gt;As chaves brilharam nas mãos dela. Ao lado da moto, Luciana amarfanhou sem pressa os cabelos embaixo da blusa, Marcos a via pelo espelho enquanto trocava palavras desconexas e curtas com o pai dela. Ele a amou ali, no meio duma tarde irritante que não o irritava, amou seus cabelos longos e brilhantes irisados dum sol caindo atrás do prédio de onde dá pra observá-lo enquanto vacila entre os dois salões e corre as mãos na parede lixando a textura ácida.&lt;br /&gt;Ela guardava quase toda a grana que ganhava pensando em começar uma faculdade, direito ou marketing. A loja tinha vitrines pequenas, móveis na cor tabaco angulosos e cadeiras com detalhes prateados, uma discrição que se extravagava nas pisadas dos clientes apressados às duas tarde ou às dez da manhã.  Luciana observou Rogério, meio zonzo entre algumas calças. Filho de moveleiro, cursava direito à noite e de dia descansava.&lt;br /&gt;- Oi, bom dia!&lt;br /&gt;Os olhos escuros e frios dela o surpreenderam adoravelmente, os lábios arqueavam um sorriso lascivo e temerário nos dentes brancos.&lt;br /&gt;- Oi - respondeu. Estou procurando um presente.&lt;br /&gt;Ela parou em frente de uma casa. Desceu da moto olhando. Dos dois lados da rua as casas eram enormes. Pro lado de lá das grades brotavam jardins multicoloridos, mas fleumáticos, bem mais tristes que os girassóis lustrosos que ela tinha plantado um dia na casa de Dona Clotilde. Elas tinham grades altas e cercas elétricas, as cumeeiras espiavam de cima a imensidão da rua. Tocou a campainha. Dois cachorros sarnentos, também pra fora, empurravam a poeira do sol bêbado na tarde magra. Uma mulher de rosto seco e riscado atrás do vidro puxou a cortina, fez um sinal e sumiu. Senhores de ternos escuros passavam em automóveis de vidros fechados e Luciana percebia que a notavam na frente do portão, percebiam como a calça definia sua bunda em abóbodas macias. Rogério apareceu sem camisa e descalço. Ela o acordara.&lt;br /&gt;- E aí, Lu? Saiu mais cedo do trabalho?&lt;br /&gt;- Disse que ia levar umas roupas pra umas mulheres.&lt;br /&gt;- Onde tão?&lt;br /&gt;- Pra onde eu falei que ia levar.  &lt;br /&gt;Marcos a amava. Ele a amava dum jeito suave e confortante, o amor que se vê nos outros e poucas vezes perto de casa. Mantinha os dedos numa tesoura dura e calejante, na sala azul cheia de luzes com teias de aranha no teto, e a amava. Luciana chegou, pediu a chave, subiu na moto indo embora. Luciana chegou e olhou pra ele, não disse nada, olhou pra ele e deve ter rido da barriga que escapava da camisa de botões esgarçados, as mãos gordas e suadas, o queixo enterrado. Marcos amava. Tinha de emagrecer.&lt;br /&gt;- Lu, a gente precisa parar com isto. Marquei meu casamento com a Evelise.&lt;br /&gt;Ela respirou devagar sem mudar a cor opaca em seu rosto.&lt;br /&gt;- Bom Rogério, acho que você disse o que tinha que dizer. Eu também já fiz o que tinha que fazer. Vou embora.&lt;br /&gt;Agarrou as calças, o sutiã e a blusa e foi pro banheiro descalça.  Era branco e metálico. As torneiras douradas, as toalhas, macias, descansavam sem marcas de dobras. Pegou uma e limpou o nariz.&lt;br /&gt;- Tchau!&lt;br /&gt;Precisava emagrecer, só que não sabia direito como acontecia. Luciana era tão diferente daquele velho com cheiro ensebado de cola, de rosto queimado e rachando! Filha pobre só quer casar com o pai quando é pequena. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;- É ajeitada a filha dele, hem? – Henrique coçou a barriga olhando Juraci atravessar a praça.&lt;br /&gt;- Pra onde vai?&lt;br /&gt;- Pra casa, acho. Mora na parte de baixo da linha do trem.&lt;br /&gt;- E a moto?&lt;br /&gt;- Sei lá da moto! &lt;br /&gt;- Ela trabalha aqui perto? – perguntou trocando a lâmina da navalha.&lt;br /&gt;- Numa loja de roupa pra quem tem bufunfa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felipe tinha uma fábrica de berços e guarda-roupas que capengava, mas o pai tinha algumas outras e socorria quando o caçula dava cabeçadas. Encontrara Luciana parada modulando um sorriso úmido e vago encostada a umas araras. O sábado com vento quente suava na janela e ele colocou a bermuda e o tênis. &lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Oi, Lu! Onde você tá? – disse segurando o telefone com uma mão enquanto usava a outra pra arrumar a franja.&lt;br /&gt;- Tô em casa de saco cheio.&lt;br /&gt;- Hum, hoje tá fechado o comércio, né?&lt;br /&gt;- À tarde sempre foi.&lt;br /&gt;- Acho que vou pro Catuaí. Tá a fim?&lt;br /&gt;- Vamos, tô me estrangulando aqui já.&lt;br /&gt;Marcos cortava o cabelo dum velhinho ranzinza e fedido. Ele usava um blusão amarelo enodoado de suor e ficava remexendo o pé que tinha uma ferida esverdeada supurando. Mas Marcos não via os dedos escuros de unhas grossas que borbulhavam. A moça da YIUMXX com a boca vermelha e o rosto cheio de sangue branco e bonito.&lt;br /&gt;- Tô começando um regime – disse a Henrique sem olhá-lo.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Sem comida.&lt;br /&gt;- Todos os regimes são de praticamente não comer. Ou melhor, comer menos.&lt;br /&gt;- O meu é sem comida.&lt;br /&gt;- Tá! E vai ficar em pé de que jeito? – rosnou numa voz desinteressada e enfadonha.&lt;br /&gt;- Tenho bastante gordura aqui – bateu na barriga.&lt;br /&gt;Fazia quase uma hora que Luciana esperava na esquina. Felipe chegou deitando sobre o banco do lado e abriu a porta.&lt;br /&gt;- Desculpa a demora, mas tava resolvendo uns negócios com meu pai.&lt;br /&gt;Trancada naquele quadro de teto branco e paredes lisas, Luciana cruzava pessoas que sorriam jogando a cabeça nas vitrines de meia-luz amarela e manequins claros em suaves roupas de cores sóbrias. Lá fora ela vira mulheres gigantes, que tinham sido congeladas num salto infantil e retardado, coladas nos tijolos vermelhos. Poucas vezes saía com caras como Felipe pro Catuaí, nem esperava que a chamassem. Juliana, a namorada, tinha outras coisas pra fazer num sábado à tarde, como depilar perto das coxas e esperá-lo. Dava passos secos e desengonçados, meio longe dele, ciciando frases curtas e destoadas. Queria estar com Douglas e Sharmila. Sentados nalgum canto escuro pelo recorte do sol gorduroso conversando coisas calmas e gentis. Não havia sido gentil nem calma com eles e a falta dum beijo e dumas voltas na escola de mãos dadas emudeceu a tranquilidade dela. Lojas ajeitadas com roupas que ela tão bem conhecia, as moças apoiadas nos balcões descansando uma perna, nos sorrisos maquilados, nos perfumes falsificados, doze horas de pé, eram perfeitas. Nem passava pela cabeça dos donos dali naquela época erguer umas galeriazinhas na região delas e dos seus colegas que se esbarravam nos ônibus lotados pra andar nas alas brilhantes como o céu quando se é novo o bastante pra acreditar que ele brilhe sempre que se sopram as nuvens. As moças descansando uma perna macetada, com o reboco do sorriso bambo, não olhavam pros vizinhos e Luciana percebia. Ela também não olhava, menos em Arapongas que em Londrina. Moravam lado a lado, trocavam bons dias tímidos nas ruas de muros e portões frouxos mas se descartavam. Ela os via perdidos na Grande Avenida; quando passavam em frente à loja cochichavam ou seguiam em frente com os pescoços retos. Felipe soltava os braços em movimentos longos oblíquos falando alto, mostrando pra quem cruzava com eles que não tinha nada de secreto ou suspeito na sua voz.&lt;br /&gt;- Vamos assistir a algum filme?&lt;br /&gt;- Não tô com vontade, tô cansada.&lt;br /&gt;- Cansada de quê?&lt;br /&gt;- Cansada! Só cansada!&lt;br /&gt;- Você quer ir?&lt;br /&gt;Se havia sido praquilo que duas pessoas que se conheciam bem pouco e que andavam afastadas uma da outra tinham saído de Arapongas e matavam as horas escorrendo nos corredores refletidos nas fachadas das lojas, Luciana só apressou o que caminhava com preguiça e pernas lânguidas.&lt;br /&gt;João vai começar o programa, falta pouquinho, Anderson está chegando às 10 da noite no aeroporto de Londrina, vindo do Rio, de onde chegou da Europa. Está pronto pro filho que traz o filho de dois meses e a mulher que não fala português. Pronto com displicência. Não tem como evitá-lo e não o quer. Mas o espera e espera o programa começar. Pouca coisa pra dizer. Talvez do orgulho de ter um filho que volta trazendo uns diplomas embaixo do braço e tostões voados em festas, filho e mulher.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2326608448224907575?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2326608448224907575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2326608448224907575&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2326608448224907575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2326608448224907575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/08/notas-menores-sobre-amor-ii.html' title='Notas menores sobre amor - II'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7393318720966515679</id><published>2010-08-28T13:37:00.003-03:00</published><updated>2011-09-20T14:48:31.497-03:00</updated><title type='text'>Notas menores sobre amor - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem vê Marcos pela janela de cabeça abaixada escarafunchando o chão nas solas tristes sente pena dele. Vai alguns fins de semana ao salão de barbeiro em que trabalhava até três anos atrás, os três anos que o fazem estacar no umbral encarando fixamente Henrique nas pálpebras murchas, os fregueses o percebem pelo reflexo no espelho da cadeira desocupada. Marido de Luciana, a mulher de sorriso acolchoado. A seis quarteirões da Avenida Arapongas vivem numa pequena casa dum bairro antigo.  Espera Henrique chamá-lo na porta e o dono lhe pergunta todas as vezes arrematando exclamações curiosas, delicadas e honestas de quem se sente incomodado, como vão as coisas pros rumos debaixo. Marcos sempre entra e se senta no sofá preto ao lado do bebedouro e de uma cadeira para lavagem de cabelo há muito desligada, desde quando trabalhava ali todo dia e nunca entendeu nem perguntou a Henrique por que a cadeira.&lt;br /&gt;- A gente vai tocando, a Luciana aumentou as encomendas, trabalha até tarde. Aumentou as encomendas e ganha menos ainda.&lt;br /&gt;Vai ali e na igreja. Raras as vezes em que alguém o vê pelo supermercado ou na padaria. Mesmo nelas sua parada é rápida e direta; entra chega aonde precisa e sai sem quase falar, nem nas filas nem no caixa. Na igreja ele aparece atrás de padre Nilson. Ficam horas sentados um de frente pro outro, fumando cigarros curvos e amassados e tomando vinho. Começou a visitá-lo faz três anos, quando souberam, e segue o ritual toda semana, na terça e na quinta. Não que o padre realmente lhe diz coisas importantes que amainam a cabeça, mas porque quase ninguém entra nesses dias, o padre não recebe fiéis e dispensa as faxineiras e outras ajudantes da faina. Ele se incomoda com Marcos. Entre as raras perguntas e respostas que um faz e dá ao outro, mexe no colarinho e fica repuxando as calças nas coxas, sentindo-se amarrado. Espera algum descuido para arrumar desculpas e enxotá-lo. Mas as desculpas nunca chegam, o fatalismo da vida sacerdotal!&lt;br /&gt;Está quase chegando à barbearia. São três e meia duma tarde abafada de janeiro, a chuva caiu tangentemente de manhã e ressuscitou o calor emburrado debaixo das lajotas. Faz tempo que o asfalto parou de soltar fumacinhas e ele observa o obelisco de R$ 500 mil, diz a placa, da praça em frente ao cinema e pensa como aquele dinheiro foi gasto da forma certa, mendigos e bêbados e travestis se esticam como cachorros se espreguiçando nas nesgas de sombra das arcadas. Precisa duma grana, a mulher não conseguiu pagar todas as contas, principalmente a que enfiou nela os dentes novos, está com os dentes bonitos e ri só pra ele agora. Tem de quitar a calma que a mulher nele expunge. Faltam R$ 100. Uns doze cabelos, só que 24. Apesar de Henrique quase nunca querer, reparte meio a meio. Dia morno, vai desencravando os dedos até as seis, quando se recostam as camisas amarelas, verdes e azuis engastadas de pó úmido das serras. Dois dias de trabalho é o bastante.&lt;br /&gt;Os mais velhos não cortam com ele. Dizem preferir Henrique. Mas três anos atrás o largavam sofismando brincadeiras no sofá e esperavam languidamente Marcos acabar um, mais um, outro e mais outro. Seus clientes são a rapaziada mais nova da produção e os guardinhas. Sabem sobre Marcos, mas querem cortar, e rápido; depois, claro, vêm as risadas sardônicas comentando sobre o barbeiro, assim que desligam as motonetas no boteco, de cabelos aparados. A cara dele é engraçada, fica vendo os sapatos e revolvendo as chusmas do chão, sua tesoura escorrega e ele nem nota.&lt;br /&gt;Esgrouviado, Marcos tem os olhos grandes secos e fundos presos em manchas azuladas. Antes da barbearia pra ele, outra barbearia e amigos de até três anos atrás. Descansando na falta de clientes os colegas giram nas cadeiras e o encaram da porta, sobrecenhos duros e comiserativos, as escolhas que fez fazem-no ter dó e raiva, as escolhas que fez e não atingiram ninguém fora ele e Luciana. É uma cidade pequena, não diferente de muitas outras. Cidade em que há calmos dias de calor e preguiça na Ave-Maria das seis, na roda de dominó na Praça da Prefeitura, mulheres caminham com bocas anêmicas e homens manquejam lentamente em camisas soltas e óculos vazios.&lt;br /&gt;João olha o relógio, daqui a três horas vai lavar a cidade, queimar todas as chagas na sua pia de batismo. Irrequieto, mexe com os ponteiros fugidios debaixo do vidro. Faltam três horas e nada de novo pra contar. Metade de Arapongas o espera.&lt;br /&gt;- Vocês são umas toupeiras! Nem conseguem fazer um programa. Tenho que chegar lá e dar um jeito.&lt;br /&gt;Ele se levanta resfolegando e arruma a calça dentro camisa. O sol torra as janelas fumês do prédio. Embaixo, pequenininhas, as pessoas se arrastam, aqui em cima, ele ofega tomando uma xícara de café.&lt;br /&gt;- Vou pra casa trocar de camisa.&lt;br /&gt;Marcos estacou entre as duas barbearias. Vê alguns moleques duns onze anos voltando do colégio. Eles se socam e trocam frases espertas com umas meninas poucos passos à frente, elas não param, mas olham pra trás dando risinhos moles. Três anos a menos só, mas ele não pensa nisto. Quatorze anos, o problema não está aí, mas nos três que empacaram como ele, entre uma barbearia e outra, entre um momento estático e indefinido na vida dele e outro. Os 14 anos foram bem mais fáceis do que os três, estes três não foram nem um até agora, são como alguém estalando os dedos na esquina o esperando sair de casa pra topá-lo de frente, ficam entre uma barbearia e outra e do lado do cara de calças jeans e camisa xadrez, de óculos escuros e cabelos loiros, cortando a praça, acenando as mãos adiposas, as suas também foram, balouçando a cabeça dum jeito amável. &lt;br /&gt;João desce calmo entre as pedras soltas da praça que tem o nome do primeiro prefeito da cidade. Ninguém sabe onde jogaram as espingardas da eleição nem quem se feriu com elas nesta pacata cidade. Eles não contam. As doces mães estivais trouxeram os filhos de ônibus pra brincar no parquinho, viram os lábios pra dizer “boa tarde!” a ele, que sorri, os pés macetam firmes as pedrinhas soltas. Em dentes amarelos e desencaixados o cumprimento amável delas se estende. Um banho e uma camisa sem cheirar suor. É o que quer agora.&lt;br /&gt;“Esse se fodeu, coitado!” – ri um riso agudo e fino, preso entre a língua e o céu da boca. Há uma sombra colada na parede que separa as duas barbearias. Entra no carro.&lt;br /&gt;Luciana trabalhava numa loja de roupas na Avenida Principal. Toda loja importante fica ali, numa extensão de 500 metros. Tinha 18 anos. De bunda dura e redonda, lisos cabelos negros debruavam-lhe o rosto fino, os olhos escuros e brilhantes encarcerando as flexões suaves e lentas da boca. A mãe era faxineira na casa do dono da fábrica de móveis em que o pai estava empregado havia quase 30 anos. Marcos a viu chegar à porta, a tesoura na cabeça do pai, ela lhe pediu as chaves. O céu estava claro e ele entendeu a eternidade, toda aquela gente morta e Deus apontando a ele a salvação, a colocando bem perto do seu rosto, deixando-o beber; a salvação fresca em aquarela nadando naqueles cabelos longos. Deus não matara sem compaixão ou remorso seu filho, o único, à toa.&lt;br /&gt;Luciana estudou num colégio do centro. Tinha de pegar o ônibus em frente à escola do bairro, eram dez quilômetros. Foi pra lá quando tinha 12, na sexta série. Alta demais e magra demais, olheiras fundas e preguiçosas. A turma a chamava Vara de Cutucar Morcego. Sentava-se perto e passava os recreios com dois colegas, Sharmila, a Boca de Lata, e Douglas, o Zaroio. Ela sempre acreditou que eles tivessem algum problema sério, alguma deficiência mental, mas menos que o resto. Ficavam quietos quase todo o tempo. Com monossílabos sibilantes, se perdendo em algo distante e indefinido, diziam frases entrecortadas e incompletas um ao outro, só que nesse dia Douglas tinha treinado.&lt;br /&gt;- Lu, q.. quer... na... morar co... migo, gos...gos... sto mui... muito... de você... A gente po... pode... andar de mão da... da... dada e vo... cê... po... pode ir... na min... nha ca... ca... ca... sa...Fa... faço sua ta... ta... ta... refa quan... do vo... você não tiver von... tade.&lt;br /&gt;Douglas tinha trabalhado duro em casa, tinha ensaiado e ensaiado, mesmo assim acabou gaguejando. Luciana observou aquele moleque canhestro, olho direito desnivelado, se inchando em espinhas, cabelos emplastrados na testa curta e pipocada, óculos grossos amarrados numa cordinha escura. Repuxando a perna direita, ergueu a bunda e soltou um peido. Ele trazia na bolsa um colarzinho, um colar de contas feito pela mãe e fendido na imagem da Virgem Maria, o embrulho caseiro havia rasgado aqui e ali de apertar à noite, imaginando o que diria a ela, a ela que como ele era jogada de lado pelos outros, pouca gente gostava dela, mesmo tanto que dele, pouca gente gostando dos dois, pouca gente pra dois gostarem, ela gostaria dele. Mas ela se levantou carregando o cheiro acre das roupas e a bolsa de escola esgarçada. Não disse nada. Se levantou e foi.&lt;br /&gt;A sala estava aberta. Luciana se sentou remexendo dentro da bolsa atrás dum livro, Xisto no Espaço. Apertava a cabeça, não conseguia se concentrar e apertava mais. O idiota tinha acreditado que ela gostava dele só porque falava com ele. Falaria com qualquer um e nem por isto tinha de gostar de alguém. Teria amizades com qualquer um sem nem se preocupar se um dia sumisse.&lt;br /&gt;- Não foi legal o que vocês com o Douglas, Lu. Ele tá lá embaixo chorando – disse Sharmila, apoiando as mãos espalmadas no tampo da carteira. &lt;br /&gt;De olhos manhosos e tumefeitos embaixo duma seringueira, Douglas arrebentava em puxões secos e compassados as contas do colar. Ouvia as outras crianças gritarem, as sentia perto dando risadas do maricas que chorava na sombra duma árvore como se alguém houvesse roubado o seu lanche. Ao lado da raiz ajuntou as pelotinhas e com as mãos macias pendidas dos bracinhos glabros começou a cavoucar. Cavoucou e cavoucou até sentir dor. Ergueu as mãos, ficou vendo as manchas ensopadas e vermelhas debaixo das unhas. Ardiam. Mas não chorava mais. Empurrou as bolinhas pro buraco e jogou terra.&lt;br /&gt;- A culpa é dele – respondeu acompanhando as letras na página aberta.&lt;br /&gt;- Dele nada. É sua. Ele só fez uma pergunta, você não precisava ser grossa como foi, sua...&lt;br /&gt;- Sua o quê? Hem? – pulou da carteira e encostou o livro na cara de Sharmila. – Diz, vai, diz que eu enfio o livro no aparelho. Nem o dentista vai tirar.&lt;br /&gt;Havia amigos escrotos se unindo pelo deslocamento e a solidão, isto irritava Luciana.  Dois meses ainda de aula, mas ela não conversou mais. Continuava na mesma carteira, esparramando o caderno e os livros, o estojo em cima. Durante os recreios ia ao fundo do colégio, arrancava os matinhos em volta das rosas. Estava puxando umas folhinhas verdes e moles quando dona Clotilde, a mulher do guardinha, apareceu.&lt;br /&gt;- Oi menina. O que tá fazendo aí?&lt;br /&gt;- Nada. Tô no recreio.&lt;br /&gt;- Eu sei que tá no recreio, ouvi o sinal. Mas porque tá sozinha enquanto as crianças tão correndo no pátio, brincando de um monte de coisas?&lt;br /&gt;- Não gosto de crianças. São chatas e interesseiras!&lt;br /&gt;- Você tá fazendo errado – disse a velha de olhos amassados nas papadas e cheirando à gordura. Desceu os degraus ao jardim. “Como gordo é feio!”, pensou Luciana sem notar. - Você tem que tirar tudo, desde a raiz, não pode deixar nada senão o mato cresce de novo.  “Como gordo é esquisito!”&lt;br /&gt;A menina tentou puxar um. Tinha que colocar mais força, o barulho era mais legal e a terra estourava.  Até o fim das aulas voltou ali em todos os intervalos. Dona Clotilde era gorda e feia, mas poucas vezes olhava pra ela ou estendia a conversa além de “oi” e “tchau”.&lt;br /&gt;João deixava o filho na escola todas as manhãs.  Anderson era magro, tinha os cabelos loiros e cacheados em volta do rosto oblongo, sua mandíbula saltava, dedos dos pés esparramados, as pernas tortas abertas nos joelhos. Ficava cutucando o nariz, fazia bolinhas observando os colegas soltos nas corridas pelo pátio. Um ano mais novo que Luciana. Ela também não brincava. Tinha começado a sumir nos recreios e Anderson a procurava entre as outras crianças, ficava feliz de ela não estar lá, os dois colegas que havia tido parados nas escadas como antes, mas mais pertos agora, Douglas segurando discretamente a mão sem jeito de Sharmila. Não estava com eles e Anderson ficava contente, mas se encasquetava com aquilo. &lt;br /&gt;Marcos tinha os dedos quietos e dormentes, pouco se dava entre os cachos que caíam nos seus pés ou que enroscavam na cadeira. Ele via a instrutora passando os pentes nuns cabelos desgrenhados, alguém que não tinha um puto e cortava de graça, e pensava como era nojento tocar aquela cabeça. Seu pai pagava a mensalidade na escola de espelhos manchados, presos em balcões de lâminas de compensado marrom. Dezoito anos, faltavam menos de 15 dias pra terminar o curso; ele sabia que ainda ia destruir alguns até conseguir cortar de forma decente.&lt;br /&gt;João está deitado com a cabeça encoberta, nu, enquanto o banho se evapora. Faz muito calor e ele se seca assim no verão. Pensa em Marcos e como aquele coitado se fodeu, dá dó, mas pode fazer pouco por ele, se fodeu e se fode e gosta. Há um programa e quase nada pra falar. “Um bando de idiotas!” Os funcionários se vestem em confortáveis camisas de algodão, andam em espaçosos carros, câmeras novas, e trazem a ele as mesmas surradas notícias sem importância alguma. Alonga o braço à cabeceira e agarra o copo de uísque aguado pelo gelo. Tira a toalha da cabeça e dá uma tragada seca e direta estalando os beiços finos sempre rachados. João tem pouco tempo, algumas horas só, falta assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7393318720966515679?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7393318720966515679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7393318720966515679&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7393318720966515679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7393318720966515679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/08/notas-sem-importancia-sobre-o-amor.html' title='Notas menores sobre amor - I'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2180508567548073024</id><published>2010-07-09T19:53:00.043-03:00</published><updated>2011-12-23T16:24:14.908-02:00</updated><title type='text'>Crianças e barbas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A casa de pintura clara e encardida fica numa rua que se espreguiça na avenida principal do bairro principal, não por ser necessário, mas por haver chegado antes da cidade. Ele senta no sofá vermelho de braços esgarçados e espuma aparecendo, se perguntando o que fez -como se fosse necessária uma explicação ou empurrão nos miolos de pessoas que como ele se sentam vazias e querem saber em que parte se perderam, ficaram sem entender. Ganidos de um cãozinho pulguento empurram a calma e a preguiça triste da segunda. O sol raspa nos tetos e deixa a sala sensabor, fria, às cinco e meia da tarde. Vai à geladeira e tira a tampa da Ypioca. Coloca o restinho num copo marrom de borda quebrada. Correria de criança esbarra no portão velho e enferruja os seus ouvidos. Ela o olha e se arremessa no colo; ele encara o portão torto parado meio que aberto meio que fechado. “Nem pra isso tenho coragem.”&lt;br /&gt;- E aí, que aprendeu hoje?&lt;br /&gt;- Pintá e desenhá.&lt;br /&gt;- Vai lá, tira a bolsa e mostra pra mamãe o que cê fez.&lt;br /&gt;Ela dá um beijo e saltita pro fundo obliqua e sorrateira, o cachorro todo dia a derruba ou morde se pisa no rabo dele. No fundo a imensidão de tijolos sem reboco mostra que aquilo pode ser uma parede, uma parede recortada em tesoura por crianças iguais a ela. Mas até pra ela aquilo não está tão bem. Só que explicar bem ou não é difícil tanto pra ela de seis anos quanto pra bisavó de 90 enfiada o dia todo no sofá de courvin trincado. Pedaços de casas e vitrôs tortos, vidros faltando, patente destampada, pisos rachados, sinteco no galão. Quando terminarem vai ser a sua casa.&lt;br /&gt;“Sete anos”, ele pensa voltando o portão no batente. “Sete anos, a mãe tem razão. Depois que casei vida e esperança deu ânsia. A mãe tá certa, só que não resolve porra nenhuma a certeza dela. Nem a fé dela resolveu.”&lt;br /&gt;Na varanda, eled bebe as sobras e passa o nariz pelo copo.&amp;nbsp; Ele cheirava os caminhões, conhecia o fedor de cada um quando ia com o pai à firma nas tardes de sábado. O pai fedia mais que os peixes, bem mais. Viajava a semana inteira. No sábado lhe grudava nos bolsos menos de saudade que pra ver os caminhões sendo carregados. Sumia debaixo do chassi e encontrava toco e roda estragada de carrinho de mão e feito, tinha o volante e o câmbio.&lt;br /&gt;A mãe já lhe tirou a roupa da escola e está de novo no tanque. Torce. A cabeça vê com olhos sorridentes as poucas nuvens. “Ainda bem!”&lt;br /&gt;Ele grita da sala&lt;br /&gt;- Tô indo no bar.&lt;br /&gt;- Fazer o que lá? Cê voltou não tá nem com uma hora.&lt;br /&gt;- Tem hora pra tomar uma? A cachaça acabou.&lt;br /&gt;- O bife também – cicia a língua gasta nos dentes. &lt;br /&gt;- Vem cá nenê, dá um beijo no pai – berra.&lt;br /&gt;A menina sai pulando, corta a cozinha da avó, não dela mas mora ali, o encontra no quarto pondo a carteira no bolso. “Pra quê? Bom, é o costume”.&lt;br /&gt;- O que cê quer que eu trago?&lt;br /&gt;- Hum, um gualaná.&lt;br /&gt;- Um gualaná?! Dá um beijo gostoso.&lt;br /&gt;Ele se abaixa e salivinhas dela refrescam a falta de barba.&lt;br /&gt;- Deixa eu ligar praquele corno do seu tio.&lt;br /&gt;- O tio boiola?&lt;br /&gt;- É. O tio boiolão.&lt;br /&gt;Noventa... desliga.&lt;br /&gt;Pouco depois seu telefone toca. &lt;br /&gt;- Fala touro!&lt;br /&gt;O tio responde do outro lado alguma coisa que a menina de ouvido grudado no rosto do pai não escuta.&lt;br /&gt;- Peraí – dá o celular na mão dela. – Fala com o tio boiola.&lt;br /&gt;- Oi, tio boiola!&lt;br /&gt;Agora ela ouve a suave admoestação. Ela ri pro pai &amp;nbsp;arqueado no colchonete ao lado da cama fuçando na cômoda atrás de meias.&lt;br /&gt;- Tó, fala com xeu irmão.&lt;br /&gt;- E aí gayzinho, quer perder no esnuque?&lt;br /&gt;Ela nunca viu um gayzinho ou um boiola, mas o tio fica bravo, e ela vê ele; o pai chama e manda ela chamar também. É legal quando o tio fica bravo. Ele diz que vai bater nela, nunca bate, só morde a bochecha e aperta e aperta e ela gosta que o tio aperta, e sai baba da boca dele, a barba dura e ardida no rosto, e ela começa a arrumar desculpa da outra tia e da outra avó “Tô com faita de ar!” Daí o tio solta e ela corre, gira no sofá da outra avó e chama o tio de boiola de novo e daí corre pro colo do pai senão o tio judia. &lt;br /&gt;- O pai vai, mas já volta com teu gualaná.&lt;br /&gt;- Tá, pai.&lt;br /&gt;Ela deixa as roupas marcadas no varal cheio de pontinhas de ferro e se arrasta ao portão grande todo dia trancado.&lt;br /&gt;- Cê vai mesmo?&lt;br /&gt;- Fui!&lt;br /&gt;Entra no banheiro, se estica na patente, o pé esquerdo trava a porta. Caganeira! “Caganeira com um mundaréu de roupas desse!”&lt;br /&gt;O carro está lá fora. Abre a carteira: R$ 110. É o que tem. Não espera gastar mais que isto até daqui a 20 dias. Economiza pra fazer alguma coisa que... “Meio fora de propósito ir a um bar rançoso daquele!” Mas assente e se arruma torcendo a boca triste pro livro aberto no meio dum parágrafo, um livro que tem mostrado histórias melhores que as suas. Ele tem R$ 110 e o irmão não tem nada, vai chegar em casa com bem menos notas. “Mas quando era moleque me levava a vários lugares que hoje, ainda bem, estão fechados e ele se casou, ainda bem. Não consigo pagar as escapas que sei lá se queria e tento fazer sumir algumas contas quando me liga.” Risca toda vez que ele volta da estrada e as folhas brotam no final. “Algum dia vou dizer ‘Ufa, enfim pago!'?”&lt;br /&gt;Perto das seis e as paredes de oficinas e bazares sendo ficam meio amarronzadas nas lâmpadas amarelas dos superpostes que começam a ser acesas na avenida principal dum bairro que nunca foi principal de verdade. O bar fica a menos de 400 metros de casa e é sujo e fedido. O banheiro pequeno com a patente inclinada, o chuveiro esguicha metade nela. A mesa de esnuque descai pela pressão da bacia magra e ossuda do botequeiro. Há cobertas atrás dos engradados pra quando ele trava as portas depois do passeio na Barra Circular azul perto da meia noite. “Como dorme ali?!” Ele não dorme melhor. Um colchão da mãe de sua mulher que se deita num sofá-cama ao lado da cama da mãe doente e imprestável. “Como dorme ali?!”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Dá uma cachaça.&lt;br /&gt;“Vai pendurar de novo e vai ficar difícil pra me pagar, só que tá aqui direto e quebrado, é uma boa pessoa, falta cabeça pr’esse abençoado.”&lt;br /&gt;Dois caras observavam desde o umbral. Retesados. O boné amarelo de um diz que o Beto algum dia foi legal em 96. O segundo, estrábico; dedinhos finos e abertos; cotovelos dormindo no balcão. Chamam &amp;nbsp;pro esnuque.&lt;br /&gt;- Espera um pouco, o corno do meu irmão tá subindo.&lt;br /&gt;Os ouvidos do botequeiro cospem uma risada alta e complacente.  Nas vezes em que o irmão está o que eles tomam não fica pendurado. Tem os bolsos cheios, esse abençoado. Não anota nada. O irmão nunca aparece sem ele, nunca foi sozinho. Bebe razoavelmente e acerta na hora. “Bom se viesse mais vez.”&lt;br /&gt;Na caixa com celulares faltando bateria, bonecas esquartejadas, pés de sapato e estojos sem maquiagem ela procura algo que o primo goste; assim &amp;nbsp;empresta também enquanto fica com a motoquinha dele. &lt;br /&gt;Ela se recosta no batente vendo filha revirar quinquilharias sujas, sabe do que anda atrás. Tem dado muito atenção a tantas coisas. Ele respira entre gestos convulsivos de desespero, rabisca planos e desejos nas folhas mastigadas de papel de pão.  Ela o encara benzendo com dentes compreensivos e amáveis, retorce o cérebro pra acreditar, agora fala sério. Junto dela um homem de meia idade e inocente igual a uma criança ou algum idiota. “Ele mente e eu ajudo ele mentir, se falar a verdade se mata ou vira vagabundo assumido.”&lt;br /&gt;- E aí, touro!&lt;br /&gt;Aperta a mão do irmão, que está conferindo se os vidros sobem. Ele joga esnuque, gosta, mas é ridículo. Marca com giz, se amontoa em cima do braço direito, afia a mira e erra. Vale uma cerveja na nega.  Uma cerveja, R$ 3,50. “Tudo bem, posso perder algumas.”&lt;br /&gt;O irmão empurra o nariz pra ele, seca o copo e pede mais uma. Copo americano, não de dose. Seu braço direito solta uma cacetada. Derruba uma no corte e ajeita o bolão pra outra colada na tabela.&lt;br /&gt;- Aprendeu como mata, tourinho?&lt;br /&gt;- Estou tentando. Mas acho que hoje é meu dia de amar.&lt;br /&gt;- Me dá a bunda então.&lt;br /&gt;Riem. Os dois mais os dois contra. “Veja bem do que estou achando graça!” &lt;br /&gt;As horas morrem no relógio em cima da porta do banheiro escorada na corrente. Poucos ali agora: uns bêbados sem, outros com mulheres. “Uns não vão pra casa porque ninguém os espera, outros não vão porque queriam que ninguém os esperasse?” Ele ri, engraçado pra quem está a meio caminho de tudo isto.&lt;br /&gt;- Quando vai viajar?&lt;br /&gt;- Não sei, não tô com vontade.&lt;br /&gt;Todos os dias cedo ele acorda sem vontade e vai a um trabalho sem vontade. Fica até as cinco sem vontade. Agora o escuta latir vontade como se não houvesse nada mais importante que vontade!&lt;br /&gt;- Gosto de viajar.&lt;br /&gt;- Gosta porque cê não faz tua vida disso. Mas concordo, viajar não é tão ruim quanto chegar.&lt;br /&gt;Abrem mais uma cerveja e manda o carinha atrás do balcão somar enquanto emija. Da patente um cheiro amoníaco sobe, a cordinha remendada com um fio de iluminação. Ele puxa segurando o mais alto que pode, lava as mãos naquela torneira! E o irmão disse faz tempo que o botequeiro dorme no bar, toma banho na água do chuveiro que espirra metade na pia e um bom tanto na patente.&lt;br /&gt;- Quanto deu?&lt;br /&gt;- Dezoito e vinte, abençoado.&lt;br /&gt;“Mesmo a três quadras e meia de casa vai querer que o leve.” &lt;br /&gt;- To indo, só vou pegar o guaraná da nenê e uma Ypioca.&lt;br /&gt;“Não tem dinheiro e bebe, compra guaraná. Não tem dinheiro, mas dinheiro não o impede, apesar de usar a esperança de que vai ter um dia pra fazer os outros acreditarem que vai pagar.”&lt;br /&gt;Ele desliga o carro.&lt;br /&gt;- Vocês vão em casa amanhã?&lt;br /&gt;- Não sei. A mãe veio aqui e falou um monte de merda. Disse que só bebo e não entendo que tenho um caminhão com prestação atrasada, porque o dinheiro do pai acabou, e uma filha pra criar. Ela acha que eu quero estar &amp;nbsp;nessa bosta!&lt;br /&gt;“Quase nada tem feito pra sair.” Ele trabalha como assessor de comunicação numa entidade de classe importante, que ficou mais importante depois que começou a trabalhar lá, “quatro anos, três meses e 21 dias atrás, grande feito!”&lt;br /&gt;- Está certa. O pai está louco, cheio de contas e não há de onde tirar.&lt;br /&gt;- E eu? Eu também tô louco. Tô sofrendo!&lt;br /&gt;- Sente prazer nisto. Fica pisando a sua desgraça.&lt;br /&gt;- Eu raspei a barba porque nem homem sou mais. &lt;br /&gt;- Os seus inimigos o acalmam.&lt;br /&gt;Rosto emburrado, ele apoia a mão no teto do carro. Seus olhos pisam a esquina verde -as cores mentem- em que desce um filho da puta. Amigos quando eram pequenos e ele morava na casa de tábuas na rua de terra e carregava o outro irmão nas costas pra escola, pra casa, pros pomares dos outros. Desgraçado dono de três caminhões, “um Fuscão, um Cargo e um 1622, tudo 2000 e tralalá.” Pra ele, um 2013 ano 75 que não paga.&lt;br /&gt;Descola do bolso de trás a carteira, uma nota de R$ 50 e duas de R$ 20. Pega uma.&lt;br /&gt;- Tome.&lt;br /&gt;Antes de sair de casa a mãe avisou que o irmão estava duro, sem grana nem pra mistura. Ele faz a sua parte, salva uns cinco maços de Hollywood. &lt;br /&gt;- Brigado. Parei de fumar. Tchau, boi.&lt;br /&gt;Agiu como cabia, tentou ajudar e ele não quis. Sem culpa de nada. Só que a pena cresce e cresce nas mordidas secas e compassadas do maxilar. Carrega uma angustia capaz de escrever um romance de 500 páginas. A semana inteira vai pensar nisso remexendo os cabelos e os fiapos de barba. Já se observa caído em livros, atrás de histórias com mais histórias que aquela. Ou aquela é a história que sempre quis e poucas vezes deu de cara. “Vou tocá-la e vou sofrer de sensibilidade; preciso dessa tristeza para me encontrar.” Sente a solidão deitada igual se deita uma criança medrosa se borrando toda. Tristeza inocente, bela e maldosa. Como toda criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2180508567548073024?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2180508567548073024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2180508567548073024&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2180508567548073024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2180508567548073024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/07/criancas-e-barbas.html' title='Crianças e barbas'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2169079318715539789</id><published>2010-06-13T23:27:00.007-03:00</published><updated>2011-12-23T14:41:53.759-02:00</updated><title type='text'>Ela e ela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os carros deslizam e os barulhinhos de pedras soltas morrem nos meio-fios mosqueados de asfalto. Faz pouco tempo que refizeram a rua em frente. E as pedrinhas, até elas fogem daqui. Ouço crianças, cacetadas ecoando no portão e um menino grita gol, provavelmente meu sobrinho. Ele bem que serviria para ser o chefe da turma. Dois moleques um em cima do outro não chegam a sua cabeça. Meu sobrinho é tímido e canhestro como eu fui. É um dia que morre triste. Do meu lado ela me afaga o rosto, minha barba e não fala nada. De vez em quando se vira para mim e para. Não olha com medo de pegá-la. Sabe que nestas horas detesto alguém me encarando. Será que ela sente a imensa solidão que coleia nos meus rins? Será que alguém pode algum dia ser feliz olhando da varanda o dia morrendo numa imagem cinza sem neblina, mas cinza e sorumbático como o dia em que ela me fez perder aula por causa da imensa tristeza impotente de conquistá-la? Estamos juntos e estou parado. Meu pai se sujou a manhã inteira e parte da tarde. A casa fedia à água podre. Ele ficou a manhã inteira e parte da tarde e amanhã tem de chamar um encanador para fazer o serviço. Agora assiste ao jogo e diz “tudo bem, não consegui.” Faz tempo que estamos juntos, só que pouca coisa adiantou todos estes anos.&lt;br /&gt;Quando o ar para e deixa esta massa cinzenta que tremeluz faróis o dia fica mais pesado e seco sobre as costas. Um dia pesa assim e fico meio que bobo e ingênuo, dizendo coisas absurdas e falando palavras doces quando a única coisa que queria era gritar e urrar e correr e deitar nalgum canto. Mas ela está aqui e veio exclusivamente para mim. Não tenho o direito de lavá-la na mesma água suja em que estou afundando. Palavras entrecortadas, sumidas, zunzuns ciciando nesta falta de vento, autoanulação inconsciente que escorre devagar pelas ruas, sobe as calçadas e invade as camas, uma enchente mesmo, e olha que aqui há 40 nascentes, mas nenhuma que se possa dizer rio, nenhuma que algum dia vai encher e apodrecer as doces lembranças de paredes empoeiradas.&lt;br /&gt;Duas senhoras sobem e uma menina duns 15 anos, gostosinha, as acompanha malemolente. Estão com os cabelos úmidos grudados nas faces redondas, a menina deve soltar um cheiro doce quando anda, ela vai se desvencilhar delas na primeira chance e daí em diante cada qual em seu caminho e ela vai procurar as alegrias de noite cinzentas como este dia que morre e esta noite que chega, mas quem sabe nunca vai perceber toda a desolação porque estará ocupada com outras coisas, como a cor da calcinha que o cara cheio de espinhas na cara gosta. As pessoas se ajeitam aos domingos para morrerem com aparências suportáveis.&lt;br /&gt;Domingo, para mim o domingo pode ser considerado o dia mais pardacento da semana como para a maioria das pessoas, isto é clichê já. Todo mundo gosta menos de domingo, mas para mim é o dia que eu detesto mais. Não porque ache importante viver cinco ou seis dias enfiando meu cérebro no teclado de computador criando frases de efeito e ainda esperando que esteja a idoneidade num material jornalispublicitário que os jornais, digo aqueles veículos que merecem respeito pelos longos anos de serviços prestados e blábláblá, publicam sem nem arquear as sobrancelhas ou soltar um pigarro como faço a qualquer pergunta que não queira responder porque a resposta não diz nada a ninguém. Mas como ia dizendo nos dias de semana a imbecialidade duma rotina me faz trabalhar ansiosamente pelo domingo e, quando ele chega, sou obrigado a dizer: “só isto?”. Um frio rude dança nas minhas orelhas e elas se encarnam e crescem e aliso a barba calmamente esperando a segunda começar. Assim espero de novo o domingo com aquele desejo estúpido e tosco que tenho tido nos últimos doze anos pelo menos, desde quando a beijei e daí em diante tudo seria diferente, e a minha casa foi pintada durante este tempo várias vezes, mas sempre da mesma cor.&lt;br /&gt;A menina já está andando mais rápido que elas. A blusa de uma das velhas reverbera a luz opaca do poste em frente da minha casa, a outra está com uma bata verde cor de abacate, minha namorada diz. Estão apressando o passo e gritam para a menina que apenas balança mais a bunda grande e redonda. Se desconfiassem do desejo me chamariam de estuprador. Estuprador não. Pedófilo. Mas daí tudo o que eu pensei e aconteceu iria à merda junto com a mão do meu pai no buraco que ele abriu sem resolver porra nenhuma a manhã inteira e parte da tarde. Pouco borrariam as calças pelas coisas que ela fez e está fazendo ainda agora quando uma Ranger dum vizinho que detesto desce estocando meu cérebro com batidas desritmadas. &lt;i&gt;Ela&lt;/i&gt; pede, pede algo que eu não posso, ela está do meu lado, mas mesmo se pudesse &lt;i&gt;ela &lt;/i&gt;não pediria a mim, há gentes e gentes mais interessantes e meu Uno vermelho todo rabiscado já dorme com o motor frio ao fundo.&lt;br /&gt;A poeira cinza espessa vai sumindo, um rosto negro se estica lá nas construções altas, vai se esticando voluptuoso e meu coração aperta. Não quero que a nuvem cinza morra porque daí tenho de entrar e tomar banho, assistir à TV e fazer todas as coisas que todo mundo faz. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2169079318715539789?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2169079318715539789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2169079318715539789&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2169079318715539789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2169079318715539789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/06/ela-e-ela.html' title='Ela e ela'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2245667637207195790</id><published>2010-05-20T22:35:00.002-03:00</published><updated>2010-05-20T22:40:16.914-03:00</updated><title type='text'>A Salvação - Última parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentaram no sofá duro e rangente. Elisa encarava alguns quadros pendidos de pregos caiados. O Sol amornava-se ao vazar a cortina da sala curta e trôpega. Figuras desconhecidas, quase todas mortas. Normais e tristes. Avó, avô, tio, tia e mãe, uma família 31 anos atrás. Trinta e um anos atrás uma família, um quadro torto que não fazia diferença a ninguém agora. A panela e a tampa caída, o irmão sempre fora desleixado. &lt;br /&gt;- O Novo Tempo que você anunciava talvez tenha chegado. &lt;br /&gt;- Tanto faz.&lt;br /&gt;- Por que tanto faz? &lt;br /&gt;- Não assim. &lt;br /&gt;Marcos ficou de pé, Elisa tinha os braços mortos no sofá, as mãos espalmadas pra cima. Pequena a casa, mas medrava sorumbaticamente aos dois, um grito alto e fundo vindo do quarto mudo com cama de casal, vidraças pra rua. &lt;br /&gt;- Até ontem era o Filho de Deus e hoje diz que não é assim! &lt;br /&gt;Ele andou à janela. Crianças apedrejavam um gato de patinhas amarradas numa cerca. Assestavam tijolos na barriga, no peito, menos na cabeça. &lt;br /&gt;- A maldade se torna bela em seus risos. &lt;br /&gt;- Quem? – perguntou Elisa. &lt;br /&gt;- As crianças. O gatinho berra e elas riem cheias de satisfação. Se pudessem amarrariam um amiguinho, mas a mãe não ia deixar.&lt;br /&gt;- Que tão fazendo? &lt;br /&gt;- Matando um gato. &lt;br /&gt;Rastejou pro lado de Marcos, se encarnando. &lt;br /&gt;- Assassinos! Vou chamar a polícia. Assassinos!&lt;br /&gt;- Cala a boca. Deixa elas brincarem. &lt;br /&gt;Esbugalhou os lábios ao irmão, apertando-lhe o pescoço. &lt;br /&gt;- Tão matando o gatinho! Tão matando o gatinho!&lt;br /&gt;Sem enrugar a testa Marcos cingiu-lhe os pulsos até que os dedos dela pularam. Elisa bufava.  &lt;br /&gt;- Não era para ser assim – disse Marcos jogando o tórax pra fora da janela.&lt;br /&gt;- Você contava que tudo ia dar certo. &lt;br /&gt;- Disse que mamãe estaria comigo. Eu a salvaria. &lt;br /&gt;Folhetos de ofertas dum supermercado rolavam tranquilos ao bueiro, os raios de sol irisando as cores. O gatinho estava amarrado, mas as crianças haviam ido. Duas velhas observavam-no fincadas nos portões. Meninas de 15 anos esvoaçavam as pernas sobraçando as dobras do vestido que cada dia subiam mais. &lt;br /&gt;- Era pra Deus salvá-la. &lt;br /&gt;- Mas foi. O médico disse que foi milagre ela não ter morrido depois de tanto tempo sem ajuda. &lt;br /&gt;- O médico a salvou. Médicos não fazem milagre, fazem medicina. &lt;br /&gt;Três anos mais velho. Quem podia dizer!? O rosto glabro, as orelhas finas e as mãos sem virilidade. Uma criança. Ou uma menina de bolas. &lt;br /&gt;- A Salvação pode ser a nova vida que chega a nós, que chega a ela. Temos uma nova chance, novo recomeço. A Salvação pode estar no recomeço. &lt;br /&gt;- Recomeço, recomeço. Tudo recomeça e recomeça! Já deu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2245667637207195790?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2245667637207195790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2245667637207195790&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2245667637207195790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2245667637207195790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/05/salvacao-ultima-parte.html' title='A Salvação - Última parte'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3184053526308807945</id><published>2010-05-15T19:14:00.013-03:00</published><updated>2010-05-15T19:27:07.356-03:00</updated><title type='text'>A Salvação- Parte IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os pássaros se cobriam nas folhas murchas das árvores, o céu se ajuntando e caindo pesado, a mãe esfregava a barriga. Elisa apanhou o frasco no armário. Três. Não. Melhor cinco. Pra acabar mais rápido. Esticou a mão pra porta desnivelada. Marcos tomava banho fleumaticamente.  Elisa corria, Marcos dançava, a mãe morria. &lt;br /&gt; - Sai logo daí. A mamãe tá muito mal. &lt;br /&gt;- Eu sei que antes Vós vireis. Vossa promessa é a maior de todas, Vossa voz ressoa em mim e me faz vibrar dos pés à cabeça. “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escrito o nome de seu Pai.” Marcastes em minha testa Vosso sinal como o Salvador dos tempos, das almas. Estou preparado. “E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre.” Estou preparado.&lt;br /&gt;- Seu irmão continua no banheiro? &lt;br /&gt;- Ainda tá tomando banho, mamãe. &lt;br /&gt;- Se ficar lá por muito tempo não vai me ver. &lt;br /&gt; - Para de bobagem. &lt;br /&gt;A mãe coçou de novo a barriga vermelha e dura. Acabando-se ali, na pobreza podre duma cidade pequena em que poucos tinham sorte! A mãe não tivera. Fora esquecida por alguém. Alguém deixou a ela as coisas ruins. Seus filhos cresceram como todas as crianças crescem. Crescem e engolem o choro.  Daqui algumas horinhas ia começar a vida de Elisa e Marcos, a mãe sabia. Não mais estragariam o tempo velando uma velha, uma velha com menos de 50 mas velha porque doente. Ele podia muito bem se livrar da paranoia de Novo-Cristo, ela ia achar um marido e encher a cidade com  imundiciazinhas de narizes ranhosos. “Marcos e Elisa! Se vim aqui pra isto, melhor que não tivesse!”  &lt;br /&gt;- Aproveita seus dias. &lt;br /&gt;- Eu aproveito. &lt;br /&gt;- Não. Fica aqui o tempo todo cuidando de mim. Os anos passam. Logo, logo, a idade vai chegar. Você tem que sair, encontrar pessoas. &lt;br /&gt;- Quem diz que quem sai e conversa aproveita o dia?&lt;br /&gt;As poucas vezes que Elisa fora às noites estéreis e nevoentas de Arapongas encontrou gente que só ria e ria. E aqueles risos, pensava, se tornavam mais toscos cada vez que riam outros risos. Risos rindo risos imbecis. Junto com o irmão, em casa, Elisa ria de verdade; de verdade porque quase sempre estava deplorando alguma coisa. Ria de verdade. Risos quando Marcos não cavoucava loucuras proféticas que a perturbavam atraindo. Sentia medo do inferno, mas o irmão era seu Salvador.&lt;br /&gt;- Uma pessoa pode salvar a outra? &lt;br /&gt;- Todo mundo vai se afogar. Uns antes, outros depois.&lt;br /&gt;- Mas papai não salvou a senhora enquanto esteve? &lt;br /&gt;- Ele tentou foi se salvar, mas duvido. Acho que também tá se afogando. &lt;br /&gt;- Por quê? &lt;br /&gt;- Porque a gente vai junto. &lt;br /&gt;Elisa olhou os olhos afásicos daqueles ossos furando a malha enrugada da camiseta. O edredon escorregava dos pés, cochilando no chão. O frio da febre queimando os ossinhos atilados. Vazia, vazia como uma sacola rasgada.  &lt;br /&gt;- A senhora o amava muito! &lt;br /&gt;- Não é questão de amor. Eu perdi, ele ganhou. Perder é ruim, sempre foi. &lt;br /&gt;- Quase sempre a gente perde. &lt;br /&gt;- Mas de quem tá do nosso lado a gente pode ganhar. &lt;br /&gt;- Estais chegando, estais chegando. Vós chegais de mansinho e acalmais minha alma que clamou ansiosamente. Estais vindo para redimir a humanidade. Pode minha cabeça ser arrancada e ainda assim verei a graça que Vós fareis hoje, reformareis o Mundo. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”&lt;br /&gt;Trancado no banheiro, Marcos rezava com as mãos enlaçando a patente. Riscos tremeluzindo na água clara e fedida mesmo assim.  A oração do tempo, a oração que anunciava o fim do tempo, a oração do início da atemporalidade, a atemporalidade alva e fofa que ele tinha tocado todas as noites em sonhos suaves como os cabelos de Elisa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3184053526308807945?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3184053526308807945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3184053526308807945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3184053526308807945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3184053526308807945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/05/salvacao-parte-iv.html' title='A Salvação- Parte IV'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7916398988345269242</id><published>2010-05-11T22:15:00.003-03:00</published><updated>2010-05-11T22:23:28.446-03:00</updated><title type='text'>A Salvação - Parte III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fotos, fotos velhas com beiradas carcomidas pelas traças do baú enfiado num canto do guarda-roupa escuro mofado. Elisa procurava, procurava fotos de quando conhecera a mãe. Lembrava-se dela se rastejando com um pano na mão direita sobre o azulejo branco descascado da cozinha, o fogão vermelho desbotado e o rádio chiando “Ave-Maria, cheia de graça...” Lembrava-se da mãe, mas com a cara de agora, fina, exangue e enviesada, expressão zombeteira de idiotas que apodrecem e se orgulham disto, as marcas de dias que pouco valeram, mas falam deles com a boca cheia de saliva e olhos faiscando. Estava ali, nova, bonita. Os cabelos finos estupidificados não existiam. Cachos grandes e aromáticos, a fotografia cheirando a molhado podre ainda espirrava as margaridas à direita daquela perfeita mulher. Não era a mãe. Era a foto duma morta. Pessoas vivas têm só uma cara, a de hoje. Elisa tinha uma mãe com cara vomitada. Gostava da foto e pensava que amaria mais a mãe assim que a imagem dela fosse pensamento, daria pra virar o que quisesse.  Marcos chegou devagar enquanto a irmã ficava ali, a perna esquerda cruzada, a direita dormindo em cima, respingando nas fotografias uma reminiscência amarronzada. Ele passou a mão em seus cabelos, Elisa virou empurrando o queixo pra cima. &lt;br /&gt;- Que tá fazendo? &lt;br /&gt;- Vendo a mamãe. Parecia uma modelo. Podia bem ter sido não fosse a pobre desgraçada que teve que se matar em tanques das casas de outros desgraçados. &lt;br /&gt;- Não me lembro dela quando quebrei o braço. Só do papai. Ele disse que eu começava a ser homem. &lt;br /&gt;- Quis te fazer sentir orgulho por ter quebrado o braço! Bem a dele mesmo. Sentir orgulho porque tava com o braço todo destruído e doendo! &lt;br /&gt;- Não mentiu. Engraçado, sempre que me lembro dalgum momento de dor aparece o papai. Mas quando penso em coisas doces, vem a mamãe. &lt;br /&gt;Fechou o baú e o jogou dentro do guarda-roupa, sentando na cama. Chamou o irmão. Elisa o abraçou respirando mais forte, o seio direito açoitando-lhe a omoplata. Marcos gostava dali. &lt;br /&gt;- Você não acha que tá chegando? &lt;br /&gt;- Tá, e você vai ver.  &lt;br /&gt;- Não tô dizendo das suas loucuras. – Encarava os traços tímidos dele através do espelho.  – Falo da mamãe. Ela tá indo. &lt;br /&gt;- Não antes de nós, a gente vai junto. &lt;br /&gt;Trouxe-o pra baixo, colou-lhe o canto da boca no peito dela. &lt;br /&gt;- A carne não te diz nada? &lt;br /&gt;- Diz. &lt;br /&gt;- Você imagina como deve ser lá? A gente vai continuar do mesmo jeito? &lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- E pra quem não tem braço, perna ou é feio. &lt;br /&gt;- Braço e perna todos vão ter de novo. Ninguém nasceu sem. Beleza é uma categoria tão baixa quanto qualquer outra inventada. &lt;br /&gt;- A gente vai continuar junto, perto um do outro? &lt;br /&gt;- Vou estar perto de todo mundo. &lt;br /&gt;- Não falo dos outros, falo de você e de mim. Dois irmãos. A gente vai continuar como aqui? &lt;br /&gt;- Sim. &lt;br /&gt;A menina estertorou um ronco fundo e passou os dedinhos finos e etereamente macios no nariz e na boca do irmão. Assoprou-lhe um beijo úmido na testa. &lt;br /&gt;- Morreria de ciúmes se te visse com outras lá, me deixando sozinha. &lt;br /&gt;- A morte vai acabar. &lt;br /&gt;- Me mataria. &lt;br /&gt;- A morte vai acabar. &lt;br /&gt;- Como vai ser o Paraíso se não puder nem me matar? &lt;br /&gt;- Você vai continuar como a minha melhor irmã. &lt;br /&gt;O quarto era quadrado e morno. Nunca abriam a janela. O cheiro de alecrim do almoço grudava na parede dividindo a cozinha. Gostava de escutar os barulhinhos na cama do canto oposto à porta, o sono da esburacada Arapongas, um buraco no céu da cidade que respirava pó,  excrementos subidos pelos concretos das fábricas. &lt;br /&gt;- Mamãe tá chamando. Vou lá. &lt;br /&gt;- Diz que já faço a janta pra ela. Como alguém come canja no verão!?&lt;br /&gt;- Foi o que sobrou do papai. &lt;br /&gt;Marcos entremostrou uns dentes beges e deu vinte passos até aparecer no limiar. &lt;br /&gt;- Que foi, mamãe? &lt;br /&gt;- Fecha a cortina. O dia tá muito claro e bonito. Tô ficando com raiva. &lt;br /&gt;- Que besteira! Por que desperdiçar!? Vamos lá pra fora. Eu ajudo a senhora. &lt;br /&gt;- Não, obrigado. A gente tem que aprender a encarar o que cabe. Este dia é seu, da sua irmã e de quem está passeando. &lt;br /&gt;- Quase sempre o dia aqui não presta. Cheio de poeira. Agora que a greve acabou com o pó a senhora vai ficar presa? &lt;br /&gt;- Gosto do pó. Com ele as pessoas morrem. &lt;br /&gt;O menino se achegou à mãe, beijando-lhe as mãos suadas, fedidas, as mãos de mãe. &lt;br /&gt;- Vou levar a senhora comigo. Não vai morrer. Vai viver. Pra sempre. &lt;br /&gt;- Falta um parafuso em você. Pra dizer a verdade acho que não tem nenhum. &lt;br /&gt;Ele cria em toda a baboseira e parte da culpa era dela. Quando o marido se foi, caiu na igreja e afundou Marcos no altar. Como alguém achava ser a Salvação do Mundo? Logo desse! Um Mundo desgraçado e completamente podre que até Deus o abandonara!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7916398988345269242?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7916398988345269242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7916398988345269242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7916398988345269242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7916398988345269242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/05/salvacao-parte-iii.html' title='A Salvação - Parte III'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5865542925886055286</id><published>2010-05-09T14:26:00.003-03:00</published><updated>2010-05-09T14:29:23.219-03:00</updated><title type='text'>A Salvação - Parte II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Marcos estava à cata dum trabalho havia cinco meses. Nos últimos dias o Sol intumescido do verão o fazia sair pra deitar-se embaixo d’alguma árvore no bosque fechado. Pulava o muro. O bosque ocupava um imenso e interminável quarteirão. Correntes enferrujadas e cadeado sem cor enlaçavam o portão torto e mole.  Era assim então na cidade em que ele podia masturbar pouca coisa? Nas lojas da Grande Avenida não entrava, olhares chispando nas portas o impediam, à noite homens de sorrisos calmos e sobrancelhas grossas e retas o empurravam, nas ruas as mulheres contorciam o pescoço. Viriam a ele, todos viriam. &lt;br /&gt;A mãe secava cada vez mais, mirrava. Encovados, os olhos dormiam numa cortina preta. Elisa rezava pensando nela, na mãe e em Marcos. Em Marcos pensava mais do que gostava. O irmão era, mas não o era o que dizia ser pra ela ou era o que falava que era. Ficar os dias ali com ele ficava mais difícil. Precisava confessar, confessar ao irmão e a ela. Cada vez mais difícil e alentador. Os lábios finos de Marcos, a mão translúcida e suave, os pés pequenos e leves, as unhas cortadas, os dentes baços refletindo as cores pálidas da casa. Era bom estar ali. Mas não era, era apenas estar. &lt;br /&gt;A cada gole de água de duas em duas horas a mãe enfiava na garganta três comprimidos. Enrugava a boca numa careta e cuspia a Elisa aquela expressão de “Fazer o quê?” que ela odiava. A mãe os amava cruamente. Nova ainda quando chegou Marcos. Depois, Elisa.  E, pouquinho depois, o marido ajuntou as roupas pra alguém lavar.  Tinha de amar os filhos, restaram eles. Sobras de libido grandes e lascivas rastejando pela casa, destroços da libido dela, a libido flanando de janela em janela, do fogão ao quarto, da sala ao banheiro. Podia muito bem odiar as duas escancaradas concupiscências idiotas. Podia sim, ela sabia o que fazer, estava morrendo. Odiar o quê? Pra quê?  Ficava os dias ensolarados escutando o trinar de esparsos pássaros nas copas. Haviam sumido quase todos, quase todos os passarinhos correram dali e ainda chamavam-na Cidade dos Pássaros. Só se tivesse nas chácaras deles. &lt;br /&gt;Elisa velava a mãe, esperava-a morrer, a mãe sabia. Perdia as horas vendo TV no quarto da mãe, na cama da mãe e imaginava quando aquela geringonça lhe desse as almofadas, a mãe sabia. A mãe sabia, mas como detestá-la? O conforto, a casa para os dois, dois jovens.  Quando quem expunge a vida morre nem é tão ruim. Elisa chorara, talvez remorso. “Não precisa sentir remorso, não. É hora de descontar, minha filha.”  &lt;br /&gt; - Que eu consiga quando acontecer. Que eu entenda as coisas que me ireis mostrar. Que eu saiba ver as pessoas que merecem. Duas já me mostrastes. Colocai as outras a mim. Que eu veja Vossos olhos, que os sinta. Que Vós estejais, que Vós estejais. Eu sempre soube que fostes Vós, eu sempre soube que era de Vós. Mas aqui meu cérebro está embotado, aqui meus olhos clamam por coisas estapafúrdias. Sei que estais vindo. Ainda bem! Faz tempo que fui separado de Vós e não há dor que me corrói mais o corpo. A distância de Vós me corrói. Espero-Vos. Espero-Vos. &lt;br /&gt;Marcos rearranjou o corpo apoiando-o na perna esquerda. Continuou em oração cada vez mais baixinha, mais baixinha, até o sono chegar pela espinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5865542925886055286?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5865542925886055286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5865542925886055286&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5865542925886055286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5865542925886055286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/05/salvacao-parte-ii.html' title='A Salvação - Parte II'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3795864869502300965</id><published>2010-05-08T15:11:00.002-03:00</published><updated>2010-05-08T15:24:00.587-03:00</updated><title type='text'>A Salvação - Parte I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era um simples café da manhã em que Marcos e Elisa conversavam sobre coisas complicadas.&lt;br /&gt;- Seus olhos vivos me dão medo. &lt;br /&gt;- Porque ainda você não conhece. &lt;br /&gt;Marcos tinha 22; Elisa, 19. A mãe se esvaziava numa febre de 39. Escorada em almofadas mofadas brancas, pendida à direita, amarfanhava as bordas da colcha. &lt;br /&gt;- Ela só piora, talvez a gente devesse carregar ela prum hospital. &lt;br /&gt;- Elisa, tudo que a gente precisa tá aqui. &lt;br /&gt;Marcos se levantou tirando as xícaras da mesa, a toalha respingada de farelos de pão. Elisa ajuntou as pontas e saiu ao quintal pra chacoalhar. &lt;br /&gt;- Você cria formigas. &lt;br /&gt;- A gente tem que levar ela prum hospital. &lt;br /&gt;- Você cria formigas. &lt;br /&gt;- Não está escutando o que tô dizendo? &lt;br /&gt;- Sim, claro, que você não quer admitir que cria formigas. &lt;br /&gt;A mãe enrolava-se num edredon quente como o inferno, os ramos vicejantes secavam, a mãe bruxuleava.  Marcos, escorado no batente, olhou pra dentro. Estava ela lá, ciciando palavras incompreensíveis. &lt;br /&gt;- Mamãe, tudo o que senhora precisa tá aqui. É errado ir procurar num hospital ou em qualquer outro canto. &lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Fala um pouquinho mais alto minha mãezinha. &lt;br /&gt;- Talvez não seja grande coisa, afinal.    &lt;br /&gt;- Eu tô aqui. E a senhora sempre vai tá comigo. Sempre. &lt;br /&gt;A menina esbarrou em Marcos e se recostou ao lado da mãe. Chorara, chorara muito. Mas os olhos estavam agora apenas inchados e coçando e ardendo. Agarrou-se aos cabelos negros e molhados e puxou-os com força, trouxe aquele semblante curvado aos seios redondos e brilhantes, o decote desceu e Marcos se virou a um passarinho que espreitava da janela.  &lt;br /&gt;- Você andou chorando, minha filha. &lt;br /&gt;- Não, mamãe. Meus olhos estão irritados, só isto. &lt;br /&gt;A mãe sorriu, fungou. O cheiro se soltando da filha dizia o quanto a sua doença a matava. Elisa não punha os pés nos clubes sabadescos havia meses, conversava apenas com ela, com o irmão ou com alguém que insolitamente se lembrava duma doente imprestável num catre torto e ensandecido dum quarto escuro e mormacento no canto esbodegado da cidade. &lt;br /&gt;Elisa tinha devaneios e pensava casar-se algum dia, depois que a mãe morresse, a mãe sabia. Casar pra ter alguém com quem conversar nos intervalos das novelas abafadas, mosquitos sarapintando as lâmpadas. Um representante duma fábrica de móveis lhe cairia bem. Estes vendedores tinham dinheiro e poucos anseios intelectivos, falariam de coisas doces, fáceis. Pernas grossas, o rosto levemente oblongo dava a Elisa uma compleição santificada; bunda grande, quadril fino e cantos encontrando a angulação numa boca redonda e saliente. &lt;br /&gt;- Você tem que sair, minha filha. Aproveitar a noite.&lt;br /&gt;- Nunca. A senhora deste jeito!? &lt;br /&gt;- Eu me arrumo. Você e seu irmão têm muito a viver. Dá uma olhada pra ele. Vê como tá abatido. &lt;br /&gt;- Tô muito bem, mamãe. &lt;br /&gt;Marcos sustinha uma curvatura irônica no sobrecenho. As bochechas rosadas e sem espinha. Pele lisa e leve como a da irmã. As órbitas azuis serenavam suas expressões, afeminavam-nas.  &lt;br /&gt;- Tô aqui pra dar a comunhão à senhora. &lt;br /&gt;- Que papo é este? Virou padre agora? Virou padre, meu filho, virou? &lt;br /&gt;- Não enche a mamãe com histórias doidas. &lt;br /&gt;- Ela precisa saber que os dias correm mais rápido.  &lt;br /&gt; Analgésicos. Analgésicos não prolongam existência, mas sofismam suavemente a dor. Dá prazer farfalhar uma ferida anestesiada; a dor está ali, brinca em cima dela, a prende, não a apaga. É bem melhor; o orgulho de tocá-la, intimidação. A dor lateja, viceja, mas amarrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3795864869502300965?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3795864869502300965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3795864869502300965&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3795864869502300965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3795864869502300965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/05/salvacao-parte-i.html' title='A Salvação - Parte I'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-818780062434879783</id><published>2010-04-17T18:08:00.002-03:00</published><updated>2010-04-17T18:17:47.038-03:00</updated><title type='text'>Sexo e literatura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele cavouca displicentemente ao redor duma margarida, e ela caminha. A cabeça dele faz o bosquejo oblongo da pista atrás da blusa branca e da calça negra coladas. Conversam de vez em quando. Ela simpática; ele, canhestro. Está chegando perto, mais perto, vai parar, ele se retrai. &lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- Virou jardineiro? &lt;br /&gt;Dois fios engraxados voejam em semicírculo no rosto transparente, morrem refestelando-se nuns lábios rosados, cheiinhos de marcas verticais paralelas que os deixam maiores e mais concupiscentes. &lt;br /&gt;- Não consigo ficar quieto. Preciso sempre me perder em alguma coisa. &lt;br /&gt;Não é feio. Apenas outro normal nesta imensidão de coisas horríveis e pouquíssimas perfeitas. Anda e é notado sempre por alguma garota. Tem namorada. Mas ela está no livro “5.000 mulheres que nunca vou comer”. Depois de cada conversa neutra que tem com ela volta pra casa e massacra os dedos no teclado do computador.  Literatura, grande invenção pra se vingar desta cor bege, fleumática, esta cor que carrega a repugnância da falta dum papo bacana e duma cara apresentável pra comer uma como ela de vez em quando! &lt;br /&gt;- Vou indo. Tenho que pegar meu irmão na escola. &lt;br /&gt;O irmão vai segurar aqueles dedinhos finos, aquela mão que deve ser bem macia mesmo magra, vai farfalhar seu braço no dela. Tem sorte esta peste de sete anos!  Ele vai pra casa beber um pouco, já que amanhã arranca mais um dente e fica outra semana seco. Vai arrumar a cadeira, abrir um novo documento de texto enquanto toma Ballantine´s com etiqueta Direccion General de Recaudacion no gargalo até derreter as hemorróidas.  Ela parou, conversou. Porque é educada.  Que outra explicação você daria? Nem teve como jogar seu pseudopoder intelectual enquanto ela esteve ali. Falar duns caras fodões tipo Kundera e lhe explicar a inocência em acreditar em Deus ou nos partidos políticos. São assuntos que interessam apenas a pessoas iguais a ele, homens e mulheres que precisam se contentar com eles mesmos. Ela está indo atrás daquele desgraçado de moleque, vai derreter um beijo suculento na sua bochecha. E o pivete filho da puta volta rindo pra casa sem nem pensar em bater uma. O irmão se deu bem. Ele queria suster as suas mãos, mas elas vão especar o pirralho. Se pudesse estrangularia a amebazinha.&lt;br /&gt;Pode ser que caras bonitões não saiam por cima com todas as mulheres que querem e se sintam meio imbecis e impotentes como ele. Mas ele não é todos os caras e é seu cérebro que chacoalha lá dentro agora. Deixaria até se sacrificar na burrice se a carcaça se refizesse, tomasse um lance estético aceitável. Refinamento intelectual, qualidade inventada pela feiura opaca mediana. &lt;br /&gt;Ele volta pra casa e umas crianças de espinha no rosto lhe sorriem. Roda o pescoço pro outro lado, merece um pouquinho mais de carne na bunda, no peito, e um rostinho simétrico, com tudo no lugar. Não é tão feio assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-818780062434879783?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/818780062434879783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=818780062434879783&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/818780062434879783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/818780062434879783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/04/sexo-e-literatura.html' title='Sexo e literatura'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2558276589681432471</id><published>2010-03-26T22:23:00.028-03:00</published><updated>2010-03-27T01:03:41.213-03:00</updated><title type='text'>Pós-modernidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta é uma daquelas típicas salas de Empresa fodona. Branca, estante tabaco levemente afastada da parede, cadeiras design italiano, mesa espaçosa com papéis passados e ajeitados iguais a cuecas na gaveta. &lt;em&gt;Note&lt;/em&gt; aberto. O telefone berra e Rodrigo empurra a porta com a pasta, escorre pra mesa. Celular no ouvido. &lt;br /&gt;- Sim, sim. Já tô abrindo meus e-mails, tô chegando. Só um minutinho. - Alô!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Não, não dá. Tenho cliente daqui a quarenta minutos e preciso conferir meus e-mails prum negócio do Pedro. Só depois do almoço vou tá mais tranquilo.  &lt;em&gt;S&lt;/em&gt;&lt;em&gt;tarta &lt;/em&gt;isto&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Ô, adaptaçãozinha descabida!&lt;br /&gt;- Desculpa, Pedro. Vamos ver aqui. &lt;br /&gt;Este é um daqueles típicos caras formados em UNI alguma coisa, MBA em administração nalgum canto. Trinta e três anos, Classe C1, mas já, já pula pra B2, IPhone 3G comprado do cara que comprou de quem comprara, prédio com vaga que dá pra entrar torto com o 307 reusado, Ferracini legal no pé, Paco Rabbane bocejando nas dobras do pescoço, mulher um pouco recosturada e dois filhos adiposos, olhinhos apertados. Há uma sala filé no apê&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; onde a LCD de 32 polegadas drapeja. Bom canto pra esticar tomando cerva no fim do dia ou mesmo um Red. Um bacana ele. Ao menos se esforça. &lt;br /&gt;- Posso entrar? &lt;br /&gt;- Só um pouquinho. - Claro, tô tentando resolver um problema do Pedro.  &lt;br /&gt;- O Patrão quer aqueles relatórios. &lt;br /&gt;- Tudo aqui é pra ontem! &lt;br /&gt;Ô, clichezinho horrível! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Já vou lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é uma daquelas típicas Empresas pós-modernas. Não é mais maneiro amputar os braços dos carinhas pra rodar máquinas sem intermitência; gravatas balançando daquele negócio redondo gigante, duro e tosco que não serve pra porra nenhuma -menos ver lolitinhas e somar um mais um- enfeitam legal as mesas. Os programas do RH lecionam todos os dias sobre liderança. Teve até palestra &lt;em&gt;dum&lt;/em&gt; figura de nome rimando bem engraçado, fodão nestas bagaças, manja (Tatibitate, Carly Trapaly, Iabada Badu, algo assim)? De verdade, você perdeu. Inteligente pra caralho. A gente aprendeu... aprendeu...  bom, &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; figura é engraçado. Nos parafusos que sustentavam crucifixos no começo, quadros com bordas douradas estão ali ensinando certinho Missão, Visão, Valores, estes trecos aí. &lt;br /&gt;- Pedro, é muita grana, arrebenta nossa margem de lucro. Só um pouquinho, me deixa atender o outro telefone. &lt;br /&gt;- Oi. &lt;br /&gt;... &lt;br /&gt;- Você já disse isto. &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Me deixa terminar com o Pedro, sim? Já tô indo ver o que doutor Morais quer. - Pedro, o Homem tá louco atrás de mim. Diz pro cliente que esse preço a gente não consegue. &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Se chorar, dá mais três por cento em cima do desconto anterior. &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Se não quiser, fazer o quê? A gente não joga produto fora.  &lt;br /&gt;Ô, jarguãozinho meleca!&lt;br /&gt;Este é um daqueles típicos CEOs rotos serelepes doidos pra dar o cu pro Peter Drucker. Tem tudo arrumadinho. Funcionários reles fazem ginastiquinha; aos fodidões, convênios pra hemorróidas, gonorréia, cáries etcetera.  Bastantes filhos, 1.103. Filhos bonzinhos; maus que vão tomar na bunda e a grana dum tonto! Ele é espertão. Gordo, mas faz a barba de manhã. Adora Armani e Prada. Se você quiser, também pode; é só trabalhar, rapaz! Ou acha que Ele ficou dormindo enquanto suas criaturinhas pastavam bonitinho? &lt;br /&gt;- O Senhor meu chamou? &lt;br /&gt;- Chega aqui, Rodrigo. Senta. &lt;br /&gt;- Demorei porque precisava acertar uns negócios com o Pedro, aquele meu assistente. E tenho uma reunião com cliente em menos de 30 minutos. &lt;br /&gt;- É bem rapidinho. &lt;br /&gt;- Os relatórios que o Senhor me pediu vou terminar amanhã cedo.  &lt;br /&gt;- Faz dois dias que te pedi isso. &lt;br /&gt;- Eu sei, mas é que tive muito trabalho. Precisei deixar muita coisa em &lt;em&gt;stand by&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Vivam os inglesinhos!&lt;br /&gt; - Eu te pedi dia 24. &lt;br /&gt;- Bastante pepino. Prometo que amanhã entrego.&lt;br /&gt;Esta é uma daquelas típicas Empresas entupidas de profissionais de endomarketing, aquele lance meio escatológico.  RPs, jornalistas e gostosinhas do marketing andam lestos pra lá e pra cá pondo balões na mesa de quem morreu mais um ano, atolam as caixas de entrada com apresentações de Power Point, mas se esquecem do lenço; levam indicador, médio e anelar na boca-cu se alguém blasfema:“- Com a calça grudada assim fica parecendo que o Chefe tem boceta.” Pecado que dá inferno diretinho.  &lt;br /&gt;- A Empresa precisa do esforço de todos. O seu sucesso é o sucesso da Empresa. A Empresa não são máquinas, são pessoas. Vocês são a jóia da coroa. &lt;br /&gt;Que dor de ouvido!&lt;br /&gt;- Eu me esforço, de verdade. &lt;br /&gt;- Se você estiver bem profissionalmente, tudo se ajeita. É de amigo esta conversa. Não somos Patrão e empregado, somos amigos. &lt;br /&gt;- Sempre tive certeza. &lt;br /&gt;- Vê se não atrasa mais esse relatório. Também quero falar com você à tarde. Pensei num jeito de a gente aumentar nosso &lt;em&gt;share&lt;/em&gt; em 5% em um ano e meio. &lt;br /&gt;- É um número espetacular. &lt;br /&gt;- A gente fala nisso outra hora. Corre pra reunião com o cliente, afinal ele é a nossa jóia da coroa. &lt;br /&gt;Ué, misturou tudo agora! Vá lá, ele sabe o que diz. E pedrinhas há de monte naquele troço. &lt;br /&gt;Esta é uma daquelas típicas horas em que Rodrigo sai da sala esvoaçando o paletó, pensa num caminho sem radar. O cliente espera, espera. A Empresa se mudou pr'este corpo gostosinho; a Empresa é ele. E esqueça esse negócio de que há alguém, oito e trinta da manhã, de pernas abertas.  Rodrigo ajeita o cabelo no retrovisor. Um galo vermelho encimando a sobrancelha?! Bom, a Empresa não tem nem esta massa redonda esquisita, quem dirá com saliência e mancha!  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2558276589681432471?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2558276589681432471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2558276589681432471&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2558276589681432471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2558276589681432471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/03/ui.html' title='Pós-modernidade'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-6469385509284772738</id><published>2010-02-21T13:37:00.030-03:00</published><updated>2010-02-23T14:38:08.110-03:00</updated><title type='text'>Uma história sobre a ovelhinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cíntia brinca enroscando a manga da blusa maior que ela nas árvores, os pezinhos tortos chafurdam nas raízes transpirando a chuva gélida plangente do comecinho da tarde. Ardem friamente; mas está tão bom ali, escorregando entre os troncos e observada de soslaio por braços ternos e castos, que Cíntia espanta o frio pensando no trinado daquelas copas quando o Sol vem alto, igual daquela vez.  A menos de 20 metros Marta esguicha um sorriso mudo e mole, porém belo, à filha. Marta tem 23 anos; Cíntia, cinco.  &lt;br /&gt;- Mamãe, vô girá! – Cíntia tira a luva e arregaça as mangas prendendo os dedos exangues num Ipezinho glabro. &lt;br /&gt;- Cuidado pra não cair de fuça no chão.&lt;br /&gt;Cíntia chegou quando Marta não fazia questão alguma, a mínima que fosse. Roberto a amava, ela sabia. Tudo bem. Contudo Marta tinha uma faculdade a começar e alguns rascunhos de futuro presos a enlevos a desenvolver.  &lt;br /&gt;- Tô grávida. &lt;br /&gt;Estavam neste mesmo parque. &lt;br /&gt;- Tira. – Disse sem olhá-la. – Amanhã tenho algumas coisas a fazer na cidade ao lado. Tem médico bom lá pra dar jeito nisso. &lt;br /&gt;Marta fremiu. Era verão e o Sol cegava o laguinho. Nem os patos ficavam ali respirando sem ronronar. Não queria a criança, mas abortá-la?! Não era uma frieira, um furúnculo; era uma criança.&lt;br /&gt;- Quantas vezes já foi neles? &lt;br /&gt;- A questão é que não quero ser pai agora. Mais tarde a gente pode até ter uns dois. &lt;br /&gt;- Não vou tirar, é meu filho.&lt;br /&gt;- Cria sozinha então.  – Roberto se levantou, evaporou um beijo seco na testa dela e caminhou ao carro. &lt;br /&gt;Ser mãe era o que Marta ia ser a partir dali. A faculdade esmaeceu. &lt;br /&gt; - Te amo. – A menina diz engalfinhando-se no colo da mãe. &lt;br /&gt;- Também te amo, minha pequena, também te amo. – Passa resignadamente as mãos nos anelos tenros, brilhantes, da cabecinha. Puxa-a para si queimando-lhe o rosto com beijos. &lt;br /&gt;Mamãe beija babando e, naquele frio, ô, duro de aguentar!  Cíntia não liga. Um pedacinho da mamãe escorrega-lhe gelando o rosto, faz cócegas e, de algum jeito, esquenta.&lt;br /&gt;Duas crianças, uma de quase 18 e outra se enroscando no cordão umbilical e dando-lhe chutes no estômago. Marta vomitava frequentemente, os enjoos duraram muito mais que os três meses prometidos pelo médico.   Quando nasceu a menina pediu à mãe que fosse ao cartório e pusesse Cíntia, igual à velha. &lt;br /&gt;- Amo vocês duas da mesma forma, o mesmo amor puro e mágico; nada mais justo. &lt;br /&gt;Marta arrumou trabalho como caixa num supermercado grande da cidade; Cíntia ficava com a avó pensionista. &lt;br /&gt;- Você é a coisa mais importante que tenho, me desculpa se você sofre. – Vira-a, olha os olhos carvão, passa convulsivamente a mão no rostinho e nas perninhas. O Sol fenece atrás duns morros e o vento corre mais, congela mais. &lt;br /&gt;- Mamãe, tô cum fome – um anjinho se esfregando para esquentar espirra na cara de Marta o pacote água e sal que roubou à tarde de uma das prateleiras. Abre a mochila e dá a bolacha ao anjo. Acomoda-o no banco e tilinta a caneca na torneira esquecida num canto do parque. Lava-a, enche a caneca que empalidece, solta gotinhas miúdas molhando-lhe as luvas. Enxuga a caneca na blusa e entrega ao anjinho. &lt;br /&gt;Roberto tinha ido há muito. Cuidou da filha apenas com a ajuda da mãe. Ano passado Cíntia, a mãe, morreu. As contas, divididas em duas, se multiplicaram em duas; cresceram quatro vezes. Cíntia, a filha, começa a estudar a seis meses, as duas vão cair fora da casa antes. &lt;br /&gt;- Vô compá um monte de arve dessa pa nóis quando quescê. &lt;br /&gt;A escola não vai ajudá-la a falar muito diferente, Marta sabe. A escola não vai lhe dar uma casa, só um comprimidinho para sonhar em ambientes alhures ao azulejo descascado de qualquer canto porco em que caírem. A escola vai fazê-la detestar cada vez mais a mãe ignara que não consegue pô-la num lugarzinho limpo e quente. Seu rosto se intumesce com o sal gorgolejante de duas bolas tristes e cansadas. Mas talvez a menininha algum dia sinta orgulho como ela sentia da mãe, que a criou sozinha, deu-lhe escola e a ilusão de fazer letras ou jornalismo ou filosofia ou pedagogia ou medicina ou direito ou qualquer um dos quase 20 cursos da universidade pública da cidade ao lado.  Soltou um esgar e preferiu mãelosofia e caixologia. Cíntia também terá estas duas opções, apenas elas. Marta vê.  Ainda assim se suas perninhas e seus pezinhos tortos ficarem de pé após a fome que encosta. &lt;br /&gt;O médico lhe disse que o anjinho coxearia para sempre, resignação e basta! O fórceps fez seu trabalho: retirar e deformar espertos que sabem que lá dentro é bem melhor e mais humano que aqui fora. Andou alguns anos com ferros entrelaçados em couro que queimavam mais de três meses de salário de Marta. Mas Cíntia ainda vivia e as contas morriam mais fáceis. &lt;br /&gt;- Mãe, me dá batom!&lt;br /&gt;- Vou passar em você um pouquinho para não lambuzar a boca. Você é a menininha minha, tem que ficar bonita sempre.&lt;br /&gt;- Tá fio. Vamimbola? &lt;br /&gt;- Daqui a pouquinho, daqui a pouquinho... &lt;br /&gt;A menina ainda tem fome, fome de arroz, feijão e um bife tapando o prato. Para que ir embora? Salvou a filha quando ela teve sarampo, catapora e caxumba; agora tem de salvar a si mesma, mas a doença é mais complicada. É uma doença aqui dentro, bem aqui, se você enfiar a mão vai pegá-la, apalpar essa coisa mole e enrugada que dói. Marta entende que se enganou quando disse à mãe que a amava do mesmo jeito que a sua filha. Ama Cíntia, a filha, muito mais, uma proporção infinita de vezes. É um amor tenro e vicejante. Minha ovelhinha, Marta chama-a de minha ovelhinha. &lt;br /&gt;- Vem cá, minha ovelhinha. Senta no meu colo que eu vou te esquentar. &lt;br /&gt;- Tem passalinho ali.   &lt;br /&gt;Faz horas que os poucos pássaros invernais ciciam baixinho apenas a elas, todo mundo se foi antes de essa penumbra lúgubre esfumaçar a água lá embaixo. &lt;br /&gt;- Vem mais perto, mais aqui com a mamãe. – Embala Cíntia em seu peito. Passa a mão no rosto da menina, retira a luva e vê que as bochechas estão duras e ressequidas no inverno sem colchas ou cremes. Esfrega as mãos na face para esquentá-la. Quer torrar Cíntia num amor fervilhante. Chora. Esfrega mais rápido. As mãos raspam o pescoço em que moram amígdalas revoltosas por qualquer friozinho, imagina num tempo desses! Friccionam-no mais. Pintam um colar no pescocinho e se cingem, vão cingindo, a menina olha a mãe e solta uma careta, Marta chora, o torniquete comprime, a menina se espreme, Marta a observa chorando, as duas, as mãos querem se encontrar, os bracinhos descansam no colo da mãe agora.  Marta suspira e passa as costas das mãos nos olhos. Levanta e se despe das duas blusas de lã, ficando com uma camisetinha de algodão. Na mochila refestela o pescocinho, enrola Cíntia nas blusas, o vento racha e cristaliza as ripas do banco, esquadrinha se há alguma parte desagasalhada. Dá nela um beijo, o beijo molhado da mamãe, e rasteja ao telefone público, semicerra os olhos enquanto bate nas teclas. &lt;br /&gt;- Emergência, boa noite! &lt;br /&gt;- Vem pro Parque dos Pássaros – tranca os lábios frementes –, corre. Matei minha ovelhinha. Vem logo se não ela fica resfriada. &lt;br /&gt;Solta o telefone e volta ao banco. Ajeita a menina no colo e a balança cantando canções de ninar, as mesmas que Cíntia, a mãe, lhe cantava, as preferidas de Cíntia, a filha.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;*** Antes de conhecer uma história parecida com esta era-me impossível pensar o amor desta forma. Soube de Eva Martinet e Cady através da matéria do &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.lemonde.fr/"&gt;Le Monde&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. A matéria está reproduzida e traduzida &lt;a href="http://blog.controversia.com.br/2008/04/09/como-a-justica-francesa-perdoou-uma-mulher-que-matou-a-sua-filha/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Era nesta história que pensava quando fiz &lt;/em&gt;&lt;a href="http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/07/lullaby.html"&gt;Lullaby.&lt;/a&gt;&lt;em&gt; Mas na época não consegui escrevê-la da forma de agora. Pensei que escrevendo &lt;/em&gt;Lullaby &lt;em&gt;a forte impressão se apagaria da minha cabeça. Engano! Eva Martinet voltou a me mesmerizar depois que vi no documentário &lt;/em&gt;&lt;a href="http://cinemacultura.blogspot.com/2008/10/tempo-de-viagem-nostalgia-1983.html"&gt;Tempo de Viagem&lt;/a&gt; &lt;em&gt;o cineasta Andrei Tarkovsky dizer ao poeta Tonino Guerra que tinha na cabeça um filme falando de um homem que mata a mulher porque ela mente. Ambos se amam, mas ele não consegue mais viver com suas mentiras. A única coisa que unem os meus dois textos é o amor. No conto do ano passado há um amor que expele, se assim se pode dizer, afinal Lúcia deixa o filho perto dum orfanato numa cidade rica, onde sabe que ele terá ótimas chances de ser adotado por pessoas abastadas e se dar bem na vida. “Liberta-o” do ódio plangente que nutre, um ódio que a faz amar a criança, apesar de a gente não compreender nada. Agora falo dum amor tradicional, aquele amor protetor de mãe, mas exteriorizado dum jeito que a gente também nunca vai entender. O estrangulamento é a pura espontaneidade do desespero. Quis colocar esta breve exegese talvez apenas para dar crédito a quem o merece, como se alguém precisasse de minhas considerações. Abraços!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-6469385509284772738?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/6469385509284772738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=6469385509284772738&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6469385509284772738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6469385509284772738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/02/uma-historia-sobre-ovelhinha.html' title='Uma história sobre a ovelhinha'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2142570533339740946</id><published>2010-01-26T22:51:00.003-02:00</published><updated>2010-02-16T21:08:59.269-02:00</updated><title type='text'>Sobre falar com Deus e outras coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando a vejo de cima não me causa medo a cidade. As ruas racham os prédios e tudo continua calmo e tranquilo.  Deus respira ali, respira a caliça amontoada em prédios e árvores e terra. Deus plana tanto quanto eu ao ver as coisas daqui. Mas logo as pessoas crescem de novo, as pessoas crescem e jogam seus cremes e cheiros caros em cima de mim, como este cara do lado.  Ele não olha pela janela, é grande, nunca encara o chão. &lt;br /&gt;Deus e eu brigamos faz um tempão, mas tenho de admitir que Ele ri mais que eu.  Se a cidade se congelasse pra sempre talvez eu riria. Ponto pra Ele. A fé deixa a gente igual. Todos vieram d’Ele e voltam a Ele. Um e setenta, terno cinza-claro, sapatos 42 pretos, engraxados. &lt;br /&gt;Matei Deus e meu sorriso condescendente. Fiquei banguela e os dentes deles, lá embaixo, ao lado, atrás, na frente, são grandes e brilhantes. E agudos.  Vejo ninguém agora. Olhos abertos, dormentes, olhos comendo um imenso pote de mousse de limão, olhos passando os dedos nas pontes, ruas, prédios, morros e praias, olhos desenhando, olhos brincando de Deus. &lt;br /&gt;Hoje é daqueles dias em que dá uma vontade ensandecida de bater papo com Ele, mas nossa prolixidade esmaeceu. Pouco justo de minha parte e muito menos da d’Ele caso nos prestássemos a esse joguinho retardado, pueril. Não sou mais tão idiota pra acreditar em perdão ou equívoco. Ele me escutaria numa curva irônica da boca e pensaria que tremenda perda de tempo aquilo tudo.  Roçaríamos as mãos, tiritando os sapatos e jorrando o olhar nas crianças suadas atrás do cachorro pulguento que arrebentou a coleira e vai se esborrachar num carro doido qualquer.  &lt;br /&gt;Não se acha Deus apenas num bar imundo em que viciados se picam ou num intimidante prédio barroco com sóis engastados arremedando a mormacenta manhã cálida que se recusa a pôr os pés além dos umbrais. Deus está neste &lt;em&gt;nerd&lt;/em&gt; imbecil do lado e no cara que equilibra esta porra no vazio enquanto fode a mulher das mímicas ridículas. Deus está na fodida e naquelas coisas que se aboletam nos ônibus lá longe. Deus está em tudo que não se encosta a mim. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2142570533339740946?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2142570533339740946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2142570533339740946&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2142570533339740946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2142570533339740946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2010/01/sobre-falar-com-deus-e-outras-coisas.html' title='Sobre falar com Deus e outras coisas'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3688532342172865434</id><published>2009-12-26T22:07:00.010-02:00</published><updated>2009-12-27T18:30:52.378-02:00</updated><title type='text'>Natal de Maria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José sentou-se de frente a Marcos, antebraços refestelando no espaldar duma cadeira marrom. José e Marcos estavam havia dois dias ali, as paredes brancas ficaram pardacentas; o quarto tostado numa neblina cinza-escuro torvelinhando.&lt;br /&gt;- Se eu enfiasse uma bala na sua cabeça qual seria a sua reação?&lt;br /&gt;José se levantou o encostou o polegar, outros dedos retraídos e o dedão saliente, na cabeça de Marcos.&lt;br /&gt;- Como eu saberia? – esboçou um sorriso enquanto jogou a cabeça ao lado esquerdo e sacolejou. – Talvez reagisse assim. &lt;br /&gt;- Eh!  A morte é o não pensamento, a não morte. Morrer é não morrer. Meu Deus, quanta coisa e nada!&lt;br /&gt;Tostava as cerradas janelas o calor infernal, e José pensou no verão, mas nem ele jogava nos pés um morto cabriolando, dizendo algo. &lt;br /&gt;- Melhor estar no Hemisfério Norte numa época dessas. Me torno mais humano com o frio. Minha gata teve o filhote comido pelo meu cachorro. Dizem que a cena foi horrível, mas não sinto dó alguma. Fiquei com pena, sim, do miado plangente dela quando o outro gatinho sumiu. Este também quase foi comido. Ou não era pena, mas a agonia da incerteza. Se tivesse se fodido, já era. &lt;br /&gt;- Cadê Maria? &lt;br /&gt;Maria andava cortando as manchas de Sol na calçada, as bochechas cuspiam suor nos peitos grandes. As coxas redondas e firmes escapavam sempre da barra do vestido. Era bem aquilo que anelava, que sempre quis, mas José nem foder direito sabia, fumava mais que podia; Maria gostava de balas.  Homem de barba na cara, Emanuel, seu filho de 17 anos. Tinha vontade de trepar com ele. Forjava histórias sobre o filho, sobre suas habilidades, masturbava-se. Maria fenecia no câncer, Emanuel procrastinava a tumba.  Salvador Emanuel. &lt;br /&gt;- Vai salvar a todos, não só a mim. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3688532342172865434?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3688532342172865434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3688532342172865434&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3688532342172865434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3688532342172865434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/12/natal-de-maria_7232.html' title='Natal de Maria'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8611314285774908181</id><published>2009-11-22T20:17:00.054-02:00</published><updated>2009-11-26T17:42:13.763-02:00</updated><title type='text'>Tchau!</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ela está ali. Seu tórax  esvoaça em gargalhadas. Os cabelos negros salpicam as bochechas branquinhas, sentem o rosto arredondado burilando a boca grossa. Mantenho-me longe. Gotas de Primavera arrebentam a janela, dão socos fortes e doidos. Duas meninas correm ao canto escuro em que as meninas não são mais meninas. Todo mundo quer correr aos cantos escuros, os pés inchados congelam. Meus pés doem. De verdade.  Vá tomar no cu, acho que disse quando vi o horripilante rosto amarrotado refletido esta manhã. Limpa-se a remela e o dia morre.  Marcos arruma coisas de que preciso.  Ele, aquele filho da puta, ele também sabe que sabe mais que eu. E me zoa por isso. &lt;br /&gt;Estacada no sofá, pernas brancas correndo-me aos olhos, a primeira vez que a enxerguei. Ela percebeu e apanhou tentando aumentar o vestidinho preto meio metro. Tosco, havia me esquecido de que estava na porra do lugar em que a palavra de Deus vale mais que quando cuspida pelo nazista com o cu no Vaticano: a Universidade. &lt;br /&gt;Vai além duma xoxotinha quente e macia meter. Está entrecortado em sorrisos irônicos ou emotions inocentes que deixam a gente pateta. Enrolo o que nunca soube e a observo, de esguelha, cochichando com alguém, reclino a cabeça assim que me encara. Sorri e mareja as pupilas rutilantes ao nada, cabeça pendida à esquerda. &lt;br /&gt;Murchou ela tempos atrás ao chamá-la de clichezinho. Curvou-se e se escondeu, enfiando-se no banco, contorcendo a boca. Tenho o costume besta de rotular o que não entendo nalgumas coisas que penso entender. Por isso talvez seja ela o clichê requintado de Paulina; eu, uma canhestra cópia horripilantemente prensada de Alexei. &lt;br /&gt;Ela está ali, a se perder em gargalhadas.  Tempos mais e se acostuma a não me ver; eu, a mesma coisa. E a vida segue. As noites chegam abafadas, as caras simpáticas e familiares se esmaecem.  A gente só consegue peidar “- Tanto faz!”&lt;br /&gt;Escrevi quatro anos antes um texto deveras piegas. Certeza que, mesmo longe, seriam sempre os mesmos, sempre meus amigos do curso idiota, mas que valeu a pena por tê-los encontrado. Recebi REs puídas tanto como havia forjado. Se arrisco a mencionar o apelido de um deles nalguma porra de página pública sussurra cuidados em recadinho recatado; há contatos de trabalho, executivos filhos da puta loucos para torrar alguém com as côdeas do pão baforento, e a manhã nasce caxinguelê.  Trabalho é Vida. Ah, fodam-se!&lt;br /&gt;Ela me enganou, não me deixou correr.  Tenho medo de quem aparece estendendo a mão de veias intumescidas, soltando cheirinho de suor no pescoço melado. Pessoas fedem. Caricaturas enfiadas em Minhas Imagens, não. Todo mundo diz adeus e a gente fica. &lt;br /&gt;Ela brinca com o corpo cinzelado em peitos grandes e bunda redonda. À toa, não vê? Não entende que a safadeza casta e bucólica dá risinhos e pisca os olhos na sua voz almofadada remoendo “Eeee agooora?” &lt;br /&gt;O teto goteja. As bolhazinhas lépidas  se esticam e fenecem, encerando o velho assoalho descascado que não arreda o pé. Adora ver vestidos escorregando em pernas diferentes todo os anos. Novembro estertora. E depois? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#9999ff;"&gt;* &lt;em&gt;A uma Amiga. Para sempre, espero"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8611314285774908181?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8611314285774908181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8611314285774908181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8611314285774908181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8611314285774908181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/11/despedidas.html' title='Tchau!'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1632055732573608725</id><published>2009-10-10T22:14:00.027-03:00</published><updated>2009-11-22T20:16:31.414-02:00</updated><title type='text'>Resultado do ócio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;São 09 e 12 da noite no meu computador. Estou esperando minha noiva ligar. É um sábado e espero minha noiva ligar! Meu quarto grita em suas laterais a longa tarde de hoje. Quente, extremamente quente! &lt;br /&gt;Tomei algumas cervejas assim que voltei de Londrina. Fazia tempo que não bebia assim. A barriga parece maior. Está lá embaixo, escarra minha impudicícia gastronômica ou minha ociosidade mórbida. Está lá. &lt;br /&gt;A farsa, a farsa de tudo que tenho sido. Trabalho de forma incompetente, sempre com a desculpa de que me meteram naquilo alheio à minha vontade. A questão é que não tenho capacidade intelectiva para enxergar o óbvio em muitas coisas. Escrevo mal, pessimamente, numa maldita farsa ululante recortada em livros que li e até que não li, dizem. Pode ser que todos sejam farsas, alguém já tenha feito as combinações, os joguetes possíveis com as palavras. Quem depois veio e vem tagarela. &lt;br /&gt;Está quase na hora de ela ligar. Roubado de coisas próprias, remendado em conceitos esdrúxulos e paralelos. A farsa enorme, mascarada, que entra no quarto e agarra o pescoço numa noite cheia de mormaço como hoje. &lt;br /&gt;Bruna me olhava mareando em piedade sempre que nos víamos. Passava calmamente sua mão mansa e breve no meu rosto, dizendo que tudo ficaria bem se fosse a hora. É, Bruna, você mentiu! Sua puta, você mentiu!&lt;br /&gt;Mamãe faz perguntas óbvias enquanto se espreguiça no sofá, as respondo lacônico. Quando era criança ela era o referencial mais cativante da inteligência. Encaro-a, empurro o rosto com comiseração e complacência. O mundo dos fodidos! &lt;br /&gt;Ela demora a ligar. Demora a falar. Isto se transformou num ritual lancinante, sem nexo. Três vezes por semana, DDD. Nos outros, mensagens ou curto MSN. Ritual besta e infenso a pontos frasais. É preciso esperar. Um refém do outro a quilômetros de distância. Estúpida rendição! Temos pouco a dizer. A acrescentar, mais nada, quem sabe.  As mesmas orações no começo, as mesmas expressões vazias no fim. Jogo de regras rijas e grotescamente definidas, rebolados mambembes, retardados.&lt;br /&gt;Vejo quase todo sábado a lutas de vale-tudo na TV. A cabeça dos caras são feitas de borracha, se deformam a cada pancada e voltam ao normal logo que o punho sai. Devo ter brigado umas cinco vezes; apanhei. Dos desgraçados que bateram em mim me vingo com as lutas da televisão. &lt;br /&gt;São 09 e meia e a porta do quarto de papai e mamãe fez nhec. A idade chega e o amor se torna mais infantil, alcoólico. &lt;br /&gt;Talvez devesse saltar de paraquedas cortado na agonia em desconhecer se aquela porra abriria. Estar de cara, me ver desfigurado no chão, lá do alto. Abrir a boca e só tomar baforadas do ar contaminado por um cheiro &lt;em&gt;requioso&lt;/em&gt;.  E eu lutando com o paraquedas, me esfalfando, me matando com as cordinhas. Talvez nunca pule de paraquedas. Farsa se mantém farsa.  Falta senso de humor para fazer este texto mastigável. Vou desligar esta porra e esperá-la ligar. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1632055732573608725?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1632055732573608725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1632055732573608725&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1632055732573608725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1632055732573608725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/10/resultado-do-ocio.html' title='Resultado do ócio'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8168949156751247391</id><published>2009-10-05T22:39:00.021-03:00</published><updated>2009-10-05T23:20:09.492-03:00</updated><title type='text'>Mulheres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perdi o cabaço da boca numa noite úmida, suada, de novembro. Loira, um tanto quanto pequena e rechonchuda. Os fios anelados do cabelo lhe espancavam a cara redonda, esburacada por duas pelotas verdes sorridentes. Era bonita mesmo assim. Fui meio forçado a me descabaçar. Ela, mais nova e muito mais esperta que eu, flertava comigo depois de receber um chute no rabo dum amigo que estava na roda.  Outro amigo já enlaçava a mina que estava com ela. &lt;br /&gt;- Quer levar a gente embora? &lt;br /&gt;- Claro. &lt;br /&gt;Aconteceu quatro anos antes de eu entrar na faculdade, ou três. Talvez três. Elas moravam a vinte minutos numa rachada na botina. Ergui o braço e apoiei a mão aberta no rosto, puxei-o a mim. Devagar encostei a boca. E enfiei a língua canhestra na goela.&lt;br /&gt;- Ei, vai com calma. Não quer que eu vomite em você, né?&lt;br /&gt;Nojenta, estúpida, mas estiquei a língua e suguei-lhe os dentes com força. Era legal aquilo, legal para caramba. O quadril afastado para que não percebesse a situação em que eu estava. &lt;br /&gt;- A gente pode trazer as duas aqui e meter a vara -comentei, como se fosse coisa corriqueira aos fodedores de mãos, enquanto passava na volta com meu amigo em frente ao lugar em que estava trabalhando. &lt;br /&gt;Ela e meu outro amigo reataram tempos depois. Na roda -zoadas não têm graça com menos de cinco testemunhas- o namoradinho arrependido estrebuchou uma gargalhada. &lt;br /&gt;- Não é tirando você, mas ela disse que tinha vontade de cuspir enquanto te beijava. &lt;br /&gt;Sem broncas; havia me dado bem. Ninguém mais podia zoar da minha cara cabaça. &lt;br /&gt;Perdi o cabaço do pinto (meu, é claro) numa noite seca e mormacenta de dezembro. Dois ou um ano antes de entrar na faculdade. Meu irmão a levara junto com uma amiga para gente ver filmes na casa dum camarada que estava viajando. O cara quase tinha morrido crispado, coberto de vômito, em Floripa. Chamava-se Débora e era mais gata que Graziela, bem mais. Loira também. Esparramava um risinho de safada nos lábios finos, curvados. Eu já era bom no &lt;em&gt;língua-a-língua&lt;/em&gt;; quinta ou sexta vez. Só que dava um nó nos dedos ao pensar que brincaria com uma xaninha de verdade.  &lt;br /&gt;Arrastei-a para um quarto escuro e razoavelmente limpo. Comi bochechas, pescoço, peitinhos.  Chupei tanto o direito que ficou estranhamente maior. Bem paranoico meu hábito de sorver tetas. Saquei a Jontex do bolso (a única que protegia contra a AIDS, diziam os vividos amigos imbecis). Pronto, o pau tombou. A embalagem! A porra da embalagem broxante. Levei uma surra daquele plástico imbecil. Travei-o no dente e consegui, enfim, rasgá-lo. O trem viscoso, escorregadio, fedido, usado -podia-se dizer- brotou. Juntei a camisinha e tentei fazê-la descer. Arrebentou. A escola não me ensinara a pôr simples camisinhas! De que me servira aquilo tudo? Bufei.  Na segunda, ela pediu licença. Fixou-a graciosamente nos dedinhos e deslizou o plástico até encostar-se aos pentelhos. &lt;br /&gt;Depois de mais chapadas, a gente se engalfinhou em outra foda.   “Chupar xoxotinha é muito bom”, diziam os colegas retardados da época -duvido que tenham chupado antes de mim.  Corri a cabeça cada vez mais para baixo e a boca tocou num monte de pelos salgados, gostosos até, mas que cheiravam mal -fediam mesmo. Desencanei da ideia.&lt;br /&gt;- Vamo. &lt;br /&gt;- Quero dar uma descansada. &lt;br /&gt;- Nem fodendo. Tenho que trabalhar amanhã. &lt;br /&gt;Perdi o cabaço de medrar cornos numa noite esturricada de janeiro, um ano depois de começar a faculdade. Não era bonita, entretanto tinha deliciosos peitos enormes, simetricamente oblongos; faziam o pau endurecer rapidinho. Ligava todo dia para o meu emprego, despejando sua voz de leite condensado.  A gente marcou uma volta no parque. O Sol acachapante. Eu me deitei no seu colo e o nariz desproporcional brotou entre duas redomas. Cinquenta minutos fiquei com Rosana ali. Sem dar beijo a levei embora.  Era lento para caralho, mais que agora. E nem Platão me limparia a  barra com seu amorzinho inerme. &lt;br /&gt;A gente estava sentado no banco debaixo da seringueira -mesmo parque- dias depois. Vi alguém girando a cabeça lá no alto. Mostrei-lhe. &lt;br /&gt;- É meu noivo. Não encara. Vira. Só vê se ele não vem. &lt;br /&gt;- Se vier, pico a mula. Quero ver me pegar.&lt;br /&gt;- Tô fodida!&lt;br /&gt;- Difícil pensar em duas pessoas ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;Mas a coisa continuou. Dias depois a parei no canto escuro do muro duas esquinas antes do seu.&lt;br /&gt;- Tá ficando sério - disse sem sequer tê-la beijado. &lt;br /&gt;- Também acho que tô gostando de você. &lt;br /&gt;Morena era Rosana. Olhei seus olhos, seus peitos, ergui o queixo e enfiei a língua espertinha em sua boca. &lt;br /&gt;- Vai. Ele deve estar vindo. &lt;br /&gt;Corri para baixo. Antes de virar numa rua, vi a moto do cara. Estuguei, fazendo círculos entre as vielas do centro araponguense mal feito. &lt;br /&gt; - Vai embora às 11h -ela assegurou ao telefone. &lt;br /&gt;- Beleza, fico na esquina. Assim que sair, espero uns cinco minutos e subo. &lt;br /&gt;- Certo. &lt;br /&gt;Bati o telefone dando risada. Eu ia trepar aquela noite, os caras da mesa ao lado, no trampo, não. &lt;br /&gt;- Não veio. Ligou avisando que tinha um monte de coisa. &lt;br /&gt;- Tá metendo com outra. &lt;br /&gt;- Pode ser. &lt;br /&gt;- Tô gostando realmente de você. &lt;br /&gt;Rosana me guiou em um corredor estreito e caiado. A luz estava queimada no quarto da edícula. Detesto meter no escuro, grilo de faturar pela metade. Mesmo gozando antes do que esperava -nas duas vezes-, prendeu os olhos em mim, reverberando a luz negra do extremamente insuportável cubículo. &lt;br /&gt;- Amo você. &lt;br /&gt;- Isto é bom. &lt;br /&gt;A gente fodeu outras vezes. &lt;br /&gt;- Fica esperto. Ela gosta de vir com uma conversinha mole, que não consegue engravidar -alertou Josuel, colega do trampo. &lt;br /&gt;- Tô fora. Ela que vai dar golpe de barriga em trouxa.&lt;br /&gt;O ventinho enregelado bafejava mesmo no verão. &lt;br /&gt;- Impossível continuar. Tô me envolvendo cada vez mais. E sempre tem ele -falei a Rosana, com uma cara consternada de fazer inveja, enquanto a gente se sentava no banquinho da praça. &lt;br /&gt;- Preciso de um tempo, você sabe disso. Me dá mais um tempo e eu largo dele. &lt;br /&gt;- Não tem como.  Quem vai acabar se ferrando sou eu. &lt;br /&gt;- Só mais uns dias -rogou com voz nauseabunda. &lt;br /&gt;Entreguei-a no meio do caminho, em meio a uma batelada de condições absurdas para que a gente se visse. Saí cabriolando. Parei na sorveteria e pedi um imenso pedaço de torta de maçã, coberta com três bolas gigantes de sorvete.&lt;br /&gt;Assistia à TV quando ela ligou cinco dias mais tarde. &lt;br /&gt;- Alô. &lt;br /&gt;- Oi.  Tô com muita saudade.&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;- Larguei dele. &lt;br /&gt;- O que tenho a ver com isto? &lt;br /&gt;Abri a janela e o ar geladinho fora de estação se aproximou. Não se faz frio amiúde nesta época. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8168949156751247391?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8168949156751247391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8168949156751247391&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8168949156751247391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8168949156751247391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/10/mulheres.html' title='Mulheres'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5331904541463446674</id><published>2009-09-27T21:02:00.044-03:00</published><updated>2009-09-28T08:41:02.765-03:00</updated><title type='text'>Algumas necessidades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ia eu dia desses ao meu &lt;a href="http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/05/dei-um-grito.html"&gt;cursinho de chás e bolachas &lt;/a&gt;em Londrina, e a pimpolha carolinha estimada ao lado jogando seus requintados cachos pretos nos meus olhos. A gente racha a gasosa e o pedágio. Ela me contava o medo que tinha de seu avô, que despejava uma canjebrina toda noite a Zé Pelintra. Fiquei com o maxiliar grudado o quanto pude. Mas, depois de três eternos segundos, dois incisivos saltaram da arcada:&lt;br /&gt;- Jesus parecia um aspirador ligado em 220. Sobrava nem uma perninha de grilo por onde ele passava.&lt;br /&gt;- Credo! Jesus, perdoa-o. Ele não sabe o que diz.&lt;br /&gt;- Sei sim. Ah, é verdade! Contra Jesus tem perdão. O mais chapado da galera era então o Espírito Santo. Com aquela desculpinha etérea o bichinho flutuava em porres homéricos de coca e erva.&lt;br /&gt;- Meu Deus do céu, pare com isso!&lt;br /&gt;E eu, rindo, morrendo de rir. Piadinha sem graça, confesso. Porém seu rosto atonal, a expressão caricata, valeu todo o imundo conteúdo sarcástico de minha brincadeirinha. Coitada dela por não reverter com chiste igualzinho. Ateísmo, crença e a mesma bitola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veem-se ateus espalhando fanatismo assim como batem palma no meu portão membros da igreja do solzinho nas manhãs opacas pelo Sol domingueiro. Religião tem de ser discutida, concordo. Porém quem a ataca se acha tão jungido quanto quem a defende. Ou melhor, pode até ficar de lábios cerrados. Decidi escrever isto após ler alguns epigramas ateus na internet.&lt;br /&gt;Quatro anos atrás resolvi dar uma diminuída -diminuída, não; parar mesmo- com algumas coisinhas (deixara a batina de coroinha e todo o sentido que a vida monástica, mesmo fora do monastério, pudesse ter), recomeçadas dois anos atrás. As nódoas amarelinhas sumiram dos dedos por uma coisa besta, mas com senso do caralho para mim. Livrara-me duma crença às custas de me empanturrar em outra. Ali queria ser livre do melhor jeito que desse; me esquecia da crença que tinha de ter naquela pseudoliberdade acima de tiques, vícios, cacoetes etc.&lt;br /&gt;Fé, antes tê-la num Deus, é fé. Todos cremos. Paramos no semáforo vermelho (alguns nem tanto), respeitamos velhos (idem), passamos pelo caixa do supermercado (ibidem), saímos de sexta a fim de cachaça e fodas (não sei mais). Enraizamos, defendemos ideias, normas, como se elas pairassem num halo dourado.&lt;br /&gt;A questão não é ser leniente com defensores de Jeová, Maomé, Buda ou qualquer outro. É saber que todos fedem à mesma merda. Arguições, mesmo saídas dum dito materialismo dialético, carregam cruzes, apóstolos.&lt;br /&gt;Eu me encuquei semanas atrás se havia força no meu discurso, não muito importando a forma em que era forjado. Se alugém cairia no meu papo mole e faria o que eu quisesse simplesmente pelo teor da &lt;em&gt;parole&lt;/em&gt; ou se seria levado pelas circunstâncias. Cheguei à conclusão de que toda a "locupletação" que o meu discurso medrasse atingiria na essência a mim e talvez a meus pais (disputinha tosca de filhos nas conversas entre amigos; oh, necessidade!). Em outras pessoas variaria conforme a necessidade delas -necessidade de afeto, por exemplo-, não a minha.&lt;br /&gt;Algumas necessidades determinam o grau de fé numa mula ou no Deus do Evangelho. Necessidades entaladas nalguma parte da cachola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A piada, eu continuo não a perdendo. Sempre que puder zoar com coleguinhas “crentes”, zoo; mesmo tão "crente" quanto eles. A necessidade de rir do mau gosto extremo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5331904541463446674?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5331904541463446674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5331904541463446674&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5331904541463446674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5331904541463446674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/09/algumas-necessidades.html' title='Algumas necessidades'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1930080303797286745</id><published>2009-09-16T00:05:00.003-03:00</published><updated>2009-09-16T09:23:33.209-03:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Você vai continuar parada aí até quando?&lt;br /&gt;- Até quando eu quiser. Não há mais nada a se discutir neste ponto.&lt;br /&gt;- Você não consegue conversar.&lt;br /&gt;Romeu jogou as mãos atrás da cabeça. Encostou-as no travesseiro amarfanhado. Na cama, o cheiro dorminhoco esfumaçava o ar, tornava-o turvo, mefítico.&lt;br /&gt;- Você é um idiota, um estúpido, um estúpido que sempre deveria estar no mesmo lugar. Mas agora se acha capaz de mover, andar, sair, flanar.&lt;br /&gt;Magda observava o mesmo mendigo de dois anos antes. Ele continuava ali, cabriolando entre cacos, sacos, e potes. O executivo de ternos claros saltitava tateando as grades do estacionamento externo. Sua garagem continuava muito apertada.&lt;br /&gt;- Eles continuam iguais. Por que os abandona? – Virou-se bruscamente a Romeu. – Por que os abandona?&lt;br /&gt;- Eles quem?&lt;br /&gt;- Eu continuo a mesma. Por que me abandona?&lt;br /&gt;- Abandono você e mais quem?&lt;br /&gt;- Seus irmãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Parece louca. Sabe que só tenho um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não me venha com esta!&lt;br /&gt;Magda bateu a ponta dos dedos na enregelada janela gotejando melancólicas bolhas de orvalho. O tom fleumático da manhã junina refletia-se nos seus irritados olhos castanhos. Beijou vagarosamente o inerme e irretorquível vidro pálido. Amorteceram os lábios.&lt;br /&gt;- Devia ter matado você! Devia ter matado você – gritou na segunda vez. – Você me deve a vida por isto.&lt;br /&gt;- Quanta bobagem! - Romeu permanecia imóvel. Ruga alguma lhe escorregava na testa.&lt;br /&gt;- Não acredita, mas deve sua vida a mim. A mim, somente!&lt;br /&gt;- Papai poderia dizer a mesma coisa. – Levantou-se, foi ao banheiro mijar. A porta aberta, escancarada, arregaçando aos olhos de Magda a repugnância que a atormentara.&lt;br /&gt;- Não vai dizer nada? – esguichou entre os dentes debochados.&lt;br /&gt;- Ah! Faça o que quiser!&lt;br /&gt;Desgrudou-se do vidro e se sentou na beirada da cama arquejante. Os lençóis manchados pelo suor grosso de Romeu. No canto, Renato Machado encenava as seriedades jocosas da quinta-feira recém-sepultada. “Cadê o jornal da Globo?”, pensou ela.&lt;br /&gt;Romeu gritou ao ver no espelho o controle apontando à TV.&lt;br /&gt;- Deixe aí. Quero ver as novidades.&lt;br /&gt;- O que esperar dum imbecil que leva a sério os números de picadeiros dos grandes engravatados!&lt;br /&gt;Desligou. Romeu, sem lavar as mãos -notou bem Magda- aproximou-se.&lt;br /&gt;- Porco filho da puta! Nem teve a capacidade de tirar a imundície do seu pinto!&lt;br /&gt;- Não vou perder a paciência hoje, justamente hoje. – Romeu lhe tomou o controle e a luz artificial feriu de novo as brancas paredes do quarto. Agora era Renata Vasconcellos quem tagarelava.&lt;br /&gt;Chegara a redenção. Ele, que a esperara anos e anos, a via perto, apalpava-a. Com Romeu se encerraria o fado dos Avelar, estirpe repulsiva, pusilânime. Entretanto reivindicava agora o poder de espernear.&lt;br /&gt;- Duvido que consiga.&lt;br /&gt;- Você perdeu o direito de ter dúvidas sobre mim. Um braço amputado, apodrecido, deixei de servi-la.&lt;br /&gt;- Sobra-me outro. Além do mais, desligado não há o que você fazer.&lt;br /&gt;O grau de influência de Magda sobre aquele ser esgrouviado, sem se escanhoar, acabara, acreditava ela. Quando a possessão se encerra, relacionamentos fogem, correm ao vento. Amor, palavrinha idiota. Amar, sabia bem Romeu, imanava-se na falsa modéstia e no acolhimento terno e infantil dum umbigo empurrado para dentro.&lt;br /&gt;- Há outra pessoa. Há alguém. Diga-me – debateu-se Magda em cima do ranço úmido encastoado por Romeu no seu lado da cama.&lt;br /&gt;- Sempre assim! Não há ninguém, simplesmente.&lt;br /&gt;Falava a verdade Romeu. Queria apenas propugnar por um espírito que não era mais dele. Estranhava-se com a afasia da pseudoliberdade na era pós-Magda. Magda era sua mãe, antes de ser Magda. “Difícil abandonar família.” Altiva, decidida, firme, sempre fora Magda, exceto num curto espaço após o estupro. Naqueles tempos deixara de ser Magda. Soltara-se na afluência de outra de dominação pior que a dela. Entretanto, havia mais de um ano que Magda voltara. Estranhava-se, extasiava-se Romeu.&lt;br /&gt;- É a vez de minha Síndrome de Estocolmo acabar.&lt;br /&gt;- Não foi a você que fizeram gozar, seu idiota.&lt;br /&gt;- Gozar, gozar! Quem disse a você que num casamento o gozo importa!– Romeu abotoava o paletó velho, porém digno, bem limpo e passado. Os pés inchados pela gota o incomodavam.&lt;br /&gt;– Sentiu dó do marginalzinho, diga. Queria colocá-lo no colo, dar-lhe de mamar. Tem a chance agora.&lt;br /&gt;- Faz tanto tempo! Por que repisa?&lt;br /&gt;- Guardei para a hora oportuna, Magda. Gente é assim: suja e vingativa. Não por maldade, mas conveniência. Convém a mim escarrar-lhe na cara agora. Somente agora.&lt;br /&gt;Encastoar as unhas naquele pescoço de galo despenado pouco resolveria. Como atacar um muro, um travesseiro ou outra coisa inanimada. Romeu soltara-se dela. Quando se soltara, levara também toda e qualquer oportunidade de reverberação. Magda se contorcia por Romeu ter lhe escapado. Um filho que se acha maior de idade e reivindica direitos.&lt;br /&gt;- Direito não tem. Tem deveres. E muitos, seu crápula!&lt;br /&gt;- Crápula! Eu?! Pare de me manchar com epítetos vergonhosos.&lt;br /&gt;- Epítetos! Deu para falar bonito?! Só vejo estas coisas em livros. As pessoas escrevem porque são impossíveis de viver.&lt;br /&gt;- Talvez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Magda levantou-se e zanzou pelo quarto. Nos cantos mal asseados estavam pentelhos de Romeu. Pentelhos dum símio passado do tempo e que por isto se achou homem. Pentelhos de alguém que tem pentelhos, e tão apenas eles. Romeu observava os prédios da cidade enevoada na manhã fria e indiferente. Suas malas jaziam ao lado da cama. Três grandes valises com porcarias dum estúpido cotidiano imundo.&lt;br /&gt;-Tchau. Depois a gente conversa. Estou atrasado.&lt;br /&gt;Três grandes valises debruçadas num azulejo esmaecendo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1930080303797286745?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1930080303797286745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1930080303797286745&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1930080303797286745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1930080303797286745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/09/amor.html' title='Amor'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8805946642127147509</id><published>2009-09-04T12:12:00.002-03:00</published><updated>2009-09-04T12:23:04.904-03:00</updated><title type='text'>Cheiro de mel da mãe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Escrevi esta pequenina crônica faz um tempão. Nem sei quanto. Tem bastante pretensão nela, coisa que me deixa bem envergonhado. Resolvi postá-la porque me faz lembrar uma fase gostosa da infância, iguais às pitangas para o grande &lt;a href="http://googala.opsblog.org/2009/08/18/pitangas-a-espreita-da-prima/"&gt;Guga&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;Não havia lido nesta época João do Rio, antes que alguém ache que não tinha capacidade para pensar um mote. Na verdade, acho mesmo que faltou bem esta capacidade, lendo-a agora. Como disse faz tempo para cacete.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre há dias em que a tristeza parece maior do que antes. Sempre há gestos superestimando a agonia presa na cabeça. Sempre há razões mais fortes que são muito mais fracas. &lt;br /&gt;O dia estava claro como o sol de uma tarde de verão. Respirava-se pelos cantos o gosto suado do sal de beira de praia. Ele caminhava sem a cabeça. Tinha-a esquecido em algum lugar. Fazia horas que andava sob aquele sol de fritar ovos no asfalto. Estava descalço também, os pés começavam a formar bolhas imensas. Não sentia, porém, dor. Há muito tempo tinha se esquecido o que era dor. Não por ser feliz.&lt;br /&gt;Era igual a qualquer um que flanava naquela tarde, exceto por não ter cabeça e estar com as imensas bolhas nos pés. Começavam a vazar. Escorria e deixava rastros. Encostou-se na passarela da praça. Via embaixo a água verde empoçada. Não enchiam o lago fazia anos. A água era da chuva. Lodo dentro das poças. &lt;br /&gt;O pólen solto pelas margaridas pintava o ar de amarelo e deixava um cheiro de mel em suspensão. Quando pequeno sua mãe fazia-lhe pão com mel. Na cozinha, azulejos brancos e pequenos. Dona Maria passava o dia asseando-os. Uma velha geladeira vermelha com a água mais gostosa e gelada que tomara. Sobre a mesa com um encarnado roto, o radinho preto e cinza, sintonizado na Ave-Maria. &lt;br /&gt;Senhor sem cabeça tem agora aparelho de som ultrapotente e carro zero na garagem. Em seu quarto, computador, fedor de fio queimado.  Não há abelhas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8805946642127147509?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8805946642127147509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8805946642127147509&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8805946642127147509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8805946642127147509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/09/cheiro-de-mel-da-mae.html' title='Cheiro de mel da mãe'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2970943197693348838</id><published>2009-08-10T21:28:00.051-03:00</published><updated>2009-08-11T08:53:31.512-03:00</updated><title type='text'>Três dedos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quantos cigarros mais, amassados neste cinzeiro imundo, vão vê-la dançar como se eu nem estivesse aqui, soltando os braços, tocando o corpo, amarfanhando os cabelos, lambendo a bunda? Bunda! Olhos verdes ululantes brilham no reflexo dos postes. Mostra-se essencialmente alheia, como se tudo fosse nada. Seus olhos. Ah, seus olhos! Perfeitos! Grandes, grandes lábios. Lascivos! Dentes simétricos. Seguram sempre gotas de saliva que rematam as frases dum jeito singular.&lt;br /&gt;Enfim volta-se, mas ignora quem estica os pés no colchão de molas surradas. Há pouco declarou praticamente um sentimento fraternal. Eu, minhas lucubrações ridículas.&lt;br /&gt;- Será que podemos conversar de forma séria?&lt;br /&gt;Mutismo, eis a resposta. Talvez não tenha escutado. Difícil fugir de questões diretas. Brinca de ignorar mancebos punheteiros como eu; menos as palavras.&lt;br /&gt;- Preciso falar-lhe – berro.&lt;br /&gt;Para no meio dum giro, chega e se senta a meu lado. Toca-me a mão, a outra escorre em minha barba. Os olhos aumentam, tomam-lhe o rosto inteiro.&lt;br /&gt;- Não basta apenas nos bastarmos?&lt;br /&gt;Se nos bastássemos, bastaria, contudo não quis dizer isto. Aliás, poucas vezes quis dizer alguma coisa. E nestas achei que a escutava.&lt;br /&gt;- Outra época sim. Mas neste momento não imagina que autocomiseração! É estúpido, démodé. Mas forte e plangente.&lt;br /&gt;E eu novamente tentando adornar coisas simples dum colorido pardacento. Ela se levanta, afasta-se, sorri e me encara. Sinto-me enregelado. Volta dois passos. Abaixa-se a minha boca, mas sobe e toca a sua em meu nariz.&lt;br /&gt;- Simples. Você e eu, cada um no seu espaço. E este espaço não é único.&lt;br /&gt;- Precisamente isto não quero.&lt;br /&gt;- Escolhas, escolhas.&lt;br /&gt;- Não escolhi.&lt;br /&gt;Cenazinha pueril, babaca. Percebo um babaca intermitente perto dela. Sua cabeça etérea assusta. Tem uma capacidade hiante para trocar pessoas e enrolá-las nos seus novelos imberbes. Ela gruda efemeridade em tudo. Nunca sussurrou algo menos espasmódico que de costume. Até nossas conversas acontecem uma vez ou menos por ano, e cada vez com menos frequência.&lt;br /&gt;- Estranho. Como se nunca tivéssemos ficado tanto tempo sem nos ver.&lt;br /&gt;- Natural.&lt;br /&gt;Chega à janela e se esparrama no parapeito. Empina a bunda. A luz do poste escorrega em suas costas e salienta-lhe o quadril. Coxas apagadas; adejam, porém, nos buracos do reboco caído.&lt;br /&gt;Acendo outro cigarro. Ela vê, faz beicinho com o canto da boca. Ridículo! Ridículo e lascivo.&lt;br /&gt;- Estranho recriminar algo que pouco tem a ver.&lt;br /&gt;- Tem muito. Estou aqui.&lt;br /&gt;Sacoleja as pernas vagarosamente. Agacha-se, derramando nos meus joelhos os antebraços morenos respingados pelos pelos loiros.&lt;br /&gt;- Você estaria disposto?&lt;br /&gt;- Disposto a quê?&lt;br /&gt;- Deixe de fingir.&lt;br /&gt;- Complicados os arranjos.&lt;br /&gt;- Sim – empurra-me as pernas, arqueia-se e fita-me os olhos. – Este falso moralismo, estas falsas convicções. Seu cristianismo doentio, cínico, carregado de paroxismo.&lt;br /&gt;- Bem sabe que estou longe dum cristão.&lt;br /&gt;- Pior. Faz tudo deliberadamente.&lt;br /&gt;Agora firma ela os traços no espelho puído da cômoda rota. Este quarto está entre nós desde que as ruas nos sumiram; a incomoda o sentimento cristão, hipócrita, meu. Palavrório idiota; nós dois, certos e errados. Fico de pé e roço-lhe as pontas aneladas dos cabelos. Ela recua.&lt;br /&gt;- Não precisa disto.&lt;br /&gt;- Pode ser que precise mais do que imagina.&lt;br /&gt;- Pare de ser débil mental.&lt;br /&gt;Na rua, dois velhos andam com grande dificuldade. Dão a impressão de se resignarem com o fado. Andar, andar, andar. Se tivesse uma pedra, acertar-lhes-ia a cabeça.&lt;br /&gt;- Pode andar o quanto quiser. Vou sempre estar no seu encalço.&lt;br /&gt;- Frase de filme? Já foi mais original.&lt;br /&gt;- Culpa sua. Você me faz parecer otário.&lt;br /&gt;- Cai sua poesia ébria e a culpa é minha!?&lt;br /&gt;Verdade. A culpa é dela. A barriga cresce e dói; ela me desarranja o intestino. Seus olhos verdes ganem minhas pseudofaculdades. Vagabunda poesia, parasitárias ideologias sentimentais. O quarto está mais escuro? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Levo os dedos a sua boceta. Prende minha mão e a aperta. Pinta-lhe um ricto amável na face.&lt;br /&gt;- Lerdinho. Era mais rápido. Podia me fazer capitular antes mesmo que esboçasse alguma reação.&lt;br /&gt;- Sempre negou.&lt;br /&gt;- Neguei nada.&lt;br /&gt;- Melhor: se trancafiava numa afasia escancarada.&lt;br /&gt;- Esperava, me descortinava nas reticências.&lt;br /&gt;- Palavras têm de ser ditas.&lt;br /&gt;- Nem sempre.&lt;br /&gt;É-me impossível dar um passo com ela sem claudicar.&lt;br /&gt;- Creio que esteja na hora de ir.&lt;br /&gt;- Você e seus relógios. Seus relógios!&lt;br /&gt;De novo cospe a mim suas fleumáticas e doces circunferências verdejantes enormes. Só há elas.&lt;br /&gt;- Vá. Já deve estar chamando você.&lt;br /&gt;- Ela poderia viver calada e você diria a mesma coisa.&lt;br /&gt;- Você é sempre a mesma criança idiota.&lt;br /&gt;Recolho a blusa de lã. Estendo-lhe chave e dinheiro.&lt;br /&gt;- Não precisa. Ver você vale o prejuízo.&lt;br /&gt;Travo seu rosto em minhas mãos. Insinuo o pescoço para frente. Faltam só três dedos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2970943197693348838?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2970943197693348838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2970943197693348838&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2970943197693348838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2970943197693348838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/08/simples-complicacoes.html' title='Três dedos'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-768952008492935522</id><published>2009-07-19T18:57:00.011-03:00</published><updated>2009-07-19T21:45:36.480-03:00</updated><title type='text'>Lullaby</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SmO8wNy4XcI/AAAAAAAAAEY/x_BRLvk-8j8/s1600-h/foetus-big.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 372px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360335518023835074" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SmO8wNy4XcI/AAAAAAAAAEY/x_BRLvk-8j8/s320/foetus-big.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cinco meses atrás. Lúcia está no banheiro, de cócoras, abraçada à privada. Tem terríveis contrações na barriga. Júlio a espera na cama. Deitado, enquanto fuma um cigarro.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Vem cá, pelo amor de Deus, meu estômago vai se soltar. Não aguento mais.&lt;br /&gt;- A gente tem o que pede. Isto é pra você.&lt;br /&gt;- Estou quase desmaiando, por favor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Júlio se senta. Encara no espelho o rosto dum anjo cheio de compaixão e misericórdia. Levanta-se, dá passos moles até a porta do banheiro. Desgrenhada, com mexas caindo no fundo da privada cheia de um líquido amarelo-esverdeado. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Me ajuda a levantar. Me leva pr’algum hospital, por favor.&lt;br /&gt;- E chegar lá sendo mais um que consente como uma loucura dessas e ainda socorre?!&lt;br /&gt;- Eu te imploro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Palavrinha idiota, pensa Júlio. Mas a comiseração pela dor alheia o domina. Enfia os braços no sovaco da mulher e a arrasta banheiro afora, pelo quarto, corredor, a encosta na parede, que a acolhe em seu azulejo cinza, gelado, o gelo comum. Ele aperta o botão do elevador. Enquanto dirige, olha fixamente os carros à frente. Lúcia se debate. Sua calcinha se encarna. Júlio para o carro na entrada de emergência e caminha vagaroso ao guichê. Dez minutos mais tarde três enfermeiros voam nos corredores. Luzes pálidas pintam de branco o teto azul-claro e se espirram no rosto de Lúcia, que sorri molemente.&lt;br /&gt;Dois meses atrás. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- É tão lindinho. Se parece comigo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Júlio brinca com os dedinhos finos que tentam agarrá-lo como a um pedaço de coisa qualquer. Lúcia limpa o nariz e se vira. Ainda há dor, ela está lá. Ele também está. E as duas coisas a machucam da mesma forma. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Tudo poderia ter sido diferente.&lt;br /&gt;- Diferente como? Você me chamou praticamente de prostituta. Pôs isto acima da gente.&lt;br /&gt;- Nunca pus nada acima de você. Apenas hesitei naquele momento. Você sabe minha formação.&lt;br /&gt;- Existem coisas mais importantes pra você que eu ou que você mesmo.&lt;br /&gt;- Nunca teve pensamentos de uma mulher normal, nunca quis todas as coisas que uma mulher normal.&lt;br /&gt;- Eu quis. Quis mesmo. Mas faz meses que não me sinto capaz de ser assim. Tenho planos pra gente e isto me incomoda. Não queria pensar assim, não queria ser assim. Mas é impossível controlar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Olha para o teto. As luzes estão acesas, apesar das três da tarde. Agora, porém, elas não mais brincam, não escorregam sobre sua cabeça como três meses antes. Estão amareladas, apodrecidas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Vamos tentar, apenas tentar.&lt;br /&gt;- Nunca me respondeu o que a gente faria se tentasse e não conseguisse.&lt;br /&gt;- Esta é uma decisão que não vai caber a mim. Peço só pra gente tentar.&lt;br /&gt;- Não sei até que ponto pedir te compromete com coisas futuras.&lt;br /&gt;- Amo você.&lt;br /&gt;- Ama isto também.&lt;br /&gt;- Escolhi você.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um mês atrás. Júlio assiste à decisão do Brasileirão. Um ganido plangente, fino e agudo, se solta do quarto sem decoração alguma e se despedaça nos seus ouvidos. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Faz alguma coisa, eu quero só assistir ao jogo. Só isso que peço.&lt;br /&gt;- Tô há meia hora tentando, mas parece que é pirraça. Faz de conta que eu nem tô aqui, simplesmente me ignora.&lt;br /&gt;- Leva pra outro lugar, pelo amor de Deus, eu tenho que me concentrar, meu time precisa de mim.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vinte e cinco dias atrás. O sol morre devagar numa densa mata de cimento e tijolo. As janelas do 24º andar sustentam carbono igual às do primeiro. Lúcia encosta seu queixo no ombro do marido. Roça, suave e melancolicamente, os pelos desnudos abaixo do umbigo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe me levava prum parquinho todo finzinho de tarde. Eu ficava lá, brincando no balanço e pensando o que seria de mim se não a tivesse mais. Eu chorava, chorava alto, dava pra escutar por toda a Aclimação.&lt;br /&gt;- Você deve ter sido uma menininha muito mimada.&lt;br /&gt;- Talvez até tenha sido. Mas acho que não do jeito que merecia. Ela me colocou ali, me pôs no seu Mundo. Talvez devesse mais pra mim do que pudesse dar. Não sei. Meu pai sempre me disse que tudo é pálido quanto a minha pele. Não sei se era tudo o eu, ou tudo o tudo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lúcia se solta de Júlio e vai à penteadeira. Um lenço branco que ela usava nos dias em que se sentia triste força as veias do pescoço. Afrouxa-o. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- São coisas que não têm volta. É um Mundo novo que se abre pra gente. Difícil e complicado como deve ser. Até que ponto você tem certeza disto?&lt;br /&gt;- Os sentimentos estão te atormentado. Eu não disse nada. Precisa acreditar que esta seja a decisão certa.&lt;br /&gt;- É me pedir demais. É a que menos dói.&lt;br /&gt;- Não poderá mais ver ninguém.&lt;br /&gt;- Não quero voltar atrás. Tenho muito medo do que possa fazer com isto se recuar agora. Quero proteger isto. Me sinto responsável por isto.&lt;br /&gt;- Eu te disse que a decisão seria sua. Pois é.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cinco dias atrás. As rodas do avião andam devagar enquanto se posiciona para subir. Lúcia não desgruda o rosto do vidro. Antes, o medo a fazia nunca viajar na janela. Agora tem ele. Júlio o segura, evita que qualquer parte toque Lúcia. Duas finas linhas correm por sua bochecha e explodem em seus seios vazios. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Me promete que a gente vai ter uma vida feliz, como a gente tem direito.&lt;br /&gt;- A gente vai se arrumar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dois dias atrás. Estão num grande campo aberto, em meio ao amarelo outonal de Quebec. O Sol não espanta o gelo fino que sopra de lado. Andam devagar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Aqui é o melhor lugar. Logo, logo isto vai estar resolvido, e vida de nós três vai recomeçar. Bem, muito bem.&lt;br /&gt;- Deus, proteja isto de todo o mal. Que sua vida seja feliz, como a nossa está prestes pra ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Lúcia chora, estranha sua voz, gutural, rouca e vacilante. Júlio o carrega a uns arbustos que coroam a porta principal. Tudo se silencia. Ajeita calmamente as cobertas, cobre-lhe as orelhas. Passa-lhe a mão na testa, curva-se e lhe beija o rosto. Lúcia se aproxima e, pela primeira vez, toca sua boca naquelas bochechas tão brancas quanto às dela. Júlio tem de levantá-la. Saem, virando-se amiúde.&lt;br /&gt;Hoje.Lúcia está sentada na poltrona do corredor. O comandante acaba de avisar que atingiram velocidade e altitude de cruzeiro. Segura firmemente a mão do marido. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Me sinto totalmente desamparada quando percebo que nunca mais vou ver minha mãe. Vai me fazer tanta falta! Queria tanto que ela estivesse aqui, agora!&lt;br /&gt;- Vai passar.&lt;br /&gt;- Dói demais. Tenho medo de não dar conta.&lt;br /&gt;- Vai sim. Em Argel vai se sentir bem melhor. Que mal tem a gente ser feliz?! É direito.&lt;br /&gt;O avião abre caminho em meio a grossas nuvens.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;* Capa do álbum Ágætis Byrjun, da banda islandesa Sigur Rós.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-768952008492935522?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/768952008492935522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=768952008492935522&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/768952008492935522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/768952008492935522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/07/lullaby.html' title='Lullaby'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SmO8wNy4XcI/AAAAAAAAAEY/x_BRLvk-8j8/s72-c/foetus-big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-9213298383876486525</id><published>2009-06-23T12:26:00.014-03:00</published><updated>2009-06-23T13:12:09.947-03:00</updated><title type='text'>Não coce meu rabo com seu canudo, por favor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Juro que tentei não comentar a decisão do STF. Juro mesmo. Meus dedos latejam desde a semana passada, quando colegas de profissão se manifestaram por MSN, blogs e afins, atacando os deuses de Brasília.&lt;br /&gt;Para começo de conversa, explico, sou totalmente favorável à exigência de diploma para a profissão de jornalista. Entretanto, uma perguntinha básica: desta enxurrada de galanteadores globais, atuantes em CNTs e outras bodegas, com um canudo guardado sabe-se lá onde, quantos são jornalistas ou sabem o que significa a porra desta terminologia?&lt;br /&gt;Salutar, principalmente para questões salariais, defender as habilidades teórico-práticas dos homens de óculos com aros grossos, mal barbeados, e mulheres medonhas (a maioria que trabalha em jornalismo é feia para caralho; bonitinhas, além das que aparecem na tela, são muito poucas). A questão é que nem eles fazem ideia sobre o que propugnam.&lt;br /&gt;Durante meus quatro anos de faculdade acreditava que o quinhão que me cabia pelo esforço em passar no vestibular numa universidade pública e ainda aguentar a lengalenga não repousava nas aulas específicas sobre o “quarto poder”, mas na oportunidade de contatos com pessoas cuspidas dos diversos cantos deste lindinho e adiposo país de Alice. Nada ali me convencia que jornalismo pudesse ser encarado como uma profissão séria. Li bastantes livros a respeito do dito cujo, verdade mesmo. Tinha de entregar resenhas e odiava só desdobrar as orelhas, algo pessoal. Mas se aprendi algo que não seja execrável, isto aconteceu em literatura alheia. Até gibis me prendiam mais a atenção que aquelas porras moralistas do inferno tentando doutrinar. Com exceções, é claro; há livros de jornalismo extremamente coerentes, mas são exceções, infelizmente.&lt;br /&gt;Do curso, saí convicto de que toda a formação deveria ser focada na comunicação social, extremamente teórica. Jornalismo mesmo apenas uma especializaçãozinha de um ano ou ano e meio, no máximo. Quarenta e oito meses para aprender que em rádio e TV se escreve da forma direita -sequência sujeito, verbo e predicado- e em frases que não passem de duas linhas em caixa alta?! Vá tomar nu cu!&lt;br /&gt;Dia desses me emputeci com uma agência de marketing que tentou me enfiar goela abaixo a porra dum “fee” mensal. Por que estes porras não dizem taxa? É jogada colocar uma palavra inglês seguida de outra em português, ou é incompetência de articulação no vernáculo? A imbecil esparramou sobre a mesa um alfarrábio de projetos a serem desenvolvidos em 12 meses -até em promoções deu seus pitacos. Imbróglio: era a primeira vez que me via e uma das primeiras que tinha contato com a empresa em que trabalho. Porra, como dar soluções se nem se sabe em que ponto está o problema, sem pesquisa de opinião séria, sem análise acurada da bosta toda?&lt;br /&gt;Com o jornalismo, não é diferente. A faculdade repassa máximas arcaicas. E interessante é que os caras se sentem os fodões quando pensam burlar a censura do dono, publicando matéria carregada de “opiniões”. Quem edifica opinião coerente numa apuração de duas horas ou muito menos? Desconheço.&lt;br /&gt;Defendo o diploma em jornalismo, desde que saibam o que esta porra é. O canudo, até semana passada, era como um sapato para quem não tinha pernas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pegue os jornalões (afinal, um catatau de 80 páginas num papel com mais de 50 centímetros de comprimento por quase 30 centímetros de largura, fedido, é jornalão, sim). Praticamente impossível a qualquer um que possua senso do ridículo ler mais que o lide de duas ou três matérias. Horrivelmente escritas, perdem até para este texto de outro claudicante espirrado duma excelência em ensino.&lt;br /&gt;Enquanto a zona não fechar as portas, por favor, liberem a suruba. Só não vale fio terra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-9213298383876486525?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/9213298383876486525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=9213298383876486525&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/9213298383876486525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/9213298383876486525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/06/nao-coce-meu-rabo-com-seu-diploma-por.html' title='Não coce meu rabo com seu canudo, por favor'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4516677643743115802</id><published>2009-05-27T23:14:00.008-03:00</published><updated>2009-05-28T12:04:17.988-03:00</updated><title type='text'>Cursos para ser inteligente</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sh30UoaK55I/AAAAAAAAAEQ/mTcl9yiW8Gk/s1600-h/gsat_imagem_290x290.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340693368413022098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 290px; CURSOR: hand; HEIGHT: 290px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sh30UoaK55I/AAAAAAAAAEQ/mTcl9yiW8Gk/s320/gsat_imagem_290x290.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dei um grito. Respirei fundo. Derrubei a remela com um cruzado de esquerda e vi o que cegos veem, porra nenhuma. Tão “cálida” aquela sensação de estar no meio dum nada mais nada que qualquer outra coisa ribombando na cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Conheço pessoas de ação, que sempre serão de ação, sabem por quê? Porque sempre terminam o que começam.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, amiguinhos! De que um malfadado cuspido duma universidade nestas longas e tortuosas peripécias se fantasia para descolar uns trocados e encher a cara de cachaça ou, quando em vez, com um uisquinho! Ô rebuliço pós-moderno mofado em que fui me enfiar! Nem para ser num espartilho (no corpo de uma mulher, bem entendido)!&lt;br /&gt;O quadrante não (que a tia não veja que empreguei não) é assim tão desprezível. Cadeiras estofadas, cafezinho, ar condicionado. Mas toda semana ?! Dinheiro e inteligência, antípodas - Tom e Jerry. Empresários esparramam suas adiposidades traseiras nos acolchoadinhos pretos. Poderia facilamente me aproveitar e enganá-los num lance de prestidigitação, vender a “potente habilidade comunicativa” dum &lt;em&gt;aceçor dimprença&lt;/em&gt;. Afinal, pagaram por algo pior e riem cada vez que enfiam as pernas na saia do ridículo. Custa a brincadeirinha dois paus! Dois paus! Dois &lt;em&gt;merréis&lt;/em&gt; por uma merda de três meses e três bíblias da salvação, construções maravilhosas assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“William James, o mais destacado professor de psicologia da Havard, escreveu seis frases que poderão ter um profundo efeito em sua vida, leitor, seis frases que são o ‘abre-te sésamo’ para a caverna do tesouro da coragem de Ali Babá”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueçam as seis frases, caros. Jesus já é sobremaneira. O excerto, porém, está lá. Juro. Só não (outro não, não assinalo mais) vou dizer o autor. Vocês saberão que o curso se chama D. C.; posso ser expulso e meu trampo não ser meu trampo. Os caras jogaram grana em mim (dois paus!) como se joga água num ralo. Tomaram no cu, questão de dias para observar, mas que façam isto sem ajuda.&lt;br /&gt;Quando comecei a especialização em etiqueta (as maquininhas de escrever se esquivaram destes dedinhos, nem os bichos do mar ou os fungos dos pés me aceitam em suas magníficas rotativas de ilusões) tive um leve senso de regressão. Estava com um pano branco horrível cobrindo o corpo, trazendo uma crosta medonha para um guia de rebanho. Ele virava os olhos e dizia, com ternura: "O corpo (motivo de as pupilas rodarem faceiras) de Cristo." É! Já acreditei que só a religião &lt;em&gt;abestava&lt;/em&gt;. Porém Deus chega vestido de azul, rosa, amarelo etc. e com tantos cajados (au, au!); é inútil denominar seitas. Especialização e D.C. Considerando que posso ganhar dinheiro de uma maneira menos burra (paradoxos, sempre eles) a norma para servir chás e bolachinhas aos fodões se transforma num pseudoinvestimento (amigos errepês, me perdoem). Enquanto isso, no D, a turminha encena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Encontrei-me ontem perto de uma enorme fábrica de caixas, situada numa colina muito alta. Correndo ao redor de todo este prédio, havia uma cerca de madeira desta altura. Subi até a fábrica, abri a porta, entrei e encontrei-me em um longo corredor. No final do corredor havia uma escada em espiral. Subi a escada, abri uma porta de correr e encontrei-me em uma grande sala com altas pilhas de caixas. Havia caixas grandes, caixas médias e caixas muito pequenas. De repente, as caixas começaram a cair sobre a minha cabeça! Acordei assustado, bocejei, espreguicei e voltei a dormir.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E encontrei-me fazendo bilu, bilu, teteia.&lt;br /&gt;A dona dos porcos -não das guloseimas- defende sua prolixidade, berra ter um grande &lt;em&gt;iscritor&lt;/em&gt; da little London que ronca e peida a seu lado. Que &lt;em&gt;iscritor&lt;/em&gt;! Minha vira-latas infestada de pulgas e carrapatos me interessa mais.&lt;br /&gt;Tenho ainda um mês e meio de ciranda, cirandinha. A gravata-borboleta, a uso até dezembro. Grandes chances de mamãe levar pudim de leite condensado ao manicômio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4516677643743115802?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4516677643743115802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4516677643743115802&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4516677643743115802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4516677643743115802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/05/dei-um-grito.html' title='Cursos para ser inteligente'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sh30UoaK55I/AAAAAAAAAEQ/mTcl9yiW8Gk/s72-c/gsat_imagem_290x290.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5349207016734539257</id><published>2009-05-18T17:34:00.005-03:00</published><updated>2009-05-18T17:43:33.891-03:00</updated><title type='text'>O sapo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parou o carro no meio da rua. Baforava o cigarro, escamoteando entre os passantes uma figura ausente, perdida. Tinha de xingar alguém, alguém que não tivesse forma, que lhe faltassem rosto, mãos, cabelos; cutucara e vociferara a muitos, mas aparecia em casa com o rosto inchado ou intumescências regateavam-se nas bochechas.&lt;br /&gt;- Filho da puta! -arrancou enquanto um cara de três metros, espadaúdo, o olhava sem entender.&lt;br /&gt;Culpa deste sapo rangendo na barriga. Sapo irritadiço e folgado, metido num terninho, de língua bem comprida, lambendo-lhe os beiços cada vez que se abaixava.&lt;br /&gt;Sapo não lavava o pé. Era porco, então. Se pulasse a longas distâncias, podia-se dizer que o coelho seria o sapo, não ele. Grande parte do tempo gastava cheirando o cu das sapas. Quem cheira cu?&lt;br /&gt;E o carro rastejava-se no asfalto quente, tirânico, grudando piche e buracos nos pneus.&lt;br /&gt;- Ande mais devagar, minhas patas estão se soltando -olhou para cima.&lt;br /&gt;- É o mais devagar que posso. Você é imprestável, nem sabe se portar numa viagem.&lt;br /&gt;- Se eu soubesse o que fazer numa viagem -disse, enquanto esticava sua língua ao nariz do embasbacado chofer- não seria sapo, seria caixeiro.&lt;br /&gt;- Está bem. Já xinguei um imbecil. O que você quer que eu faça agora?&lt;br /&gt;- O que você quer ser agora?&lt;br /&gt;O sol estava quente. Lá fora, o ar vago chapava. Uns, laricados; outros, lesados. Estava na inércia entre serem pessoas ou se faltava muito para perderem o número escarrado em código de barras. Uma putinha de saia curtíssima e pernas diáfanas saracoteava duma esquina a outra; tinha 20 anos, mesmo aos 15.&lt;br /&gt;- Quero ser forte -disse, ofegando.&lt;br /&gt;- Simples. Pense que é tão fraco que não consegue nem rodar o volante.&lt;br /&gt;Ele pensou e o volante se contorceu em seu eixo, a direção era hidráulica.&lt;br /&gt;- É forte! -os olhinhos do sapo brilharam. -Posso lhe dar um beijo? -perguntou enquanto enfiava a língua na boca do motorista.&lt;br /&gt;- Que nojento! Você é um sapo.&lt;br /&gt;- Como posso ser eu?&lt;br /&gt;- Sendo você e, como você, não passa de um sapo estúpido.&lt;br /&gt;- Não falo com sapos -disse, chacoalhando os ombrinhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5349207016734539257?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5349207016734539257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5349207016734539257&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5349207016734539257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5349207016734539257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/05/o-sapo.html' title='O sapo'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5358448823915819984</id><published>2009-04-25T21:42:00.016-03:00</published><updated>2009-05-07T10:28:22.532-03:00</updated><title type='text'>Conceitos filosóficos?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As xoxotinhas não sorriem faz um tempão a minha pica. Aliás, nunca escancaram seus lábios, alvoroçadas. Antigamente, porém, se comportavam diferente nos lugarzinhos esquisitos, rodeadas de pessoas com caras e bocas piores que novela global, mas tudo bem. Estavam na prateleira como coisas vendidas em moquifos por moleques mais fedidos que meu pinto depois de torrar o dia inteiro numa calça de algodão horrenda, empacotado numa cueca suando pacas. Estão agora enjoadinhas.&lt;br /&gt;Tem-se de gastar dinheiro para caralho num restaurante e uma série de coisas reles. E eu, sovina que só, bato uma olhando a nota de cem no chão. Gozo, ponho a grana no bolso, cheio de satisfação, e a queimo em bebidas ou algo que valha mais. Elas se sofisticaram. Jantarzinho, motelzinho chique; tudo para acabar com as pernas arregaçadas na posição de dar à luz, mas na contração inversa.&lt;br /&gt;Zoo uma mina que conheço; ela faz corpo mole sempre, tipo: “Vixi, desgosto deste trem, você perde tempo me cantando.” Só pergunto se o arbusto é tiquinho ninfomaníaca. Insiste em porra nenhuma. Custa gritar “camarada, eu gosto de foder para e com caralhão, mas você é feio, fede, chato e bobo?” Simples. Do mesmo jeito que escolho o que comer no meio da sessão atônita de sono num trabalho em que se renasce o tempo inteiro para nada que julgue importante, e o calombo doendo ao esgarçar minha cueca, escolho quem traçar. Posso ser hiante com a tiazinha do café sobre o quanto acho o sexo bacana, porém não se infere que queira lhe passar o saco (que nojo!). Bom, talvez.&lt;br /&gt;Quando me masturbo os objetos em derredor ficam monstrengos, se transformam, me interesso pelo gargalho de coca-cola; o pinto é maior que a circunferência. Já o sexo frágil se encastoa em armadilhas vagas, justificando-se num delírio pós-parto ou num simples cu doce ao retribuir o xaveco.&lt;br /&gt;Mulheres têm medo de caras que posam de versados ou que realmente sabem alguma coisa. Suas cabecinhas pressionadas pelo peso da azeitoninha doem. Fogem de quem pensa -e com razão. Querem para foder, tanto com ele quanto com a grana dele. Mas o cu doce surge, exigem verborragia imaculada, sugerem ao camarada usar parte de seu cérebro liberada nestas ocasiões. Sexo é diferente de um jogo nevrálgico hipostasiado em ponderações e silogismos -ou alguém pensa em Sócrates ou Platão quando está fodendo? Nem meu professor na universidade, que devia limpar seu esperma em &lt;em&gt;Assim Falava Zaratustra&lt;/em&gt;, age deste jeito, creio. Quem sabe tenha uma quedinha pelo bigode de Nietzsche, moita tapando o beicinho alisando suas espinhas dorsais. Descascar berrando: “hei de ruminar muito tempo as suas palavras como se fossem bons grãos; os meus dentes devem triturá-las e moê-las muitas vezes, até me correrem pela alma como leite?” Para que lugar o bom senso foge?&lt;br /&gt;As gônadas doem numa abstinência sexual grande (estão ardidas para cacete faz tempão). Cogito sair com Paulo Coelho (sempre ele) no bolso e, ao me esfalfar para trazê-las a meu quarto quente e escuro, rememorar a ceninha final em que a putinha encontra um "amor" igualzinho a &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt;. (Nada melhor que Coelho, o mestre das porcarias pseudoliterárias). Aí vão correr de mim, me achar sentimental para caralho, um passo à viadagem. É só foda; não encontro de anônimos infestando vícios saudáveis.&lt;br /&gt;Tudo para uma metidinha. Cai ou deixa de fora a língua? Lamba grelinho quente e tome no cu, poderia ser slogan de clube destinado a homem que tenha o rabo coçando. A menininha se apaixona, fica triste só porque me refestelo noutro lado e ronco peidando, peido roncando. Se um homem continua de pau duro após uma transa é que faltou à mulher a capacidade de fazê-lo gozar. Se o pau amolece, o papo desce junto. Entreter-se em discussões bucólicas depois de uma foda, para quê? Diálogo, brincadeirinha legal forjada pela sociedade. Mas grelo é língua? Duvido, só eu o lambo, nunca me lambeu -melhor assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5358448823915819984?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5358448823915819984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5358448823915819984&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5358448823915819984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5358448823915819984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/04/conceitos-filosoficos.html' title='Conceitos filosóficos?'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4553280283625225237</id><published>2009-04-19T19:40:00.030-03:00</published><updated>2009-05-07T09:42:30.777-03:00</updated><title type='text'>Um gole</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao fundo do guarda-roupa jaz a garrafa de Grant's pela metade. Está lá porque acho sobrepujante demais a minha mãe o alcoolismo do filho mais novo. Outros dois gostam de bebericar em festas moles e depravadas. Tanta coisa me falta para sentir uma festa mole e depravada!&lt;br /&gt;Está um entardecer triste de domingo, igual quando criança e pensava em ter de me levantar cedo noutro dia para quatro horas e meia de palavrórios bestas de professores idiotas enfurnados em óculos de aros grossos, jalecos desbotados e calças puídas se rasgando. Relembro as cabeças à mostra num cabelo desprezível, ordinário.&lt;br /&gt;Meu irmão se fode na puta que pariu deste país que se chama Nordeste. Falta-lhe dinheiro para voltar. Possuo algumas economias, mas o que tenho a ver com a desgraça dele? Este não é o ponto elementar.&lt;br /&gt;Ninguém pode mais ficar bêbado despudoradamente. Num churrasco, ontem, diversos colegas de trabalho se escandalizaram com meu estado de entorpecimento debilitado, juvenil e asmático. Se tivesse fumado &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; -como queria- toda a imagem de pessoa competente (&lt;em&gt;leia-se bronco que faz suas tarefas e a de muitos cheio de destreza e lascívia ímpar, verdadeiro construtor de superações&lt;/em&gt;) cairia por terra. O Sol morre tristemente atrás de casas de madeira debruçadas no peso da idade ou por desconhecer o que realmente protegem. Uma luz amarela forte e doente cobre os últimos espirros do Sol. Colorem com refletor, como se pudessem recriar o brilho cego de uma estrela que se cansou de envergar sua função. Sempre acham que podem.&lt;br /&gt;Nos últimos dias fiz coisas que pensava não mais ser capaz de fazê-las. E me senti até feliz, uma alegria melancólica, mordaz, mas convincente. Só que acabou. Meu amigo foi embora e estou jogado novamente nesta merda idiota chamada sociedade pós-moderna ou qualquer adjetivo inventado por quem desistiu de viver, ganha dinheiro a explicar fatos, enclausurado em suas paredes mofadas e pardacentas.&lt;br /&gt;- Ficar neste quarto, em frente a estes livros, seu cérebro vai acabar corroído. Vai tresler - diz minha mãe, passando suas mãos enrugadas em meu ombro. É um ponto.&lt;br /&gt;Há pessoas que se orgulham tanto da falsa habilidade em escrever, verdadeiros depravados. Já me deparei com blogs em que o autor afirmava, alto e claramente, só se casar com alguém que escrevesse melhor que ele. A internet está virando uma zona de egos toscos, de pessoas que se sentem superiores às outras porque se exprimem em palavras bonitinhas, adjetivadas, e com ranço obsceno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada vez mais me convenço de que o desenvolvimento intelectivo seja um obstáculo insuperável à felicidade. Se conseguisse realmente libar uma alegria plena (anestesiada, como todas as outras), me sobraria pouco tempo a perder em coisas podres ditas a ninguém ou que a ninguém interessam. Talvez escrevesse odes ao amor, às aventuras adocicadas num jardim recoberto de girassóis dançando no vento gelado dum crepúsculo opaco, se curvando, enquanto corria, tentando segurar os laços lassos de seu vestido. Duvido muito que uma poesia inebriada pelos destroços numa guerra tenha mais valor que os versos bucólicos duma sinceridade púbere. Escondo-me tão longe, mesmo de coisas tão perto. Fleumático aos espasmos do corpo que dá estertores num campo de batalha gelado; tenho problemas demais comigo. E consigo só rabiscar páginas lúgubres, cancerosas. Sou meu câncer.&lt;br /&gt;Estou metido no quarto e uma morrinha arqueia tudo: o monitor, a penteadeira, a estante, os livros, eu. Dá nojo respirar. Fumo para ver se o cheiro afasta o peso deste ar imbecil.&lt;br /&gt;A garrafa de Grant's se recosta num canto quente, porém agradável, do velho guarda-roupa de dobradiças esgarçadas. Preciso de meu Grant's. Vagabundo salvando outro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4553280283625225237?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4553280283625225237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4553280283625225237&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4553280283625225237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4553280283625225237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/04/um-gole.html' title='Um gole'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-103735665323203794</id><published>2009-04-17T21:20:00.003-03:00</published><updated>2009-04-17T23:46:39.465-03:00</updated><title type='text'>Linda Subida-Descida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SekrMvJiaGI/AAAAAAAAAEI/wMGoEd5N-OY/s1600-h/1154245_89866533.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325835532157216866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 493px; CURSOR: hand; HEIGHT: 336px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SekrMvJiaGI/AAAAAAAAAEI/wMGoEd5N-OY/s320/1154245_89866533.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Queria lavar você em uma tempestade de anjos,&lt;br /&gt;Queria jogar em você as luz dourada deste Sol que me queima o rosto&lt;br /&gt;De um jeito gostoso&lt;br /&gt;E foge faceira igual criança.&lt;br /&gt;Queria enlamear você em algodão-doce cor-de-rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria estar em você embaixo do céu azulzinho.&lt;br /&gt;Queria lhe mostrar o quanto as coisas são bonitas&lt;br /&gt;Quando se tira os óculos escuros.&lt;br /&gt;Queria jorrar em você o tom verde e rosa&lt;br /&gt;Que me protege os olhos de cores escuras e sombrias.&lt;br /&gt;Tenho medo delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança tinha medo de dormir sozinho.&lt;br /&gt;Tenho medo de dormir sozinho.&lt;br /&gt;Tenho medo de estar só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria estar com você aqui e agora brincando em suas pintas,&lt;br /&gt;Rodeando-as e as colorindo do jeito que fazia no jardim de infância.&lt;br /&gt;Queria apenas que você entendesse que estas luzes não se vê&lt;br /&gt;Sob estes óculos escuros acinzentando flores,&lt;br /&gt;Tornam opacos pessoas, Sol, céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você se deixasse viajar comigo&lt;br /&gt;Em meu pônei caramelo, verde claro, amarelo e lilás,&lt;br /&gt;Queria esculpir com você bonecos nas nuvens&lt;br /&gt;Que de tão brancas dá vontade de comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você fosse comigo&lt;br /&gt;Sem relógios, sem roupas, sem óculos escuros,&lt;br /&gt;Sem aparelho nos dentes,&lt;br /&gt;Sem Deus, sem Diabo,&lt;br /&gt;Sem ódio, sem pecado,&lt;br /&gt;Sem nada que não fosse amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentiram muito.&lt;br /&gt;Vivem mentindo.&lt;br /&gt;Acordam mentindo.&lt;br /&gt;Dormem mentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que você sentisse as coisas&lt;br /&gt;Sem classe alguma,&lt;br /&gt;Uma beleza não mofada,&lt;br /&gt;Crua,&lt;br /&gt;Cheia de caramelo, verde claro, amarelo e lilás.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-103735665323203794?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/103735665323203794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=103735665323203794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/103735665323203794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/103735665323203794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/04/linda-subida-descida.html' title='Linda Subida-Descida'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SekrMvJiaGI/AAAAAAAAAEI/wMGoEd5N-OY/s72-c/1154245_89866533.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4843038319133320369</id><published>2009-04-05T18:19:00.010-03:00</published><updated>2009-04-05T19:38:46.402-03:00</updated><title type='text'>Santíssima Trindade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As mãos grandes e grossas desenham na toalha um monstro preto distorcido no pano chanfrado. Os raios da televisão aureolam-Lhe a cabeça, dissimulando o sorriso caído à esquerda na mordedura torta e escrota, pintando em Seus cabelos brancos um contorno vermelho esquizofrênico; sangue de dentes atilados. Ninguém se arrisca a conversar coisa alguma.&lt;br /&gt;Deus, quando fez o Mundo, escolheu as merdas que o Mundo iria fazer. E aquela bosta toda só saiu porque Ele quis. Beijou Jesus com sua boca arrogante e traidora e disse: “Querido filho da puta, vá morrer sob o sol escaldante de uma nação seca.” O Espírito Santo, Ele o colocou no colo e lhe cantou canções de ninar. Sente o hálito fresco do Espírito ainda toda manhã, quando lhe dá bom dia na cama.&lt;br /&gt;Se meu pai virar as costas a mim, o mando à merda. Talvez não. Talvez sinta a indiferença consoladora como sinal de carinho. Vá saber.&lt;br /&gt;- Ele pensa muito em mim - ela diz, pensando mais Nele que nela.&lt;br /&gt;Eu estou agora esticado no sofá alisando a barriga, torcendo o fio do bigode. Nunca tive muitos pelos. Aos 25 anos, fiapos disformes pretejam-me o rosto marrom. Comecei a sujar de sangue a navalha aos 12, aconselhado pelo meu irmão oito anos mais velho. Quanto mais raspasse, dizia ele, mais cheia minha barba ficaria. É rala, não vai passar disso. Por preguiça, não me esconhoo.&lt;br /&gt;Todos os almoços são metricamente iguais aqui. Não existem discussões. Circunspectos, os cinco atêm os ouvidos às piadas sem graça de Deus, a Seus dias enfadonhos no trabalho, tempo que Ele pretende transformar em mantra tingido com cores lúgubres irisadas. Acredita ser felicidade.&lt;br /&gt;Eu me lembro das contendas que amiúde tenho com meu pai. Tolas, na maioria das vezes. Cada um segura seu carretel de ideias e argumentos esfalfando-se para convencer o outro de suas pseudointelectualidades. Terminamos estendo as mãos, complacentes, sorrisos assoprados por dois bons amigos que entendem a necessidade de que as convicções -por mais intrínsecas e cegas- sejam postas à prova ocasionalmente. Se jogássemos nosso relacionamento embaixo de um toldo protetor e escuro, interjecionando a voz surda, ficaríamos basbaques com a hipocrisia que mela a coisa toda, charlatanice seminal nos escombros aleatórios, no ricto besta, no faniquito chique, na dentada torta no pedaço mole de nossos corações.&lt;br /&gt;A quase 600 quilômetros longe do meu velho, o relógio dá pancadas. Suas batidas reverberam, chacoalham-me a cabeça. Os móveis não rangem à noite, a televisão tem seu volume máximo no mínimo. Toda sinuosidade lasciva arrebenta na porta de vidro vigiando pessoas ao redor. Quase nenhum dos seis é assunto; só o Espírito Santo cresceu à sombra imponente desta Árvore centenária de mãos grandes e dedos pequenos, de barriga volumosa e branca, de nariz adunco.&lt;br /&gt;- Eu não posso forçá-Lo a nada. Tenho de me virar.&lt;br /&gt;Estou admirando a compleição tristemente bela e resignada de Jesus. O Espírito Santo chega. Deus ao seu lado. Estão contentes.&lt;br /&gt;- Venham ver nossos carros novos - o Espírito chama.&lt;br /&gt;Meu Jesus pula do sofá, agitado. Sua vida me parecesse ordinariamente vagabunda quando se satisfaz na alegria imbecil alheia. Nós: solidariedade cega e egoísmo claudicante.&lt;br /&gt;Ela e eu nos topamos num labirinto centrifugante sem rotas de saída. Queria só comê-la. E me atordoei num recalque que andava sem alarde e articulava frases fugidias, bruxuleantes. Amei primeiro suas expressões atadas e pensamentos dispostos num corredor escuro, de paredes marejadas a óleo, duras, fedendo ranço. Estou agora tão apegado a ela, tão preso a seus olhos pálidos -olhos que embaçam qualquer “hei”, qualquer expectativa de futuro. Tento salvar Jesus. Amo-o no meu ateísmo insano. Tento salvar Jesus. Meu ódio a Deus e ao Espírito Santo brota cheio de verde.&lt;br /&gt;- Nossa, que bonito! - meu Jesus fala.&lt;br /&gt;Dois carros. Dois carros comprados com os pregos rasgando a mão fina e macia, os pés pequenos e delicados. Dois carros pagos com a ignorância de quem se exulta na burrice amodorrada, de quem a empana na redenção de um ateu egoísta, desgraçado e controverso -de um ateu que se comisera com seus passos extáticos, divinos. É-me pesado de mais carregá-lo, salvá-lo. É-me pesado demais esquecê-lo; urubus analisam sua porca e idiota coroa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4843038319133320369?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4843038319133320369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4843038319133320369&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4843038319133320369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4843038319133320369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/04/santissima-trindade.html' title='Santíssima Trindade'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7158861497285804406</id><published>2009-03-19T23:44:00.035-03:00</published><updated>2009-03-20T11:45:13.302-03:00</updated><title type='text'>Você e eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se eu lhe dissesse que continuo tão atolado neste barro de cor desprezível e me pego notando frequentemente a estupidez desta mancha sangrenta, desta terra pisada, molhada, desta chuva que cheira a esta terra maldita, você soltaria uma sonora casquinada, fitar-me-ia os olhos, me chamando de capeta.&lt;br /&gt;Talvez dispense me encarar, sinta vergonha ao rever as formas de meu rosto nas fotos tiradas poucos anos atrás. Só restam riscos. Duvido que tenha sido tratada diferente.&lt;br /&gt;Lembra o quanto zoávamos o funcionário-padrão? Ele, suas opiniões reacionárias tacanhas, aptas a defender qualquer homem que envergasse um terno risca de giz, qualquer pessoa que subvertesse a quintessência do homem, que lhe usurpasse a individulidade nos uniformes largos de malha e calças &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt; surradas. O filho da puta casou com uma suculenta, linda e gostosa que foi minha companheira de classe durante uns dez anos. Sempre quis comê-la, bolinar-lhe os seios enormes, enroscar o falo naquele sorriso metalino. Você deve ter percebido, nunca levei jeito com as mulheres. Foda-se! A questão é que o cara está bem para caralho, enchendo a pança de caviar e acariciando a enorme barriga com uísque importado. Eu? Por que pergunta? Bom, estou aqui. Tomo cachaças horríveis que rebentam buracos no meu estômago, pretejo o sorriso de cera em cigarros vagabundos. Vendi a alma também. A diferença é que a ele pagaram bem mais; a minha não valia um saco de estrume, nem dava para dizer que trocada por merda seria caro.&lt;br /&gt;Bem capaz que nem seja inveja. Envolve tantas pequenas coisas e quiproquós estúpidos transmutados num objeto abjeto; tem dias que a aposta é feita de antemão, basta apenas torcer pela cara ou pela coroa. Amarrados nas mesmas assombrosas e pesadas correntes, temos de arrastá-las e despedaçar rochas que, a cada cacetada, soltam brotos cinza viçosos, mas sem gosto e sem graça. Enquanto ele soube mercadejar a execrável existência de forma mais convincente -fez um leilão de resultados seguros-, me embaralhei nesta inútil, fedida, estúpida e pavorosa cabeça. Joguei-a nas mãos do primeiro prestidigitador que me acariciou as faces e enxugou as gotas salgadas num vagabundo truque de cartas.&lt;br /&gt;Você e eu rindo em meio a discussões sobre Sartre, Kundera, Foucault e Nietzsche, embolados com Bíblia, Paulo Freire, Platão, Maquiavel, embriagados em Kafka, Bukowski, Goethe, Victor Hugo e Dostoievski. Sentava-me a seu lado; você virava a cabeça, esparramando um sorriso lânguido e macio nos lábios finos, moles, pendidos à esquerda. Olhos amendoados no sorriso. Coberta até os tornozelos por saias; da cabeça pendiam ondas tenras de algodões respigados de ouro.&lt;br /&gt;É, eu sei! Repisando lembranças inocentes do tempo de crianças-adultas, as imagens se tornam lascivas, ganham traços que nem fazíamos ideia. Imagem e acontecimento, antípodos! Já assistiu a um show gravado ao vivo? Gravado ao vivo, como pode? O sexo talvez dormisse mais na gônada de quem via do que nas minhas bolas ou na sua mortal sensualidade triangular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pansexuais! Fodíamos com carros passando, livros se abrindo, árvores assobiando, roupas se lambendo. Bucólico toque e pronto. Trepa-se com Deus e o Diabo.&lt;br /&gt;Nós ruímos assim que o fogo verde se esvaiu no cérebro. Puritana, você gritava nunca precisar dele. E o usava transmutado, dissimulado na sua beatitude. Eu? Quero para caralho. Só parei de correr atrás dos segundos desperdiçados, da vida bruxuleando. Torro os nervos no cronometrado e odiento diagrama manhã-tarde-noite, manhã-tarde-noite, manhã-tarde-noite; se me arrancassem os braços continuaria balançando-os alegremente.&lt;br /&gt;Quanto vale um sonho, ou quanto pagam no sonho de um sonho ou na mera imagem esfumaçada de um sonho? Qual é o preço de uma vertigem luminosa onírica? Baixo. Nas barraquinhas alquebradas ao bafo do ar pesado e ardido nesta terra em que só há verão tem um monte. Compram de penca. Idiotas sempre existem. Eis a prova.&lt;br /&gt;Eu? Eu o quê? O bastante já, não acha? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, digo uma coisinha a mais: se pudesse engatinhar de novo, colocaria um cano serrado na boca. Os miolos esvoaçariam a metros de distância. Sua mão caberia tranquilamente no oco (estou dando gargalhadas estrondosas; não me resta grande coisa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;A uma amiga&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7158861497285804406?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7158861497285804406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7158861497285804406&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7158861497285804406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7158861497285804406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/03/voce-e-eu.html' title='Você e eu'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-122957212589028744</id><published>2009-03-12T22:40:00.010-03:00</published><updated>2009-03-15T17:21:59.173-03:00</updated><title type='text'>Frigorífico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sbq18s4IfgI/AAAAAAAAACo/dSadxTvueF0/s1600-h/643575_41944695.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312758764880297474" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 410px; CURSOR: hand; HEIGHT: 279px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sbq18s4IfgI/AAAAAAAAACo/dSadxTvueF0/s320/643575_41944695.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Havia mais ou menos 300 ganchos refletindo -inteiramente ou não- uma luz intensa e fria. Dois terços estavam vazios talvez só fizesse horas; as faxineiras, suas esponjas e a gosma pálida e transparente indicavam. Antes de tudo isto começar pensei em meter os 500 paus que sobraram das férias em memória e placa de vídeo. Só que Daniel entrou na jogada e me tirou da letargia. “É um processo mecanicista, simplório demais; melhor comprar um como o meu, faz tudo o que o computador faz, e com mais perfeição. É claro que ele precisa de um computador, mas vai saber aproveitar as limitações do seu.” Na paulada é difícil acreditar que simples formas macilentas substituam uma DDR 3 e uma Geforce 9600 GT. Só que minha cabeça se contorceu de uma forma retardada, deu um nó na minha paranóica certeza afásica, que estourou no cesto mofado de camisas, calças sociais, ternos, camisetas, bermudas, meias rasgadas, do meu banheiro encardido e incompleto.&lt;br /&gt;Cheguei chutando pedrinhas, enquanto tropeçava nas calçadas purulentas estourando feito espinhas no rosto de um moleque punheteiro cursando o ensino médio. Estava escuro já. Aqueles que estavam uns dez dias pendurados giravam vertiginosamente em seus eixos observados por urubus -durante segundos, achei que quisessem gritar “redenção, salvação”. Contei 30 urubus. Lustrosos, penas penteadas, asas enormes, bicos atilados, olhos. Ah, os olhos! Duas bolas pretas tristes, mas certeiras -olhos “você não escapa”, olhos “entrou aqui, agora rebole”, olhos “seu fado é o mesmo de todos”. Jamais brilhariam por outra coisa.&lt;br /&gt;Eu empurrava um carrinho monstruoso de macroatacado. Debaixo dos 100 ganchos com o &lt;em&gt;S&lt;/em&gt; forçado, nenhuma mancha, nenhum fio de cabelo; apenas o cheiro de álcool e enxofre. Olhava em todas as direções, de todos o jeitos, girando as órbitas, rodando o pescoço. Quase saí com torcicolo.&lt;br /&gt;Bati as rodas numa garrafa esquecida, que virou e "comeu" parte de uma linha amarela instantaneamente. Nem deu tempo de mostrar a Marcos meus traços interjetivos e aflitos de santa criança chata encapetada, e faxineiras já estavam correndo desinibidas -linhas autoritárias no rosto- com esfregões a tiracolo, para limpar minha merda. Caralho, o esquecido era eu! Uma loira de peitos enormes e suculentos esvoaçava o branco de seu avental e o vermelho sintético de seus dedos injetando líquido daquele recipiente em outro buraco, logo abaixo do gancho, no espaço dela. Marcos cravou as unhas em meu antebraço, arrancado couro:&lt;br /&gt;- Sei lá por que você se perde neste emaranhando de coisas iguais - disse ele, com a porra da razão. - Precisa ficar mais atento. Você atropelou a placa “Interditado” - esticou os dedos e rodou um que tinha ficado com o dorso de frente ao corredor esgarçado, corroído e inexplicavelmente limpo em que passavam clientes.&lt;br /&gt;- Quanto tempo?&lt;br /&gt;- Dois meses - retorceu o ombro, adiantou-se dois passos, estacando rente a meu pé. - Sua pergunta era outra, eu sei - alongou de novo os dedos, mas, desta vez, levando-os a minha boca. Contraí, estalei os lábios, enojado. - Foram uns dez dias.&lt;br /&gt;- Só! - gritei. Aquele cara era o avatar do demônio. - Apenas dez dias para se acostumar com tudo aquilo!&lt;br /&gt;- Trabalho, meu caro.&lt;br /&gt;Remoendo meu cérebro -socando ideias alheias ou não infensas à mais estúpida mimetização das pessoas-, decidi vazar, esquecer aquela babaquice, comprar a merda da memória. &lt;br /&gt;Ao atravessar corredores mais largos, “a ala dos excelsos”, como pavoneou o vendedor sem esforçar para vender porra alguma, empaquei no gancho 247, à esquerda. Encarava o produto por cima dos ombros ossosos e lascivos de Marcos. Espadaúdo, orelhas pequenas, mãos menores ainda. Tinha olhos cinzentos, mas brilhavam.&lt;br /&gt;- Ele pensa?&lt;br /&gt;- Claro que não! - disse Marcos, se virando com uma risada cuspida pelo canto da boca. - De qual você está falando? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Na sua frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Este aqui? - apontou para o grandalhão meio esgrouviado.&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Boa escolha rapaz. Leve-o, está barato. Só 600.&lt;br /&gt;- Por que fica balançando os pés?&lt;br /&gt;- Ah, é pelo pé que se mede a esperteza. Quanto mais os pés se mexem, melhores resultados você conseguirá.&lt;br /&gt;- Faz sentido para cacete!&lt;br /&gt;Fazia mesmo, sem zoação. Ali, cerzida em cada um a garrafa de ácido sulfúrico que alimentava a cratera grotesca na nuca.&lt;br /&gt;- A gente os deixa no sistema porque são mais frescos. Você vai ganhar a estrutura, precisa mantê-lo nela ao menos 24 horas - afirmou, analisando a etiqueta. - Depois forneça uma garrafa de 72 em 72 horas. Funciona do mesmo jeito de um celular - apressou-se, ao ver o ponto de interrogação gigante alternando os olhos em canos e parafernálias de sucção grudadas no pescoço sorumbático, mas imperativo.&lt;br /&gt;- Onde arranjo ácido sulfúrico?&lt;br /&gt;- Água de bateria de automóveis. Muitas lojas na cidade vendem isso, até em oficinas de beira de estrada você encontra. Porém, recomendo a desta marca - rodou para o meu lado o rótulo. - É a melhor.&lt;br /&gt;- Desça-o.&lt;br /&gt;Marcos escorregou seus braços pela cintura e o ergueu. Oscilando, ajustou os pés para não se arrebentar com as costas no chão.&lt;br /&gt;- Está bom mesmo, hem? Pesado!&lt;br /&gt;Recostou a cabeça numa almofada e alisou cuidadosamente as pernas, apoiando-as no assoalho acolchoado do carrinho. Caixas de leite não dão tanto trabalho!&lt;br /&gt;- Qual é a garantia?&lt;br /&gt;- Seis meses. Mas tem prazo de validade. Três anos, depois não serve mais. Daí tem de trazê-lo para a gente mandar ao desmanche.&lt;br /&gt;Tremenda idiotice gastar grana naquela bosta, então! Apoiei as mãos no queixo enquanto Márcio escarrava explicações mal-humoradas. Iria me apegar à coisa -sou sentimental para caralho, até com embalagens de Trident. E o meu dinheiro?&lt;br /&gt;-... compensa totalmente.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Rapaz, possuo clientes que já estão no quarto. Garanto a você que não haverá arrependimento. Zeloso, rápido, obediente, prestativo. Existem botões aqui - inclinou-o pelo tórax e roçou o indicador nas costas. - Você controla as funções.&lt;br /&gt;Se todo mundo os esporrava depois de três anos, porque comigo seria diferente? É claro, sabia do sentimentozinho sacana que rolaria -culpa mesmo- quando fizesse isto. Se mandasse a empregada, nem tanto.&lt;br /&gt;- Pago 400.&lt;br /&gt;- Quatrocentos e cinquenta.&lt;br /&gt;- Aceita Mastercard? É débito.&lt;br /&gt;- Naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A um amigo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-122957212589028744?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/122957212589028744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=122957212589028744&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/122957212589028744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/122957212589028744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/03/frigorifico.html' title='Frigorífico'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/Sbq18s4IfgI/AAAAAAAAACo/dSadxTvueF0/s72-c/643575_41944695.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3066087492197517653</id><published>2009-03-06T15:35:00.000-03:00</published><updated>2009-03-08T14:20:21.067-03:00</updated><title type='text'>Como facilmente se irritar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem quer que escolha uma profissão pensa no dinheiro e em sua capacidade intelectiva -idiotice ideologias e verborragias contrárias. E após três anos empacado igual a Uno, a idade chega, papai não suporta mais a cara do filhinho do coração. Está na hora de ajustar o saco dentro da cueca e caçar algo para fazer. Fui a São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em meu escolhido-forçado lugar ao lado do banheiro (voltei de outra viagem em cima da hora e fiquei com o rebotalho da Viação Garcia) encostava-se uma cabeça cheia de fios brancos, pelos de coberta, asas de mosquito e outras coisas que não sei o que eram até hoje. Sandálias jogadas, pés encardidos infectando o assento. Sabia que não era sua poltrona -estava estampada na porra da passagem para qualquer semianalfabeto-, mas quando disse: “- Este é meu lugar”, respondeu-me com um muxoxo: “- Ah, é?” O fedor das unhas entupidas de terra atacou-me a renite. Para cagar, o fone de ouvido pifou. Recoloquei os óculos de sol -mesmo com nuvens que deixavam a manhã de cara emburrada- enquanto retorcia o fio para ver se a merda do MP3 me aliviaria -a mesma estupidez com que se dá pancadinhas no controle remoto. Nada.&lt;br /&gt;- Viajar de ônibus é complicado, né?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Demora tanto! Saiu de Maringá às sete. E só vai chegar às cinco e meia.&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- O bom é viajar de avião. Rapidinho chega. De Maringá a São Paulo não dá nem uma hora - fechou sua “afirmação-revelação” com um risinho irônico do tipo: “- Este desgraçado nunca andou de avião.”&lt;br /&gt;Resguardei o desgastado monossílabo nos lábios cerrados. Olhava a paisagem emoldurada na cortina entreaberta. Se estou na porra da janela, eu decido se meu companheiro vê. É para isto que se compram bilhetes para a janela. E para dar cotoveladas na cabeça de chatos ao ir ao banheiro. Merecia um soco. No entanto, não podia ser tão espontâneo.&lt;br /&gt;Tentar se prender em imagens que se pinta e se passa a borracha com a mesma rapidez é um saco. A mesma merda é ir a São Paulo, Maringá, Londrina, Apucarana; a natureza é legal desde que se possa, ao menos, tocar uma punheta a ela -vê-la escorregar com os olhos esfumaçados é como assistir a filmes pornôs sem descascar uma.&lt;br /&gt;Meu caro colega gozava sua experiência “não compartilhada” a Recife. Contava-me como é olhar tudo “pequeno”. Eu, na maioria das vezes, não gastava palavra. Em outras, expirava mais que respondia.&lt;br /&gt;Uma linda menininha com melenas louras dormia no colo de uma gorda horrenda dois bancos à frente e à direita. Adoro crianças, quer dizer, minha sobrinha de quase cinco anos -pesa o fato de aturá-la só algumas horas a cada semana. A infeliz acordou num solavanco e começou a chorar -“monocanto” inspirado em Bruno e Marrone, Paramore, NX Zero, Fresno, Dinho Ouro Preto, Chitãozinho e Xororó e desafinado como Zezé di Camargo e Luciano. Seria legal se pudesse colocá-la com a cabeça na privada e dar descarga! Mas não passava, eu sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A bosta do ônibus parou às onze e meia para o almoço. Na volta, meu vizinho se exaltou com a potência do ar condicionado.&lt;br /&gt;- Lá fora é tão quente. Aqui é tão fresquinho.&lt;br /&gt;“Não é para isto que esta porcaria serve?”&lt;br /&gt;- Avião é bom. É tudo rapidinho. Já andou de avião?&lt;br /&gt;- Já - retorci o lábio, saboreando o veneno. Seu rosto se retraiu. Soltou um risinho mudo e se virou, calado. Eu tinha arrebentado seu orgulho medíocre. A lazarenta criancinha abrira a boca de novo.&lt;br /&gt;Pode-se até considerar paranoia da Teoria da Conspiração, quando viajo em coletivos nunca uma gostosa senta a meu lado. É fulano roncando, sicrano peidando e beltrano de odores estranhos no sovaco. Nem nas paradas as ninfetinhas surgidas dos desvãos -nem nesta hora compartilhada conosco, mortais cheios de piolhos, manchas esquisitas e que falam alto- me olham. Passo longe de um Gianecchini, Pitt, Gere etc. etc. Só que não sou esteticamente tão desprezível assim, minha mãe jura. Por que dão moral a seres que a própria mãe tem vergonha de acompanhá-los nas ruas? Histórias contadas e recontadas por qualquer amigo “pegador”.&lt;br /&gt;Se for noite é fácil dormir, óbvio. Durante o dia, as coisas se complicam, perdem-se na sinfonia de Ruffles e arrotos seguidos de tosses -“ninguém” percebe a porqueira do imbecil. Na falta de nicotina, meu humor fica tremendamente instável.&lt;br /&gt;- Vai aonde.&lt;br /&gt;- Ao Limão (se fosse da conta dele).&lt;br /&gt;- Por que não desce na ponte do (sei lá que porra)?&lt;br /&gt;- Meu tio me espera na rodoviária.&lt;br /&gt;- Mas é muito mais perto. Ligue para ele e fale para esperá-lo lá.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;Estupidamente incrível como as besteiras de uma vida ordinária se transformam na quintessência de alguém que tem nada a ver. Desço onde quiser, caralho! Se descesse na puta que pariu o problema seria meu, dependendo de quem fosse a puta, é claro.&lt;br /&gt;A criança tinha voltado a encher minha cabeça com aquele grunhido deformado. Pensei no travesseiro. Teriam me agarrado antes de sufocá-la. Meu coleguinha pulou os degraus sozinho. Sobrou mais espaço. Pena que a viagem estava acabando!&lt;br /&gt;(Mesmo com as aporrinhações dos ônibus, sempre fico melancólico nas chegadas. É porque a coisa saiu da metafísica, arrebentando-se no chão imundo dum encaradido, opaco e remelento banheiro em que viciados se picam. Como quando se descobre que Jesus passava o saco em Maria Madalena.)&lt;br /&gt;Na fila, a adiposa -suada e descabelada- sustinha a criancinha. Estava eu logo atrás. A menininha me olhou. Pensei em fazer uma careta e gritar “Buuu!” A infeliz já estava demasiado assustada com minha carranca de poucos amigos que fiz questão de sublinhar. Pela janela, vi um senhor no banco de concreto, boné de autoposto e blusa de lã nas mãos no calor insuportável do março paulistano. Cacoete de velho. Ou da minha família. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3066087492197517653?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3066087492197517653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3066087492197517653&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3066087492197517653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3066087492197517653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/03/como-facilmente-se-irritar.html' title='Como facilmente se irritar'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2752955723844386719</id><published>2009-02-08T20:07:00.000-02:00</published><updated>2009-02-09T22:54:19.897-02:00</updated><title type='text'>Barrett e a capacidade de entender</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SY9Z0jPr9kI/AAAAAAAAACY/jQwBe_jdbDc/s1600-h/612271syd%2520barret.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300554045787469378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 295px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SY9Z0jPr9kI/AAAAAAAAACY/jQwBe_jdbDc/s320/612271syd%2520barret.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SY9ZaTl2cFI/AAAAAAAAACI/kmU314grfe4/s1600-h/SydAbbeyRd75.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300553594908864594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SY9ZaTl2cFI/AAAAAAAAACI/kmU314grfe4/s320/SydAbbeyRd75.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Senti, hoje, falta para caralho de Syd Barrett. Corri ao computador e fiz uma&lt;em&gt; playlist&lt;/em&gt; com os dois álbuns solos do cara. Enquanto &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=i6Pi2VVTr9M"&gt;Baby Lemonade&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; queimava naquela voz gutural - às vezes, esgarçarda - deitei na cama, me enrolei no edredom e contorci os pés. Barrett nasceu em Cambridge, em 1946, e morreu aos 60 anos. Sua arte entrou numa fase legal da minha vida. Poderia estar ouvindo agora porcarias &lt;em&gt;new metal, trash, hardcore&lt;/em&gt;. Mas não. Foi-me apresentado na faculdade por um colega que considero bastante, apesar de ele não nutrir o mesmo sentimento por mim. E com muita razão. Fui filho da puta com ele.&lt;br /&gt;Não diretamente Barrett chegou aos meus ouvidos, mas o som de &lt;em&gt;Wish you were here&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Dark side of the moon&lt;/em&gt;, duas homenagens a ele descaradas. Porra! Que paulada na cabeça! Totalmente diferente das merdas que ouvia (Guns, Red Hot e afins).&lt;br /&gt;Comecei a fuçar. Fuçando, fuçando, encontrei &lt;em&gt;The piper at the gates of dawn&lt;/em&gt;. Se da primeira vez dissera “porra”, fiquei, agora, boquiaberto, a baba escorrendo. Nunca tinha escutado algo tão intenso, nostálgico, delicado, alegre, energizante, chapado, depressivo, difícil - resumindo, uma infinidade de paradoxos. Barrett deixou o Pink Floyd após o estouro do primeiro álbum. Na verdade, o grupo já havia começado a gravar o segundo e alguns &lt;em&gt;singles&lt;/em&gt;. Entretanto o guitarrista e principal vocalista da banda estava mais antenado aos porres de ácido. Quem quiser saber mais, há bastante coisa &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Syd_Barrett"&gt;aqui&lt;/a&gt; (todo mundo desce a lenha na Wikipédia - pelos menos, em relação a Syd, é um site crível em português) .&lt;br /&gt;Ele disse em uma entrevista, após ter lançado o segundo álbum solo, que sempre quisera que os jovens tivessem diversão. Entretanto seu cérebro era uma caixa incompreensível e coerente. Não ficava feliz com o que fazia. Praticamente autista, tinha problemas em construir amizades.&lt;br /&gt;Outra porrada na cara, &lt;a href="http://www.brianwilson.com/brian/index.html"&gt;Brian Wilson&lt;/a&gt;. Com sua &lt;em&gt;surf music&lt;/em&gt;, agitava as baladinhas na década de 60. Foi a resposta à altura que os Estados Unidos deram ao rock inglês, principalmente aos Beatles. E ponha emulação nisto! Um mestre, o chapado e doente mental Wilson. Sua vida e música (apesar de não tão intensa quanto a de Barret) mostravam-se discrepâncias puras. O cara era fora dos padrões. Num natal deu de presente a dois filhos seringas carregadas de heroína. Agora está mais comportadinho.&lt;br /&gt;Quando me pego ouvindo &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1hyiWu9qyo0&amp;amp;feature=related"&gt;The Gnome&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, dos Floyd, ou &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nC2gZMNkyJo"&gt;Good vibrations&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, dos Beach Boys, faço uma pergunta estúpida e recalcitrante: “Os caras que compuseram estas músicas eram realmente fodas: como posso ter a pretensão de achar entender o que dizem?” Transmutavam a angústia dos movimentos complexos de seus cérebros, ao mesmo tempo em que a envolvia numa letargia doce. Quem não se rende a &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KN-j9H0nIDs"&gt;Bike&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, para mim uma das mais belas canções de amor?&lt;br /&gt;Se o máximo outorgado a nós, brasileiros, é cultuar Renato Russo, Humberto Gessinger, Lobão e Cazuza, estamos mesmo fodidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS. &lt;em&gt;Trecho da letra de &lt;/em&gt;Bike &lt;em&gt;que explica por que a considero perfeita:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;I've got a bike&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;You can ride it if you like&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;It's got a basket&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A bell that rings and &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Things to make it look good&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;I'd give it to you if I could&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;But I borrowed it&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;You're the kind of girl that fits in with my world&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;I'll give you anything, everything if you want things&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2752955723844386719?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2752955723844386719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2752955723844386719&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2752955723844386719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2752955723844386719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/02/barret-e-capacidade-de-entender.html' title='Barrett e a capacidade de entender'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tO7om0hRx3g/SY9Z0jPr9kI/AAAAAAAAACY/jQwBe_jdbDc/s72-c/612271syd%2520barret.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-5400608440550094399</id><published>2009-02-07T15:13:00.001-02:00</published><updated>2009-03-18T08:37:23.114-03:00</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Atrás do desenho torto no vidro, a pedra mexida com os dedos centrifugava e ia sumindo. Rodava, rodava, rodava, para acabar. Como todos os movimentos que Paulo vira em 65 anos. Os pneus tinham camada mole de borracha que fritavam no asfalto. Na Europa, a borracha era ainda mais mole. Rodas entortavam-se. Paredes rachavam de um lado ao outro, telhados envergavam. “Somos incompetentes”. O uísque evaporava. Paulo tomou outro gole e lambeu os lábios. Soltou esgares. “Já não tem o mesmo gosto.” Em frente à casa sua, a gurucaia, ocada por cupins, estalava. “Deus também. Só conseguiu se fazer imortal.”&lt;br /&gt;- Faltam passarinhos aqui.&lt;br /&gt;- E o que isto tem a ver? - perguntou Margarida, sustendo uma bacia de plástico rachada com roupas vindas do varal.&lt;br /&gt;- Se não há pássaros, o hino é mentiroso - redarguiu. Tirou do bolso um maço amassado de Hollywood. Acendeu, tragou. O fôlego não permitia mais segurar por tanto tempo. Fez um biquinho e, aos poucos, esvoaçaram círculos.&lt;br /&gt;- Coloque o dedo em um. Faço outro para mim.&lt;br /&gt;- O que foi, está delirando?&lt;br /&gt;- Se nosso casamento também se desvanece, o que tem de errado?&lt;br /&gt;- Você antecipou bastante o fim dele.&lt;br /&gt;- A gurucaia está se despedaçando. Existem pássaros aqui como os tem São Paulo. É preciso rasgar o hino.&lt;br /&gt;- As coisas são diferentes. Não se pode...&lt;br /&gt;- Claro, eles sempre têm razão - suspirou.&lt;br /&gt;Sobreviver era fácil, bastava calar a boca. A poucos metros de sua casa, uma fábrica espadanava fuligem que enegrecia o capô do carro. Havia ido lá, conversado com Rui, auxiliar de um auxiliar. “Não resolveu? Vá à Casa do Povo. Lá, dizem os meios de comunicação, temos vez.” Seguiu o conselho estúpido. Na Casa do Povo descobriu que a Casa do Povo era Casa de alguns Povos.&lt;br /&gt;- Dê-me a garrafa. Estou com sede.&lt;br /&gt;- Incha seus pés. Se está mesmo com sede, beba água.&lt;br /&gt;- Que loucura! Tomar esta porcaria que me arrebenta! Já está bom deixá-la tocar meu corpo...&lt;br /&gt;- Fale baixo, quer que alguém o escute? Ninguém sabe se é...&lt;br /&gt;- Claro. Todos ganham bem com os órgãos podres das pessoas daqui.&lt;br /&gt;Tinha câncer. A cada gole de uísque era como se levasse um soco no baço. Os porres, no entanto, não eram extasiados numa autoflagelação tosca nem existia qualquer princípio de santificação. Achava, simplesmente, o uísque franco. A água, por outro lado, chegava branca, inodora, pingava no copo...&lt;br /&gt;- Seus olhos estão fundos - Margarida apoiou os dedos no encosto do sofá em que ele estava sentado. Girando, girando, o ventilador rangia no teto. Se caísse, esmagaria cabeças. “Saia.” Estalou os beiços, mordeu-os, semiabriu a boca. Resignou-se, soltando apenas um som gutural.&lt;br /&gt;Num caderninho preto de capa dura, Paulo rabiscava contos e poesias. Ordinário, como a maioria dos escritores. “As chaminés, arqueadas pela fumaça tóxica cuspida sem discrição, injetam câncer nos cérebros.” “Sou o parasita que corrói seu corpo, arrebento suas hemácias, infesto de pus seu rosto.” Ao olhar os olhos brilhantes de Margarida, abdicava-se de berrar no meio da rua. Desde que o médico lhe observara a irreversibilidade da doença, pés, mãos e cérebro estavam ali de idiotas que eram. Margarida, porém, viveria. Se mexessem naqueles papéis, cobrariam dela. Da forma como as coisas foram postas - falando mais de si do que da porra das coisas nas quais queria meter o pau, na podridão indecifrável da cidade operária, nas massas insossas se rastejando todos os dias ao pó obnóxio - quase ninguém entenderia. Quando se está fodido, gritar no banheiro resolve.&lt;br /&gt;- Num filme com 90 minutos, 30 são gastos para o final. A proporção da vida teria de ser a mesma.&lt;br /&gt;- Você me faz tremer.&lt;br /&gt;- É como se você não estivesse aqui. Os móveis, a televisão, as janelas, a rua, tudo está tão... Tão longe!&lt;br /&gt;- Toque-me o rosto. Nunca vou sair do seu lado.&lt;br /&gt;- É diferente. Eu estou ao seu lado, só que você está a quilômetros de mim. Quilômetros! Nem minhas mãos percebo mais - espalmou-as nas pernas e, lentamente, se retesou. Encanecidas, com os dedos enrugados e trêmulos. Gentes daquela idade, normalmente, tinham forças. Crianças pulavam amarelinha atrás da janela amarronzada. Cachorros latiam, tentavam morder carros. Casais balançavam-se, roçando os rostos tépidos. Sobre as cabeças, uma imensidão embrutecida, dobrada, apta a rebentar. Os nimbos abaixavam-se a cada ano. Pousou o dedo no vidro. A existência morta e morna daquela massa de areia cozida também fugira.&lt;br /&gt;- Entre o começo e o fim da morte talvez esteja o princípio da liberdade!&lt;br /&gt;- Talvez o quê?&lt;br /&gt;- Pode ser que haja pessoas que nunca conhecerão a liberdade - estalou os dedos magros e longos. - Vou tomar banho. Vá ao mercado e compre iogurtes e aquelas coisas que adora. Hoje é um grande dia para você.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;Não respondeu. Chegou ao quarto, ergueu os braços e tirou do guarda-roupa o violão com cordas de náilon para não machucar. Sorriu molemente, enquanto apoiava o instrumento nas coxas e ensaiava um RÉ maior.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;There is a town in North of Ontario, with dreams comfort memory to spare... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Desfez o acorde. Estendeu a mão sobre as cordas, apagando a vibração de forma seca. “Idiotice tocá-la.” Escorregou-se no lençol. Quando criança, deslizava-se sobre o cetim, abria os braços e as pernas. O friozinho da cama abrandava sua solidão infantil. Mamãe engatinhava no quarto e pulava com a boca aberta em sua barriga, fazendo cócegas. Era muito bonita. Alta, cabelos longos, loiros, anelados. Dedos delgados e frágeis, pele macia, casta. Ao morrer, com 75 anos, havia se transformado num montinho de ossos enrolado em um saco de estopa encarquilhado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lençol de algodão vagabundo não esfriava tanto. Sentou-se. Na penteadeira, a escova de Margarida cheia de cabelos. Do lado direito, seu chapéu panamá desbotado. Havia duas semanas que não se escanhoava. “Tenho de evitar o trabalho dos outros.”&lt;br /&gt;Seus olhos salgavam a água fria saraivando o corpo. De volta ao quarto, tirou da caixa a espingarda velha com a qual se divertia anos atrás no clube de tiro. Limpou-a. Descalçou-se. Apoiou a soleira no chão. Esticou vagarosamente o pé. Retorceu-o e encaixou o dedão na base do gatilho. Descansou o queixo na ponta fleumática do cano. Fechou os olhos. Abriu-os. Escutara o som metálico do portão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-5400608440550094399?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/5400608440550094399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=5400608440550094399&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5400608440550094399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/5400608440550094399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/02/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-330314465214519862</id><published>2009-01-30T22:05:00.000-02:00</published><updated>2009-01-30T22:11:13.081-02:00</updated><title type='text'>Dia de criança</title><content type='html'>Chegue&lt;br /&gt;E traga consigo o gosto gostoso&lt;br /&gt;Da poeira que varre sorrisos sem sentindo.&lt;br /&gt;Este gosto gostoso&lt;br /&gt;Que arrebenta vidraças&lt;br /&gt;Zunindo música seca e surda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, não seque os cabelos.&lt;br /&gt;Vá ao espelho e veja,&lt;br /&gt;Pingos de orvalho fazem festa,&lt;br /&gt;Escorregando nas suas marolas,&lt;br /&gt;Dançando em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegue.&lt;br /&gt;Recoste-se em meu ombro.&lt;br /&gt;Vou afagá-la e lhe&lt;br /&gt;Cantar canções de ninar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixe a porta destrancada.&lt;br /&gt;O ventinho gelado se achega&lt;br /&gt;Só para lhe tocar&lt;br /&gt;As bochechas cor-de-rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Natureza!&lt;br /&gt;Por que inventou a morte lenta de cada dia?&lt;br /&gt;Desconhecia a beleza de minha menina&lt;br /&gt;Quando se arrependeu do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu abre suas janelas,&lt;br /&gt;Coloca o vaso de girassol no parapeito.&lt;br /&gt;Veste sua melhor roupa&lt;br /&gt;Sempre que você passa aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua pele casta&lt;br /&gt;Pousa o perfume suave de minha melancolia,&lt;br /&gt;Invade-me o nariz,&lt;br /&gt;Transformando tudo em carrossel.&lt;br /&gt;Pôneis sorridentes&lt;br /&gt;Brincando de ciranda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, céu azul!&lt;br /&gt;Transforme o amanhã em agora.&lt;br /&gt;Proíba meu riso melancólico,&lt;br /&gt;Com aquela tristezinha inocente&lt;br /&gt;E preguiçosa, de ir embora.&lt;br /&gt;Pinte em mim a cara boba de criança.&lt;br /&gt;Dia nostálgico de inverno,&lt;br /&gt;Friozinho que esquenta bastante!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-330314465214519862?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/330314465214519862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=330314465214519862&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/330314465214519862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/330314465214519862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/01/dia-de-crianca.html' title='Dia de criança'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3565634466153857366</id><published>2009-01-25T13:26:00.000-02:00</published><updated>2009-01-28T08:10:40.903-02:00</updated><title type='text'>Conto de ninar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“As minhas mãos. Ah, minhas mãos! Esquadrejadas com simetria e esmero. Fortes e delicadas. Algumas veias saltam formando um cordão negro que se estende ao antebraço; rijos e suaves músculos. Tanta potência desperdiçada! Coitadas! Minhas mãos se estampam virtualmente. ‘Três adolescentes matam idoso de 75 anos. Segundo a polícia, o homem praticava sexo frequentemente com os garotos. ’ O resto da notícia é uma bosta. Horrivelmente escrita. Foda-se! A idiotice é que mataram o velho porque ele não chupou o pinto com bicheiras de um menino. Estúpidos, defenestrá-lo só porque o pederasta desgraçado não quis descolar a dentadura! As mortes são ultrajantes. Sempre foram. Até os psicopatas, ensopados num sentimento poético, carecem de significado. Morrer não. Sempre pensei em matar alguém. Não pela morte, mas pela sua gradual transformação em não ser. As angústias que a antecedem. Ali sim a morte deve dizer alguma coisa.”&lt;br /&gt;Já nem me lembrava mais daquelas anotações no canto de uma rota agenda marrom com números de telefone, jogada no canto da estante. Tinha 30 anos. Pouca coisa mudara até 15 minutos atrás. Continuei no meu emprego ridículo, ganhando um salário nem sequer ridículo. Acordava todas as manhãs, vestia um terno cheio de vinco, ligava minha BMW, dirigia à Perdizes e tomava café na padaria a uma quadra do escritório. Desde 15 minutos minha rotina se alterou. Não que algo tenha acontecido. Vai acontecer. Um amigo disse certa vez que achava a profissão de guarda noturno a mais estúpida. Sempre se cuida de algo que não é seu, não se pode dormir e se tem como companhia apenas um radinho à pilha. Todas as profissões são retardadas. Sempre se trabalha para o outro, mesmo quando se é dono – há os clientes. Não estou com vontade de monólogos sobre emprego, trabalho ou coisa que os valha. Vou sair. Quatro e quarenta.&lt;br /&gt;A rua está escura. Alguns meninos me ajudaram com o vandalismo. Lá está ele. Ele, indistintamente. Claudica. Parece que tem uma perna maior.&lt;br /&gt;A sensação foi deveras ruim. Chorou, implorou, depois ficou inerme, inerte àquela coisa. Olhava-me por detrás dos próprios ombros. Como se houvesse clichês verdadeiros, o mais mentiroso é: “Difícil é matar o primeiro.” Que dificuldade? Estava eufórico, é verdade, mas não menos que ao ver uma corrida de Fórmula 1 no autódromo. Acho até que exagerei. Cinco tiros, para quê? Morreu mais rápido e não matou minha vontade. Nem deu tempo para perguntar o que estava sentindo. Caiu na calçada toda fodida pelas raízes daquelas árvores coloridas. Ah, as árvores! Logo depois que o débil mental estrebuchara uma folha se desprendeu e pousou em seu saco. As gotas de orvalho reverberavam roxos e brancos, beijavam o falo -um beijo de amor! Foi só! Meus olhos fitavam-nas encantados. As minhas belas mãos, entretanto, haviam retornado ao largo bolso de minha calça preta de linho italiano.&lt;br /&gt;Agora estou eu sentado em meu confortável canapé. Foi só! Mas não pode ser só isto. Não. As coisas devem rolar mais lentamente. Revolver é complicado. Com ele se perde o tino. Por que motivo dar cinco tiros no desgraçado? Sai de controle. Mais tarde resolvo isto. Hora de nanar.&lt;br /&gt;Na Sacramentana havia coisas legais. Comprei uma que se parece com a do Rambo. Apinhada de apetrechos: bússola, anzóis, linha. A porra é um kit primitivo de sobrevivência. Já sobrevivo bem.&lt;br /&gt;- Vamos tomar uma gelada depois do trampo?&lt;br /&gt;- Sei lá. Não estou muito a fim. Quero dar uma relaxada, chegar em casa e dormir.&lt;br /&gt;- Largue de ser veadinho.&lt;br /&gt;Cuidado com a semântica, filho da puta. Mas é meu amigo. Além do mais, Maurício leva uma vida tão fodida que se o matasse estaria libertando-o.&lt;br /&gt;- Vamos, então.&lt;br /&gt;Toda a nulidade do trabalho se expressa na merda dos ponteiros do relógio. Eles rodam como o cachorro caça seu rabo cheio de moscas. Se se levanta, vai ao café, ao banheiro, volta e se senta novamente em frente ao computador e os olha, percebe-se que os malditos deram aquela coçada de saco. Esperam o retorno para continuar em espasmos lassos. Já havia flanado pelo escritório muitas vezes hoje. Como se, assim que me livrasse, fosse correr e acalentar a cabeça no colo de Magda. Ah, Magda, como a amo!&lt;br /&gt;- Vocês se casam quando?&lt;br /&gt;Não sabe se toma o chope ou se conversa. Impossíveis são as duas coisas juntas, imbecil.&lt;br /&gt;- Tudo depende. Estou tentando ajuntar grana.&lt;br /&gt;- Ajuntar grana? – Engasga-se com o chinite. – Porra, você tem um carro da hora, um apartamento filé, ganha dinheiro para caralho! O que mais espera?&lt;br /&gt;- Comer a sua mulher.&lt;br /&gt;- Vou enfiar o dedo no cu da sua, seu retardado.&lt;br /&gt;Não foi uma ideia ruim. Caroline tem um rabo grande. Se a fodesse Maurício ficaria louco. Não falta muito, na verdade. Desde que descobriu que seu pai come a faxineira se emputeceu. O velho foi foda também. Comer a faxineira!&lt;br /&gt;- Poderíamos sair qualquer dia desses.&lt;br /&gt;- E como é o nome disso que estamos fazendo?&lt;br /&gt;- Não assim. Magda e você, Caroline e eu. Os quatro juntos. Entendeu agora?&lt;br /&gt;- Hum. Como queira.&lt;br /&gt;Chegaram há uns vinte minutos. Belas. Uma me encara, olha-me sem ao menos disfarçar. Tem os cabelos longos, excessivamente negros -milagres da Wella. O decote se encerra em seus seios de maçã. Gosto de peitos pequenos. Olhos tisnados e firmes, pele alva.&lt;br /&gt;- Vou mijar.&lt;br /&gt;Tem plena convicção de que vá trepar com o estranho do boteco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As pessoas vendem seus produtos desconfiadas. Desconheço lugar em que, entre o banheiro e a saída, não esteja o caixa. O comércio foi construído por intrujões. Sagrada burguesia! Ardilosa, compara-nos a ela. Este idiota que me sorri atrás da registradora mata o tempo em suspeições. “Aquela está com caganeira, pelo tanto que demorou. O senhor de bigode tem problemas na próstata, só um minuto lá dentro. A riquinha com cara de puta está com os rins fodidos, vai toda hora.” Retribuo a gentileza. Que bosta! Este lugar está se esboroando. Duvido nada se foi o Niemayer que o desenhou.&lt;br /&gt;- Por que me fez sinais?&lt;br /&gt;- Foi tão descarado assim?&lt;br /&gt;- Muito. Por quê?&lt;br /&gt;- Que tal a gente deixar este povo?&lt;br /&gt;- Suas amigas vão ficar chateadas.&lt;br /&gt;- Não. Disse que só viria tomar um copo de cerveja. Tinha de ir a Londrina.&lt;br /&gt;- Elas sabem de mim?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Certeza?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- Está bem. Onde a espero?&lt;br /&gt;- No estacionamento da Matriz. Vou deixar meu carro em casa. Daqui a 30 minutos lá, pode ser?&lt;br /&gt;- Sem problemas. Muito prazer, Ronaldo.&lt;br /&gt;- Prazer, Alessandra.&lt;br /&gt;Podem cacetar minhas mãos, a filha da puta tem um avançado falso bom gosto. Usa Carolina Herrera, Forum, Opananken. É daquelas riquinhas vagabundas, doidas para darem a quem tem mais dinheiro que elas. Trabalhar de Armani impressiona.&lt;br /&gt;- Estou vazando.&lt;br /&gt;- Ué, vai aonde?&lt;br /&gt;- Para casa.&lt;br /&gt;- Não dá tempo nem para a saideira?&lt;br /&gt;- Não. Está tudo certo, já paguei o coelhinho branco de óculos.&lt;br /&gt;- Coelhinho branco de óculos é foda. – De novo a garganta de Maurício apanha com o catarro vindo de seus pulmões destroçados pelo cigarro. Não sei se ri ou se pede ajuda. Vou embora antes que descubra.&lt;br /&gt;Gosto deveras de Arapongas. Cidade próspera para viver quando se é pseudoesperto, mais ou menos 0,15% de seus 100 mil habitantes. Do Paço Municipal àquela “magnífica Casa de Leis”, só idiotas assumidos. E em muitos outros: fóruns, indústrias, lojas, a estupidez grassa. Quando se vai procurar emprego, a primeira pergunta que devem fazer é: “- Articule uma frase simples, sujeito, verbo, predicado.” E o retardado morto de fome: “- Amarelo, azul, rosa, casa, comida, lasanha.” “- Contratado.” As chaminés, arqueadas pela fumaça tóxica cuspida sem discrição, injetam câncer nos cérebros. Nada de surpresa -um burro só consegue dominar um jumento, para me restringir a animais.&lt;br /&gt;- Demorei?&lt;br /&gt;- Não mais que minha paciência suporta. O que está com vontade de fazer?&lt;br /&gt;- Sei lá, a gente pode ir a um restaurante legal.&lt;br /&gt;- Evito lugares em que a chance de encontrar conhecidos seja grande. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Entendo. Vamos a um terreno neutro. Nem meu nem seu.&lt;br /&gt;É um lugar estranho para caralho em Maringá. Nunca andei nestes cantos. Ela, menos. Sente-se o ranço do restaurante da calçada.&lt;br /&gt;- Não há como ficar aqui. Há motéis com pratos maravilhosos. O que acha?&lt;br /&gt;- Aceito.&lt;br /&gt;Como tudo mudou! O quarto é cheiroso; a banheira, grande e luzidia. Espelhos espalhados em todo canto refletem a beleza de minhas mãos, do meu rosto branco com a barba a fazer, dos meus pés meticulosamente desenhados. Sou uma imensidão.&lt;br /&gt;- Vou tomar um banho. Escolha algo para a gente comer.&lt;br /&gt;- Pode deixar. Já vou.&lt;br /&gt;Macarrão ao fungi, escolheu legal. Minha fome é muita. Ela, entretanto, já está com a boca no pau -e a merda do macarrão esfriando. Passa a língua na glande, desliza ao saco e acaricia as bolas. Sobe de novo, coloca meu caralho inteiro na boca. Esforço e vejo apenas as melenas esparramadas, tingindo meu abdome. De vez em quando risca-me o pau com dentes afilados. Mexe-se bem. É boa de trepada.&lt;br /&gt;- Preciso ir ao carro buscar cigarros.&lt;br /&gt;- Vou encher a banheira.&lt;br /&gt;- Ótimo.&lt;br /&gt;Uma da manhã. Nas sinalizações refletivas a estrada eremita surge, impondo sua cor negra, empoada.&lt;br /&gt;- Vamos parar o carro. Ainda estou com tesão.&lt;br /&gt;- Está bem, mas veja onde. Minha sandália não pode atolar.&lt;br /&gt;- Fique tranquila.&lt;br /&gt;Embaixo de um pé de abacate manteiga meto outra vez. Enquanto ela se agacha para mijar -quando querem dar, as mulheres quebram todos os pseudopadrões de dignidade- vou ao carro. Encosto o gume enregelado no pescoço. Ela tenta articular palavras, mas saem muxoxos.&lt;br /&gt;- Calma. Não tenho nenhum sentimento mau em relação a você. Fique tranquila.&lt;br /&gt;- Ti... ti... tire esta..... pesc...&lt;br /&gt;Aperto-a ainda mais para marcá-la. Está sofrendo, vê o novelo de merda ao qual chama vida ameaçando se desenrolar. Beijo sua boca. Que tom glacial! Que falta de humor!&lt;br /&gt;- Você é muito legal, gosto de você, de verdade.&lt;br /&gt;Já nem consegue balbuciar. Quem teve um pano enfiado na goela e uma fita enlaçando o rosto sabe o que digo. Tenho de lhe separar as pernas. Claro, não amputá-las. Que horror!&lt;br /&gt;Demorou, mas terminei. Atei seus pés ao tronco da árvore afastados. A calcinha ainda cheira a pinto. Na ponta da faca, rasgo-a com asco.&lt;br /&gt;- Huuu...&lt;br /&gt;- Relaxe, eu já tiro esta merda de sua boca. Só mais uns minutos.&lt;br /&gt;Beijo a lâmina, que reflete a luz da lua. Volto meus olhos e a vejo ocupando mais da metade do céu reservado a mim. A lua se atreveu a assistir, afugentou as nuvens negras, que dançam agora ao redor. Espigas de milho estalam com o roçar discreto e altivo da madrugada. Alessandra observa-me como um ponto de interrogação na última questão da última prova do ano. Sabe ela que aqui faltam exames.&lt;br /&gt;Passo a faca em seu clitóris. Desço a cabeça e enfio a língua. A lâmina escorrega a seu cu, que se retrai. Como isto tira a paciência de qualquer homem! Enfio a ponta e giro. Não fecha mais. Tanto suor, para quê? Energia vã. É-se tão idiota assim? Pouco pode fazer, resigne-se então, caralho. Retraio a faca alguns milímetros. Escorrego-a acima, atravesso o períneo forçando-a para baixo e atinjo a boceta. Uma ponte! Suja de sangue, mas uma ponte. Cacete, há sangue para caramba. Retiro sua mordaça.&lt;br /&gt;- O que sente, linda Alessandra?&lt;br /&gt;- Seu desgraç...&lt;br /&gt;- Não me xingue. Quero saber apenas o que sente, vê já sua morte?&lt;br /&gt;- Dói.&lt;br /&gt;- Sua dor é tão real assim? Não está imaginando o paroxismo que falta advir?&lt;br /&gt;- Min...&lt;br /&gt;Beijo-a. Só um fleumático a deixaria ali, crua, sem afago nos cabelos. Encosto a cabeça em meu ombro. Suja o paletó, mas tudo bem. Melhor o paletó que a camisa -há outro no carro. Desvanece. Tenho de acordá-la. Dizem que no umbigo dói para caralho.&lt;br /&gt;- Ai.&lt;br /&gt;Refestelo-me a seu lado. Duas horas.&lt;br /&gt;- Vou ficar aqui. Acho tão triste as pessoas morrerem na solidão. Diga para mim o que sente, o que pensa, o que vê.&lt;br /&gt;- A... a...&lt;br /&gt;Três e meia, as órbitas param. Preciso descrever as contrações dos músculos de sua face, as reações espontâneas -não abriu a boca decentemente. Ah, minhas mãos! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3565634466153857366?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3565634466153857366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3565634466153857366&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3565634466153857366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3565634466153857366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/01/conto-de-ninar.html' title='Conto de ninar'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-4455253976038661396</id><published>2009-01-15T23:53:00.000-02:00</published><updated>2009-01-19T19:39:26.994-02:00</updated><title type='text'>Olhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olho seus olhos. Seus suaves olhos de amêndoa. Faz mais de cinco minutos, os encaro com complacência e resignação. Ela também me olha. Estamos presos no fundo dos olhos um do outro. Pouco menos de quatro anos atrás, esta cena seria insólita, prosaica até. Agora, não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou de uma família estranha. Abri minha casa, dispus minhas calças e camisas comprimidas umas nas outras para que sobrasse espaço às dela em meu guarda-roupa. Mas o deixa vazio. Quem sabe pense que é errado? Nada contra mim, mas contra minhas pseudoposses. Tento fazê-la se sentir como se estivesse em sua casa. Porém abre mão disto. De minhas coisas, não desdenha. Só que para por aí. Também sou assim nada casa dela. Por que a recriminar, então? Bastam-me as pintas morenas manchando seu lânguido braço transparente. Duas pintas grandes. Passo o dedo em derredor. Arranco-as com olhos famélicos, guardo-as. São minhas, apenas minhas.&lt;br /&gt;A cada dois meses nos vemos. Já se passaram dois anos deste jeito. Na véspera de se mudar, eu a olhava e ela me olhava, enquanto, sentados, escolhíamos que tipo de coisa monstrenga e gordurosa comeríamos para matar o silêncio. Um melão inteiro havia enroscado na minha garganta. Enquanto a tinha escondido em meu capuz, o amor se revelara simples, fácil. Era minha extensão nela, como se me visse no espelho. Mas não naquela noite. Noutro dia cedinho, ela iria. Encarava-a como um braço meu que havia sido decepado e posto na cadeira em frente por um cirurgião de mau gosto.&lt;br /&gt;- Anne* procurava os momentos perfeitos.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Anne procurava os momentos perfeitos.&lt;br /&gt;- Até que começou a ter de se suportar desde o amanhecer.&lt;br /&gt;- Não posso melhorar isto.&lt;br /&gt;- Por favor, nada vai mudar. Nada vai mudar – começou a tamborilar, com o cabo da faca, na mesa.&lt;br /&gt;Moraria a 509 quilômetros e tudo continuaria igual? Disse mais a ela que a mim. Ficava repetindo: "Nada vai mudar, nada vai mudar."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu olhava, sem reconhecer, a pessoa que havia chamado até horas atrás de “Amor”. Se fosse meu “Amor”, estaria sempre ali, do meu lado. Mas tinha de ir.&lt;br /&gt;- Estou com falta de ar. Tenho de fumar.&lt;br /&gt;- Como assim? Com falta de ar e quer acender um cigarro?&lt;br /&gt;- Se fosse um baseado, você me espancaria. Então vai cigarro mesmo. Já volto.&lt;br /&gt;Saí para vê-la de longe. Observar seus trejeitos, a maneira sôfrega com que tocava os cabelos, os entrelaçamentos epiléticos dos dedos. As sobrancelhas, finas e rigorosamente simétricas, deviam ter sido desenhadas à tarde com muito cuidado. As bochechas encarnadas pelo vento gélido do Outono. Distraía-se para não pensar. Lia no guardanapo a marca de porcarias rápidas entregues em casa. Os olhos, porém, mantinham-se fundos, carregados de uma letargia mole, tépida, pesada. A mulher que um dia vi caminhando, a balançar os lascivos seios, não poderia ser a mesma prostrada na cadeira a poucos metros. Minha metempsicose cessara.&lt;br /&gt;Não foi uma noite fácil aquela. Mas, engraçado, foi a vez que mais me esforcei para lhe dar prazer. Concorreria com a distância, precisava, então, amarrá-la de alguma forma. E meu amor estampara falta de força para tanto. Se tivesse, ela não iria.&lt;br /&gt;Está ela agora, na minha frente, a subverter conceitos que acreditei construir com argumentos filosóficos de concreto. Olha-me. Eu a olho. Olho seus braços, olho seus olhos. Depois de dois anos, descobri que consigo me amar mesmo estando longe de mim. Não é fácil, entretanto. Nem um pouco fácil.&lt;br /&gt;- Por que me olha assim?&lt;br /&gt;- Não entendo por que Dickens** matou Dora.&lt;br /&gt;- Se ela continuasse viva, o que seria de Inês?&lt;br /&gt;- Ah, Dora é tão infinitamente superior!&lt;br /&gt;- Ele descordava.&lt;br /&gt;- Pobre coitado! - Prendo os dedos nas mechas encaracoladas de seus cabelos castanho-claros. - Você é minha mulher criança.&lt;br /&gt;- Não sou tão inocente quanto Dora. Nem tão arteira. E, por favor, pare de me comparar a uma defunta – diz, sorrindo. Os dois dentes da frente são grandes e separados. À medida que a semicircunferência se expande, a arcada apequena-se de forma drástica. Os caninos parecem de criança. Adoro-os todos. E tanto!&lt;br /&gt;- Você não é como Dora. Dora é como você.&lt;br /&gt;- Já pensou que estivesse enganado? - encara-me com o sobrecenho empertigado. Puxa minha cabeça para seu colo e a enlaça com os braços. - Não pode tirar nada de mim que não tenha posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Personagem do romance “A náusea”, de Jean-Paul Sartre&lt;br /&gt;** Charles Dickens, escritor inglês. O livro citado se chama David Copperfield.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Observação:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Este conto surgiu a partir de um relato de viagem do Mongo (http://thiagomongo.blogspot.com). Percebi que tínhamos histórias parecidas e me veio à mente fazer uma ficção sobre isto.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-4455253976038661396?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/4455253976038661396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=4455253976038661396&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4455253976038661396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/4455253976038661396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/01/dentes-separados.html' title='Olhos'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-199388944641798048</id><published>2009-01-12T23:00:00.000-02:00</published><updated>2009-01-13T22:38:33.176-02:00</updated><title type='text'>Questões semânticas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Alemanha, 1940&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Levante, seu porco, filho da puta!&lt;br /&gt;(Puxa o lençol com a ponta do rifle)&lt;br /&gt;- Pare com isto. Não... não fiz nada.&lt;br /&gt;(Recosta-se, acuado, no espaldar da cama)&lt;br /&gt;- Claro que fez. Nasceu e infestou meu amado país e a Europa. Vocês são a escória. Cadê seus filhos?&lt;br /&gt;- Deixem-nos em paz, por favor! São apenas crianças.&lt;br /&gt;(O soldado anda em direção ao quarto dos moleques. O homem o segura pelos braços, tenta dissuadi-lo. Para o rosto no chão frio e seco do corredor cheirando à cera. Vê o reflexo opaco manchado de sangue. Dói muito)&lt;br /&gt;- Esta prole mefítica não pode receber a abençoada designação de criança. São monstros, aberrações da natureza. O certo é acabar com todos vocês. Peste Negra! (cospe na careca debruçada a sua frente)&lt;br /&gt;(O homem mexe a ponta áspera dos grossos dedos. Havia trabalhado durante 30 anos naquela pátria. Merecia muito mais que uma surra, um campo de concentração. Faltavam-lhe forças para reivindicar)&lt;br /&gt;- Não há motivos para fazerem isto. Só queremos ajudá-los edificar esta grande nação. Somos irmãos...&lt;br /&gt;(Pisa-lhe a garganta, mas sem matá-lo. Ratazanas daquele tamanho não se mata asfixiando. Revolve o pé)&lt;br /&gt;- Cale a boca. Você e sua família, um monte de merda. Fedem! Vermes! Se tivessem forças nos aterrorizariam.&lt;br /&gt;- Terroristas?! Nós?! Apenas procuramos viver, trabalhar honestamente.&lt;br /&gt;- A semântica é definida por quem manda. Vocês são terroristas. Ponto final.&lt;br /&gt;(Reagrupam o resto da família para assistir e participar daquela cena. Execução fleumática de cada um)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gaza, 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe-me, senhora. A cabeça de seu filho estava na frente de nossos canhões. Não era nossa intenção.&lt;br /&gt;- Assassinos! Meu bebê só tinha nove anos. Nove anos!&lt;br /&gt;(Berra a mãe, que veste uma roupa surrada, tingida na terra estéril. O chão dá as costas a ela)&lt;br /&gt;- Reitero meu pedido de desculpas (mantém as mãos presas ao quepe roçando sua cintura). Juro que não era nossa intenção. O problema são estes terroristas que brincam de jogar foguetes nas nossas cabeças. Vivemos como em um batalhão do Corpo de Bombeiros, do outro lado da fronteira. A toda hora toca a sirene.&lt;br /&gt;(Cheio de trejeitos, o oficial tenta se mostrar convincente. A mãe brande o filho com miolos arrebentados)&lt;br /&gt;- Terroristas?! Vocês nos expulsam de nossa terra. Controlam tudo. Controlam nossa comida, nosso remédio, nosso nascer do sol. Quem são os terroristas? Ao menos vocês possuem sirenes.&lt;br /&gt;(Enquanto fala, balança freneticamente a cabeça. Marcas de expressão no rosto embaralham a idade. Aparenta bem mais que os 40 anos. Sessenta, talvez. Definitivamente não é influenciada pela &lt;em&gt;fashion&lt;/em&gt; estadunidense)&lt;br /&gt;- Minha senhora (a cara do oficial continua lisa, apesar dos tiques efeminados. Sem sulco, abaixo ou acima das sobrancelhas), está claro que há muitos terroristas aqui. É questão de número.&lt;br /&gt;- Questão de número? (dá de ombros) Veja o que temos. (A mulher passa os olhos vazios nas ruínas dos pardieiros. Uma densa nuvem de areia dança, faz tempo, em caracol. O soldado não a perde momento algum). São só construções velhas, destroçadas por bombas. Imensidão de pessoas amontoadas numa colônia de férias do inferno.&lt;br /&gt;- É. Não adianta (enche os pulmões e bafeja em um imenso ruído)! Não vamos concordar nunca. A senhora também é terrorista. É tão terrorista que nem merece morrer. Pesta Negra! Enterre este resto de carne. Vou deixá-la viva para se lembrar, a cada segundo, desta cabeça aberta, com o cérebro espedaçado. Quem sabe amanhã a ONU nos expulse, nos mande à África, à Groenlândia, e crie um Estado bonitinho a vocês! Mas, a semântica é definida por quem manda. Neste momento vocês são terroristas. Ponto final. Como dizem os charlatães: é impossível deslindar o amanhã.&lt;br /&gt;(O esbelto jovem sai assobiando uma canção em homenagem a Javé. Pula e flexiona a perna direita atrás da esquerda. Some na nuvem de areia)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-199388944641798048?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/199388944641798048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=199388944641798048&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/199388944641798048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/199388944641798048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2009/01/questes-semnticas.html' title='Questões semânticas'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3629204869867942338</id><published>2008-12-24T20:01:00.000-02:00</published><updated>2009-01-05T13:25:39.930-02:00</updated><title type='text'>"Feliz Natal" e Parkinson</title><content type='html'>Coisa chata é dar “Feliz Natal!”. Aquelas mãos moles, suadas, cheias de vermes e pelos eriçados. “Feliz Natal!” é um mantra. Um estúpido mantra. Minha mãe está com as costas viradas para mim. Conversa com um primo distante. Estão alegres. Não sei se por se verem ou pela bosta da noite mesmo. Daqui a pouco ela vai me chamar. Tem a porra da Missa do Galo. Minha mãe prometeu que não me torraria o saco se eu assistisse àquela merda. Poderia beber até cagar fogo. Ela não entende que Jesus e um jumento nascendo têm, para mim, a mesma importância. Nunca vai entender. Pais e filhos são dois lados estúpidos de uma mesma moeda. Uma moeda aberrante.&lt;br /&gt;Bento XVI tem a cara legal. Altivo, fala com a voz pausada -uma calma extremamente firme. Mas eu gostava mais do João Paulo II. Era bacana vê-lo tremendo como bambu verde. Quando ia mijar devia ser uma piada. Bem provável que tivesse uma banheira como patente. Caralho, que cena monstrenga!&lt;br /&gt;- Meu filho, já está quase na hora, hem? Não vá se esquecer de cumprimentar seus tios.&lt;br /&gt;- Fique tranquila, mãezinha. Antes tenho de beijar alguém que realmente merece.&lt;br /&gt;A testa da minha mãe estava suada. Salgada para caralho mesmo. Não tive nojo. É minha mãe. Sou uma extensão dela, dos gametas dela e de meu pai. Vim do saco, saí pelo pinto e depois pela boceta. Por que teria nojo de beijar-lhe a testa? Não saí das outras pessoas que estão aqui. São estranhas para cacete.&lt;br /&gt;Fico pensando que graça alguém acharia se todos pagassem pau no dia de seu aniversário. Festas de aniversário são um saco. Pretenciosas demais. Porra, todo mundo curvado porque um idiota a mais nasceu! Como se pudesse parar as engrenagens quando contrariado. Acho até que Jesus cagaria e andaria para isto tudo. Tinha suas crenças. Realmente acreditava naquela merda saindo da boca. Se visse a desgraceira que virou! É fardo demais para um homem. As dores do mundo. Faça-me favor!&lt;br /&gt;- O que foi sobrinho?&lt;br /&gt;- Nada não. Estou só brincando com o cachorro. Ninguém deu atenção a ele.&lt;br /&gt;- E ele lá se importa!&lt;br /&gt;Verdade. Quem se importa? Por que me importaria com este velho careca que se levanta e anda saltitando em meio a cadeiras e pessoas? Não tinha razão alguma para vir falar comigo. O clima de Natal asfixiou todos numa lacrimejante poeira cósmica, transcendental. A cada “Feliz Natal!”, cospem gotas de prosperidade uns nos outros. Pensam que têm poder demais. É como se o Sol se sustivesse à meia noite. Em algumas partes do mundo isto ocorre. Aqui, não. Porra, que calor infernal! Amanhã acordam com a cabeça estourada, o cérebro latejando de tanta dor. Tomam eparema e outras merdas.&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;Vou lavar a mão e mijar. Ainda tem a porra da missa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3629204869867942338?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3629204869867942338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3629204869867942338&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3629204869867942338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3629204869867942338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/12/feliz-natal-e-parkinson.html' title='&quot;Feliz Natal&quot; e Parkinson'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-205276977599447222</id><published>2008-12-21T20:39:00.001-02:00</published><updated>2008-12-21T21:11:23.074-02:00</updated><title type='text'>Imitação</title><content type='html'>Se a todas as palavras engolidas a seco se devessem momentos inesquecíveis,&lt;br /&gt;A vida seria um recorte mal montado&lt;br /&gt;No tom afásico de uma voz está incluso o que foi extirpado da originalidade,&lt;br /&gt;Se este tom é bom ou mau, nunca se saberá&lt;br /&gt;Já que se vive imerso numa piscina de metal pesado,&lt;br /&gt;Chumbo e mercúrio esmagando os miolos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-205276977599447222?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/205276977599447222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=205276977599447222&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/205276977599447222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/205276977599447222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/12/imitao.html' title='Imitação'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3020270488964065315</id><published>2008-12-20T14:52:00.001-02:00</published><updated>2008-12-23T14:59:47.513-02:00</updated><title type='text'>Sobre prédios e pessoas</title><content type='html'>Tive um sonho dias atrás. Faltavam, acredito, duas horas para tomar banho e correr ao trabalho. Cheguei num Opala branco, dirigido pelo meu irmão. Na porta, três amigos da faculdade. “Ué, o que fazem aqui?” “Voltamos para fazer esta pós”. Que pós? Sorrisos moles, balançares firmes de cabeça, corpos arqueados para alcançarem o “pé do ouvido.”&lt;br /&gt;Febre virou debater a pseudointelectualidade da internet. Se a coloca à prova de forma tão superficial, se deve ao falso senso intelectivo de quem julga. Esta merda é aberta, é para isto mesmo!&lt;br /&gt;“Porra, você aqui também?”&lt;br /&gt;“Claro, não perderia isto por nada.”&lt;br /&gt;Não era a UEL. Nada a lembrava, já que não era. Era o Evangélico. Igualzinho ao passado. Sem reformas absurdas. O forro branco envergado, cheio de bolor, mirava a cabeça de qualquer um. Professora Cleide, a diretora, escrevia calmamente, com uma BIC azul sem tampa, em um caderno de capa preta e grossa. Mais de 15 anos e o mesmo livro!&lt;br /&gt;Pessoas se aglomeravam ao redor do portão marrom torto. Engraçada minha afasia quando tento desenhar as caras idiotas da época de colégio -ao invés de não lembrar, eu as esqueci.&lt;br /&gt;Um pouco longe dali, ao lado do portãozinho branco em que começava o ladrilho vermelho fosco da secretaria, estavam, de camisetas brancas, os amigos da faculdade. Todos! Que puta sensação gostosa tê-los comigo! As coisas se desorganizaram para organizar o que realmente valera à pena.&lt;br /&gt;O prédio carcomido do Evangélico, suas portas de madeira, carteiras quebradas, quadros verdes, embranquecidos pelo giz encastoado. O bebedouro soltando água com forte gosto de ferrugem. Ainda estudava lá quando fizeram as primeiras reformas. Mudaram o banheiro de lugar, fecharam salas, reformaram outras. Ainda bem, foi por pouco tempo!&lt;br /&gt;Ao chegar à UEL, as construções gigantes já não me prendiam mais. Mas encontrei naqueles corredores sóbrios gentes das quais sinto imensa falta. Devo sonhar com poucas pessoas novas. Queria que estivessem aqui!&lt;br /&gt;Ao abrir os olhos, enterrei a cabeça no travesseiro. O quarto navegava num cheiro pesitlento de suor ensopado. Que maravilhosa noite de verão na boca do inferno!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3020270488964065315?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3020270488964065315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3020270488964065315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3020270488964065315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3020270488964065315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/12/sobre-prdios-e-pessoas.html' title='Sobre prédios e pessoas'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7465446234739625933</id><published>2008-12-18T00:06:00.000-02:00</published><updated>2008-12-19T17:58:19.006-02:00</updated><title type='text'>Desejos de Sharmylla - 1</title><content type='html'>Hum... Não sei. Não sei não se devo. Carlinhos estava lindão, gostoso. Aquela camisa da Lacoste deixou ele mais velho. Gostei.&lt;br /&gt;Paulinha passou perto de mim e nem olhou na minha cara. Cadela! Deixa a biscatinha comigo. Vai ver só. Deu em cima do Henrique e eu sou a errada!? Ah, como pode?&lt;br /&gt;Depois do almoço fui com minha mãe à Audithorium. Comprei uma Carmim. Ficou perfeita! Extremamente fashion! Me deixou bunduda. Henrique não vai gostar muito. Ele que vai cagar! Se imaginasse... Se imaginasse... Carlinhos fica um puta gostoso dentro do Audi TT. Dá até vergonha passar no Vectra horrível do Henrique perto dele.&lt;br /&gt;A partir de amanhã me esforço para começar a ler. Não gosto. Mas Carlinhos disse que é importante. Me deu até um livro do Paulo Coelho. Chama o Vencedor Está Só. Todo mundo diz que Paulo Coelho é o máximo. Pelo menos é a opinião dos meus colegas do MDA. Será que tem figuras? Hum... Depois vejo. É horrível ler livro sem desenhos. Eles fazem acabar mais rápido.&lt;br /&gt;Paulinha, sua biscate. Te mato ainda. Que ódio!&lt;br /&gt;Queria tanto parecer as moças do Canal Click! Tão finas, tão espertas, tão humildes! Dizem coisas inteligentes. Têm como ídolos os pais. Os pais são o melhor espelho para um filho. Sem contar os perfumes chiquérrimos: Chanel No. 5, Les Larmes Sacrées de Thebes, Eau d’Hadrien. São o máximo. Mas, caros. Meu sonho de consumo. Que inveja! São tão inteligentes!&lt;br /&gt;Eu também vou ter tudo. Acredito em Deus que vou.&lt;br /&gt;Esta Carmim me deixou bunduda mesmo! Sou gostosa. Detesto quando os meninos na rua ficam olhando. Tenho medo deles. São pobres. Não muito civilizados. Podem me agarrar. Ui, credo! Mas é gostoso passar provocando.&lt;br /&gt;Quero ficar mais com Carlinhos -que Henrique nunca veja isto! Nossa, o beijo que ele me deu! Ah! Ele, sim, tem pegada. Seu… seu… seu negócio ficou duro. Ui, que gostoso!&lt;br /&gt;Fiquei sabendo que a vencedora do Miss Arapongas aparece na capa do Canal Click. Queria tanto sair no Canal Click! Aquilo sim é revista de gente. Minha fada-madrinha, me ajude. Sou bastante humilde para ter recompensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7465446234739625933?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7465446234739625933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7465446234739625933&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7465446234739625933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7465446234739625933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/12/dirio-de-sharmylla-1.html' title='Desejos de Sharmylla - 1'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-2381535049109625507</id><published>2008-11-30T20:34:00.000-02:00</published><updated>2008-12-08T00:25:40.871-02:00</updated><title type='text'>Tragédia e compaixão</title><content type='html'>Brinco de estalar os dedos enquanto na TV jorram, incansavelmente, cenas de Santa Catarina. Depoimentos angustiados, aterrorizantes, entopem o entardecer. Nuvens alaranjadas adornam o céu aqui. Dá para ver o desenho negro dos pássaros através de minha janela.&lt;br /&gt;Fleumático, acompanhei o drama catarinense. Minhas pernas tremem apenas quando penso que a desgraça está a poucos passos do meu amor.&lt;br /&gt;Blasfema, entretanto, quem grita “egoísta, filho da puta” a mim. Talvez. Pessoas morreram, muitas por sinal. Há nada o que fazer, menos enterrá-las! Dos que restam, milhares viram naufragar suas casas, geladeiras, fogões, estantes, televisões. Somem na inanição, inação passada. Raspam o fundo da panela, cúpidos para que a borra de arroz se solte. Minha mãe começou a fazer o jantar. “Que fome!”&lt;br /&gt;Nestas horas o sentimento cristão de caridade é bem-vindo, apesar de detestar Jesus. Jesus não. Era apenas um lunático que teve consciência de seu besteirol quando correu os olhos e se viu pregado: “Pai, por que me abandonaste?” Tenho tanta pena dele quanto do retardado que meteu bala em John Lennon -perda significativa. O uso reptiliano dos “ensinamentos” (inócuos como os de um professor primário municipal) de Cristo fodeu a visão humana, porém. Mesmo que as conquistas sejam razoáveis, o objetivo continua tosco, apagado, carcomido.&lt;br /&gt;Simples o problema: catarinenses precisam de ajuda? Devemos auxiliá-los. É uma prova de que a avalanche não esmagou nossas cabeças, e, sim, as deles. Socorremos inflados pela certeza de que saímos incólumes, orgulho metamorfoseado em compaixão -que conceito mais finório!&lt;br /&gt;As bandeiras tremulam em mãos escorregadias e empanadas. Grita um mudo, ninguém se dá conta. Mas aponta para uma coisa tão saliente quanto a barriga de  grávida. Só idiotas analisam outras hipóteses. Gases, quem sabe? Empresas, entidades e igrejas unidas -ao mesmo tempo, renhidas- num alvo: pôr a carinha deslavada de bom moço.&lt;br /&gt;Gostei da declaração de Bento XVI. Disse -de seu suntuoso palácio lapidado a ouro, coberto de adornos e penduricalhos, cadeiras almofadadas enormes- estar “espiritualmente presente” e partilhar do sofrimento do povo de Santa Catarina.&lt;br /&gt;Sou papa! Acordei hoje abosorto com a sorte do pastor no deserto acachapante -certas vezes apenas pensamos, desconexos de linearidade. O sol torra sua pele, a encarquilha. Racha seu rosto como o arado estupra a terra. Nariz, orelhas e lábios, se tivessem sido jogados na chapa, não pareceriam tanto carnes esturricadas! Infeliz pastor! Vou desligar o ar condicionado, esfriou demais. Pronto: agora está bem melhor! Sou papa!&lt;br /&gt;Cessa a chuva. Cidades se erguem nos restos tortos de prédios e residências. E as faíscas jamais pisam a soleira. Por que tantas construções entrecortando morros? Por que tanto lixo entupindo o curso dos rios? Por que tanta cidade sem planejamento algum? Depois, ainda são eleitos heróis! Anos passam, e a água carrega tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: um dia após ter escrito este artigo, fiz uma catarse no meu atulhado guarda-roupa. Coisas velhas, nem existiam mais. Minha consciência está tranqüila. Há mais espaço para meu terno novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-2381535049109625507?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/2381535049109625507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=2381535049109625507&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2381535049109625507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/2381535049109625507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/11/tragdia-e-compaixo.html' title='Tragédia e compaixão'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8860492636777723052</id><published>2008-11-27T21:28:00.000-02:00</published><updated>2008-11-27T21:58:53.060-02:00</updated><title type='text'>Amo você</title><content type='html'>Sou o parasita que corrói seu corpo&lt;br /&gt;Arrebento suas hemácias&lt;br /&gt;Infesto de pus seu rosto&lt;br /&gt;Quão bela sua boca&lt;br /&gt;Com este líquido amarelo mefítico escorrendo!&lt;br /&gt;Gotas de sol pingando nos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou seu deus, renda homenagens a mim&lt;br /&gt;Fodam-se imagens sagradas&lt;br /&gt;Queime-as, não valem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se se virar e ver a noite,&lt;br /&gt;Perceberá minhas garras refletidas na muda escuridão&lt;br /&gt;Tentará espaldar seu cansaço no meu ombro&lt;br /&gt;Meus ossos vão entortar seu pescoço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou só ossos&lt;br /&gt;Nada há para ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe a chave como está&lt;br /&gt;Coíba movimentos epilépticos&lt;br /&gt;Nada há que fazer&lt;br /&gt;Quando chega o que não se teve o prazer de conhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ria de seus frangalhos,&lt;br /&gt;Sonata para minh'alma é sua desgraça&lt;br /&gt;Ponha o dedo na garganta e vomite&lt;br /&gt;Vomite até o estômago não agüentar mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou só ossos&lt;br /&gt;Nada há para ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8860492636777723052?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8860492636777723052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8860492636777723052&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8860492636777723052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8860492636777723052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/11/amo-voc.html' title='Amo você'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-1681146401949813381</id><published>2008-11-23T20:53:00.001-02:00</published><updated>2008-11-30T17:38:59.318-02:00</updated><title type='text'>Tenha um péssimo dia!</title><content type='html'>Pensei que meu roer de unhas fosse apenas falta de nicotina no meu cérebro. Não que esteja eu parando de fumar. Detesto fumar dentro de casa e tenho malemolência demais para sair.&lt;br /&gt;Ontem estava num velório. Gentes chorando sua impotência existencial. Pode ser isto. É! Talvez!&lt;br /&gt;Quando pessoas que gostamos morrem, contra o dia brandimos espadas. Nunca ouvi alguém dizer melancolicamente: “- Que atmosfera agradável, amena!” Não! Vocifera-se contra a chuva, contra o sol, contra o vento, contra a falta de vento, contra o frio, contra o calor. Pretensão demais acreditar que as nuvens e o ar comiseram nossa amargura!&lt;br /&gt;Ao acordar, os dias mostram-se sorumbáticos. Preciso de óculos novos. Talvez! Deveras não desejo.&lt;br /&gt;Meu egoísmo anela incansavelmente que veja você, de sua janela entreaberta, também lúgubres manhãs. Tudo mosqueado pela eterna tristeza. Impossível a mim amar mais que isto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-1681146401949813381?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/1681146401949813381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=1681146401949813381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1681146401949813381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/1681146401949813381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/11/tenha-um-pssimo-dia.html' title='Tenha um péssimo dia!'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-6420423709649083699</id><published>2008-11-23T20:36:00.001-02:00</published><updated>2008-11-23T21:24:16.117-02:00</updated><title type='text'>Supostamente</title><content type='html'>Supostamente fora de lugar estão os pensamentos&lt;br /&gt;Supostamente o doente terminal rangeu os dentes&lt;br /&gt;Supostamente abriu o mal moral de suas invejas&lt;br /&gt;Supostamente seu estendeu sobre a brasa o peito lactante&lt;br /&gt;Para secar, apenas para secar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rima rica, rima pobre, todos estão cheios desta lengalenga&lt;br /&gt;Poesia, poesia chega a cardápio como se escolhe um lanche&lt;br /&gt;Queimem Paulos Coelhos e Jôs Soares&lt;br /&gt;Queimem falsos rostos que se olham em revistas de fofocas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arapongas, cidade hipócrita&lt;br /&gt;Dói os ovos tanta gente idiota&lt;br /&gt;Andando pelas ruas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abrutamento intelectual&lt;br /&gt;Eis a única coisa que nobres políticos e empresários conseguiram&lt;br /&gt;Grande pólo moveleiro do sul do País: grande bosta&lt;br /&gt;Enfiem no cu estes móveis.&lt;br /&gt;Dobrem e redobrem se não couber&lt;br /&gt;Lambam meu saco&lt;br /&gt;Graças a vocês a cidade fede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida feliz&lt;br /&gt;Tacanha e incurável ânsia de rebanho&lt;br /&gt;Conseguiram o queriam:&lt;br /&gt;Megalomania coletiva&lt;br /&gt;Todos vivem com ânsia de rebanho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-6420423709649083699?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/6420423709649083699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=6420423709649083699&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6420423709649083699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/6420423709649083699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/11/supostamente.html' title='Supostamente'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7567945554556355843</id><published>2008-11-23T20:16:00.000-02:00</published><updated>2008-11-24T08:36:01.946-02:00</updated><title type='text'>Significado da foto</title><content type='html'>Deu uma vontade louca de escrever. Mas não sei o quê. Então vou explicar aos leitores -acredito que a quase ninguém- o sentido da foto no layout deste blog. Não traduz o assassinato. Traduz ela o suicídio. Está à disposição. Usa quem quer. Ao alcance das mãos.&lt;br /&gt;Uma das coisas mais difíceis é se suicidar. Poucos ultrapassam a soleira moral. Mais por covardia, recebimento de um preceito sem contestação.&lt;br /&gt;Descarto as interpelações de leitores imaginários e vou direto ao ponto: não é desejo meu o aniquilamento seu. Longe de mim. Este blog não é uma bula, muito menos um receituário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7567945554556355843?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7567945554556355843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7567945554556355843&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7567945554556355843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7567945554556355843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/11/significado-da-foto.html' title='Significado da foto'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8331990415280908220</id><published>2008-10-26T19:15:00.000-02:00</published><updated>2008-11-01T23:18:28.046-02:00</updated><title type='text'>Evangélico</title><content type='html'>Ando sem saber o que faço na tarde de um domingo morno e mole. Passo em frente ao portão dos fundos. Paro. Fico, com o vidro abaixado, olhando a poeira que dança em caracol. Ela carrega as ruínas da minha criancice cheia de pirraça.&lt;br /&gt;Destruíam a pequena casa de madeira em que viviam uma mulher perneta e sua família. Estava sempre ela com longo vestido azul, barra descosturada, pele tisnada pelo Sol, arqueando um sorriso lânguido no vão dos dentes. Falava com a boca caída à esquerda, como se as palavras tivessem peso demasiado desproporcional. Cabelos lavados com sabão caseiro, desgrenhada.&lt;br /&gt;Parecia feliz. Mimetizava-se com a casa, com o mato sem cuidados, com as carteiras quebradas. Talvez construa sua "felicidade" em outro canto, talvez já se tenha esquecido do azul claro dominante nas tábuas carcomidas de sua antiga morada, a que ela chamava "lar", como se a expressão pudesse pintar aquelas vigas, ripas e caibros podres com o galão 3,6 lts da perenidade.&lt;br /&gt;Havia uma seringueira a poucos metros. Sentávamos nas raízes, nos faceávamos enquanto o professor saía à cata da lição dormente na enorme mesa branca, em que todas as outras tinham de encerrar. Possuo sérias dúvidas de seu provável esquecimento.&lt;br /&gt;As paredes que me dão as costas encontram-se mais fodidas que de costume. Faixa marrom toldada por um bege pardacento.&lt;br /&gt;Quadra gasta, bola velha, nossa diversão. Enfileirados, roíamos as unhas enquanto não nos mandavam manter a camisa rasgada de malha ou tirá-la. A primeira e, quem sabe, a mais marcante segregação.&lt;br /&gt;Dominávamos o lugar. Ninguém conseguia meter o dedo na nossa garganta, nos pôr para fora, nem mesmo a polícia nos finais de semana. Polichinelo apto a brincadeiras! Ótimas recordações: a quebra de vidraças e a zoeira na cara da PM.&lt;br /&gt;Tenho vontade de pisar novamente ali. Desejo pueril, limpo da assepsia insossa do meu escritório. Quero sentir entre os dedos o passado. Mas já pesa mais do que minhas calejadas mãos conseguem suportar. Claudico. Treze anos é pouco tempo, historicamente falando. Menos quando a foto semicarcomida do mural já foi para a lata do lixo, artimanha de zelador cioso no ofício. Displicente, porém, com os rostos outrora libertos dos sulcos do amadurecimento.&lt;br /&gt;Ah, amadurecimento! No momento em que o Sol deixa de despejar sua cor amarelada sobre as coisas que chegam a nossos olhos, crescemos, começamos a sobreviver.&lt;br /&gt;Importa quase nada o que estes imensos blocos de concreto roído representaram a mim a não ser a mim. Se amanhã ultrapassar o umbral, me deterão perguntando: Está perdido?” “Precisa de informação?” “Veio matricular o filho (como se tivesse um)?” “É louco?”&lt;br /&gt;Sinto-me pesado em excesso neste carro. Nem ele é mais meu. Perdi antes de ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8331990415280908220?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8331990415280908220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8331990415280908220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8331990415280908220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8331990415280908220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/um-volta.html' title='Evangélico'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-111520781625710423</id><published>2008-10-19T23:32:00.001-02:00</published><updated>2008-10-28T18:29:08.253-02:00</updated><title type='text'>Cena</title><content type='html'>O sol acachapante do meio dia embaçava os olhos de Vitor dentro do carro. Pelo vidro os prédios dançavam subindo ao céu. Entretinha-se com uma canção assoprada pelo seu novo aparelho CD-DVD-K7-TOCA-DISCOS-MP4 e o caralho a quatro. Tão abosorto estava que teve de pisar de forma abrupta no freio. Uma Pajero quase escalou seu porta-malas. Desajeitado, olhava os motoristas a volta, era como se nada tivesse acontecido com todos sabendo o que se passara.&lt;br /&gt;Aproximou-se do carro, suja, rosto marcado por lama, nariz ranhento escorrido, formando um bigode amarelo ressecado, pés descalços e rachados, olhos secos, grandes e profundos, cabelos fedendo fungo:&lt;br /&gt;- O senhor quer um Halls?&lt;br /&gt;- Quanto é?&lt;br /&gt;- Um real...&lt;br /&gt;- Você fica aqui o dia inteiro?&lt;br /&gt;- Sim. Onde o senhor trabalha? - diz com a mão arqueada sobre os olhos, o Sol a estava fustigando.&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;- Qual é a idade do senhor, onde trabalha?&lt;br /&gt;- Eu trabalho numa farmácia - disse Vitor revirando a carteira à cata de um real.&lt;br /&gt;- Há tantas!&lt;br /&gt;- Porque a curiosidade?&lt;br /&gt;- Acho que devemos estar iguais.&lt;br /&gt;Faltavam dois mostradores para o semáforo de três tempos abrir.&lt;br /&gt;- Tome o dinheiro, não quero o Halls, pode ficar para você...&lt;br /&gt;- Vá tomar no cu, senhor. Não estou pedindo nada, nem pedi para o senhor o comprar, apenas ofereci, se não quer, é simples, só dizer.&lt;br /&gt;A Pajero roncava o motor, ameaçava passar como máquina niveladora por cima de Vitor. Duas luzes verdes já haviam se apagado, mas os pneus tinham-se derretido no asfalto, em pessoa -ou melhor, em objeto- o caldeirão do inferno.&lt;br /&gt;A menina cuspiu na porta. Acostou-se em outro carro.&lt;br /&gt;- A senhora quer um Halls?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-111520781625710423?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/111520781625710423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=111520781625710423&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/111520781625710423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/111520781625710423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/cena.html' title='Cena'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-3803571110034056859</id><published>2008-10-19T17:11:00.000-02:00</published><updated>2008-10-29T18:52:11.310-02:00</updated><title type='text'>Tempo embaçado</title><content type='html'>O dia está meio quente, meio frio. Nuvens espessas adornam o céu. Relendo o blog de um grande amigo, Claytão, vem à mente recordações do tempo em que morríamos a cada dia, felizes.&lt;br /&gt;Viver talvez seja a coisa mais estúpida que o homem inventou. Em segundo lugar, o sentimento de sentimentos e discernimento. Falta tudo às pessoas. Se parassem e vissem o caos cujas vidas estão jogando, dariam um tiro na cabeça. Um tiro de misericórdia.&lt;br /&gt;A partir de agora começo a postar com título. Apenas para deixar o texto mais bonitinho. Num país em que o analfabetismo grassa, há vários escritores.&lt;br /&gt;Somos uma farsa de pseudo-intelectualidade. Trancafiamo-nos à noite em nosso quarto, sentados em frente ao computador até os olhos secarem, as costas não suportarem mais. De dia, nos deliciamos com as imagens repudiadas na nossa solidão. Dói, criancinha. Não há mais ninguém conosco!&lt;br /&gt;Contei quantos passos eram necessários para atravessar minha rua, precisava saber quão difícil era fazer aquilo. Já para me atravessar, talvez nem meio. Estou podre. Redoma em um vidro empoeirado soca minha cabeça.&lt;br /&gt;Lindemberg deu um tiro de piedade em Eloá. Matava a si mais que a menina. Dois estão mortos, livres!&lt;br /&gt;Um vento frio carregado por gritos infantis chega a minha janela. Estão sorrindo. Vou encostá-la.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-3803571110034056859?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/3803571110034056859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=3803571110034056859&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3803571110034056859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/3803571110034056859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/tempo-embaado.html' title='Tempo embaçado'/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-302742078883677950</id><published>2008-10-18T16:28:00.001-03:00</published><updated>2008-10-28T18:58:35.687-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dias e noites acordado. Horas, horas, horas, infinitas horas que não passam. Olha para um lado, depois, para o outro, enfim, para todo canto que está ao alcance de sua visão numa virada de pescoço.&lt;br /&gt;Onde está o relógio? Ah, parece que se encontra pendurado num canto coberto em poeira. Não serve mais, aliás, nunca serviu. De que adianta olhar para ele, se os ponteiros não se mexem.&lt;br /&gt;Todos os dias são iguais, os jornais são iguais, as roupas são iguais, os perfumes são iguais, os carros são iguais, os verbos são iguais – “Será que as pessoas também são iguais?”. Procura rapidamente se ocupar com alguma coisa, teme pensar na resposta. Pára de olhar e começa a andar.&lt;br /&gt;Cigarro nas mãos. Cabisbaixo, pensa que se encontrará se ficar absorto em seus pensamentos. Massas, massas, massas. E o pior de tudo: revolucionárias. A situação se torna insuportável. “Massas revolucionárias? É pra foder mesmo!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-302742078883677950?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/302742078883677950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=302742078883677950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/302742078883677950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/302742078883677950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/dias-e-noites-acordado.html' title=''/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-9113571358623671046</id><published>2008-10-18T16:26:00.000-03:00</published><updated>2008-10-18T16:27:10.298-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esfria um pouco, mas talvez nem tanto.&lt;br /&gt;O sorriso da resignação decorre do acesso espantoso de uma raiva melancólica.&lt;br /&gt;Faces de cera em uma exposição de museu caricato.&lt;br /&gt;Não existe metáfora pior de nós que nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ontem eu vi a luz que chegava junto com os raios de sol em seus cabelos jogados para trás que dançavam ao suave toque do vento.&lt;br /&gt;Hoje, há apenas o riso inocente da resignação, melhor avatar do escárnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patológico. Depreciativamente patológico.&lt;br /&gt;Depois falam que há explicações muitas para a vida e que há vidas que tornam esta menos deplorável.&lt;br /&gt;Mentiras, contos de prestidigitador. Punheta com o mesmo esperma só se bate uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-9113571358623671046?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/9113571358623671046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=9113571358623671046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/9113571358623671046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/9113571358623671046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/esfria-um-pouco-mas-talvez-nem-tanto.html' title=''/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8362116575847057694</id><published>2008-10-17T22:49:00.001-03:00</published><updated>2008-10-17T22:49:22.994-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Jesus Cristo, Deus, Boizebu, diabo&lt;br /&gt;Todos tem o mesmo significado&lt;br /&gt;Fazem-me tremer&lt;br /&gt;São sodas em ralo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8362116575847057694?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8362116575847057694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8362116575847057694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8362116575847057694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8362116575847057694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/jesus-cristo-deus-boizebu-diabo-todos.html' title=''/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-8780250638434896162</id><published>2008-10-17T22:42:00.002-03:00</published><updated>2008-10-28T19:00:24.736-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os textos abaixo foram algumas coisas que escrevi ao longo destes últimos quatro, três anos. Revelam mais de mim que eu mesmo consigo dizer, falam de coisas gostosas, mas tristes. Vocês nem pediram explicações sobre isto, sei eu. Mas resolvi falar, abrir um contato de comunicação com vocês. Prometo que só vou escrever quando estiver a fim, não vou enchê-los de coisas que até eu sei que não merecem serem escritas.&lt;br /&gt;Sejam bem-vindos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-8780250638434896162?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/8780250638434896162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=8780250638434896162&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8780250638434896162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/8780250638434896162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/os-textos-abaixo-foram-algumas-coisas.html' title=''/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4813038237032158215.post-7083475669582608725</id><published>2008-10-17T22:42:00.001-03:00</published><updated>2008-10-17T22:42:09.927-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Viajo com meu louco em meus devaneios&lt;br /&gt;Tenho me sentindo muito só ultimamente&lt;br /&gt;Gostava daquelas conversas sem rodeios&lt;br /&gt;Que tínhamos frequentemente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto mais falta de mim do que de você&lt;br /&gt;Sou massa amorfa que há tempo se esqueceu de viver&lt;br /&gt;Meus restos estão jogados pelos cantos&lt;br /&gt;Não adianta, ninguém escuta quando canto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria inventar um novo tipo de música&lt;br /&gt;Um ritmo e uma melodia mais sincopados&lt;br /&gt;Mas meus dedos são grudados nas cordas deste violão&lt;br /&gt;E impotentes de transformar em sons&lt;br /&gt;Os espíritos que em minha volta estão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço gemidos, escuto vozes&lt;br /&gt;Mas não vejo ninguém que sofre&lt;br /&gt;Perto de mim só eu mesmo&lt;br /&gt;Queria ser uma espécie de mestre dos magos&lt;br /&gt;Um vento constante e sem direção&lt;br /&gt;Mas sou apenas o resultado de minhas impotências&lt;br /&gt;E a miragem de minha redenção&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4813038237032158215-7083475669582608725?l=semsugestaodenomes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/feeds/7083475669582608725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4813038237032158215&amp;postID=7083475669582608725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7083475669582608725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4813038237032158215/posts/default/7083475669582608725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://semsugestaodenomes.blogspot.com/2008/10/viajo-com-meu-louco-em-meus-devaneios.html' title=''/><author><name>****</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09787412498611228811</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/-1hyopH4gECs/TndrYGmsheI/AAAAAAAAAJY/L2pdIVILG4Y/s220/von.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
