quarta-feira, dezembro 24, 2008

"Feliz Natal" e Parkinson

Coisa chata é dar “Feliz Natal!”. Aquelas mãos moles, suadas, cheias de vermes e pelos eriçados. “Feliz Natal!” é um mantra. Um estúpido mantra. Minha mãe está com as costas viradas para mim. Conversa com um primo distante. Estão alegres. Não sei se por se verem ou pela bosta da noite mesmo. Daqui a pouco ela vai me chamar. Tem a porra da Missa do Galo. Minha mãe prometeu que não me torraria o saco se eu assistisse àquela merda. Poderia beber até cagar fogo. Ela não entende que Jesus e um jumento nascendo têm, para mim, a mesma importância. Nunca vai entender. Pais e filhos são dois lados estúpidos de uma mesma moeda. Uma moeda aberrante.
Bento XVI tem a cara legal. Altivo, fala com a voz pausada -uma calma extremamente firme. Mas eu gostava mais do João Paulo II. Era bacana vê-lo tremendo como bambu verde. Quando ia mijar devia ser uma piada. Bem provável que tivesse uma banheira como patente. Caralho, que cena monstrenga!
- Meu filho, já está quase na hora, hem? Não vá se esquecer de cumprimentar seus tios.
- Fique tranquila, mãezinha. Antes tenho de beijar alguém que realmente merece.
A testa da minha mãe estava suada. Salgada para caralho mesmo. Não tive nojo. É minha mãe. Sou uma extensão dela, dos gametas dela e de meu pai. Vim do saco, saí pelo pinto e depois pela boceta. Por que teria nojo de beijar-lhe a testa? Não saí das outras pessoas que estão aqui. São estranhas para cacete.
Fico pensando que graça alguém acharia se todos pagassem pau no dia de seu aniversário. Festas de aniversário são um saco. Pretenciosas demais. Porra, todo mundo curvado porque um idiota a mais nasceu! Como se pudesse parar as engrenagens quando contrariado. Acho até que Jesus cagaria e andaria para isto tudo. Tinha suas crenças. Realmente acreditava naquela merda saindo da boca. Se visse a desgraceira que virou! É fardo demais para um homem. As dores do mundo. Faça-me favor!
- O que foi sobrinho?
- Nada não. Estou só brincando com o cachorro. Ninguém deu atenção a ele.
- E ele lá se importa!
Verdade. Quem se importa? Por que me importaria com este velho careca que se levanta e anda saltitando em meio a cadeiras e pessoas? Não tinha razão alguma para vir falar comigo. O clima de Natal asfixiou todos numa lacrimejante poeira cósmica, transcendental. A cada “Feliz Natal!”, cospem gotas de prosperidade uns nos outros. Pensam que têm poder demais. É como se o Sol se sustivesse à meia noite. Em algumas partes do mundo isto ocorre. Aqui, não. Porra, que calor infernal! Amanhã acordam com a cabeça estourada, o cérebro latejando de tanta dor. Tomam eparema e outras merdas.
- Feliz Natal!
- Feliz Natal!
- Feliz Natal!
- Feliz Natal!
- Feliz Natal!
Vou lavar a mão e mijar. Ainda tem a porra da missa!

2 comentários:

Mongo disse...

Caralho velho!!!

Eu penso bem parecido com você em relação ao natal....

Só não me expressei assim... hahahaha, eu também odeio essa porra de ficar desejando feliz natal pra todo mundo... Realmente, é um saco...
E esssa missa, eu já falei pra minha mãe que não vou, e ela nem me chama mais, sabe que eu não vou nunca, então, ela nem me enche mais...
hahahahaha

Mas é isso aí....
Abs!!!

**** disse...

É isto aí. E que João Paulo segure nossos pintos quando formos mijar.
Pô queria deixar aqui o endereço de um blog bem bacana, caso se interesse. Não sei quem é o autor, identifica-se como Nelson Moraes.

http://www.interney.net/blogs/aomirante/

Acesse. Vale bastante à pena
Abraços