Ia eu dia desses ao meu cursinho de chás e bolachas em Londrina, e a pimpolha carolinha estimada ao lado jogando seus requintados cachos pretos nos meus olhos. A gente racha a gasosa e o pedágio. Ela me contava o medo que tinha de seu avô, que despejava uma canjebrina toda noite a Zé Pelintra. Fiquei com o maxiliar grudado o quanto pude. Mas, depois de três eternos segundos, dois incisivos saltaram da arcada:
- Jesus parecia um aspirador ligado em 220. Sobrava nem uma perninha de grilo por onde ele passava.
- Credo! Jesus, perdoa-o. Ele não sabe o que diz.
- Sei sim. Ah, é verdade! Contra Jesus tem perdão. O mais chapado da galera era então o Espírito Santo. Com aquela desculpinha etérea o bichinho flutuava em porres homéricos de coca e erva.
- Meu Deus do céu, pare com isso!
E eu, rindo, morrendo de rir. Piadinha sem graça, confesso. Porém seu rosto atonal, a expressão caricata, valeu todo o imundo conteúdo sarcástico de minha brincadeirinha. Coitada dela por não reverter com chiste igualzinho. Ateísmo, crença e a mesma bitola.
- Jesus parecia um aspirador ligado em 220. Sobrava nem uma perninha de grilo por onde ele passava.
- Credo! Jesus, perdoa-o. Ele não sabe o que diz.
- Sei sim. Ah, é verdade! Contra Jesus tem perdão. O mais chapado da galera era então o Espírito Santo. Com aquela desculpinha etérea o bichinho flutuava em porres homéricos de coca e erva.
- Meu Deus do céu, pare com isso!
E eu, rindo, morrendo de rir. Piadinha sem graça, confesso. Porém seu rosto atonal, a expressão caricata, valeu todo o imundo conteúdo sarcástico de minha brincadeirinha. Coitada dela por não reverter com chiste igualzinho. Ateísmo, crença e a mesma bitola.
Veem-se ateus espalhando fanatismo assim como batem palma no meu portão membros da igreja do solzinho nas manhãs opacas pelo Sol domingueiro. Religião tem de ser discutida, concordo. Porém quem a ataca se acha tão jungido quanto quem a defende. Ou melhor, pode até ficar de lábios cerrados. Decidi escrever isto após ler alguns epigramas ateus na internet.
Quatro anos atrás resolvi dar uma diminuída -diminuída, não; parar mesmo- com algumas coisinhas (deixara a batina de coroinha e todo o sentido que a vida monástica, mesmo fora do monastério, pudesse ter), recomeçadas dois anos atrás. As nódoas amarelinhas sumiram dos dedos por uma coisa besta, mas com senso do caralho para mim. Livrara-me duma crença às custas de me empanturrar em outra. Ali queria ser livre do melhor jeito que desse; me esquecia da crença que tinha de ter naquela pseudoliberdade acima de tiques, vícios, cacoetes etc.
Fé, antes tê-la num Deus, é fé. Todos cremos. Paramos no semáforo vermelho (alguns nem tanto), respeitamos velhos (idem), passamos pelo caixa do supermercado (ibidem), saímos de sexta a fim de cachaça e fodas (não sei mais). Enraizamos, defendemos ideias, normas, como se elas pairassem num halo dourado.
A questão não é ser leniente com defensores de Jeová, Maomé, Buda ou qualquer outro. É saber que todos fedem à mesma merda. Arguições, mesmo saídas dum dito materialismo dialético, carregam cruzes, apóstolos.
Eu me encuquei semanas atrás se havia força no meu discurso, não muito importando a forma em que era forjado. Se alugém cairia no meu papo mole e faria o que eu quisesse simplesmente pelo teor da parole ou se seria levado pelas circunstâncias. Cheguei à conclusão de que toda a "locupletação" que o meu discurso medrasse atingiria na essência a mim e talvez a meus pais (disputinha tosca de filhos nas conversas entre amigos; oh, necessidade!). Em outras pessoas variaria conforme a necessidade delas -necessidade de afeto, por exemplo-, não a minha.
Algumas necessidades determinam o grau de fé numa mula ou no Deus do Evangelho. Necessidades entaladas nalguma parte da cachola.
Quatro anos atrás resolvi dar uma diminuída -diminuída, não; parar mesmo- com algumas coisinhas (deixara a batina de coroinha e todo o sentido que a vida monástica, mesmo fora do monastério, pudesse ter), recomeçadas dois anos atrás. As nódoas amarelinhas sumiram dos dedos por uma coisa besta, mas com senso do caralho para mim. Livrara-me duma crença às custas de me empanturrar em outra. Ali queria ser livre do melhor jeito que desse; me esquecia da crença que tinha de ter naquela pseudoliberdade acima de tiques, vícios, cacoetes etc.
Fé, antes tê-la num Deus, é fé. Todos cremos. Paramos no semáforo vermelho (alguns nem tanto), respeitamos velhos (idem), passamos pelo caixa do supermercado (ibidem), saímos de sexta a fim de cachaça e fodas (não sei mais). Enraizamos, defendemos ideias, normas, como se elas pairassem num halo dourado.
A questão não é ser leniente com defensores de Jeová, Maomé, Buda ou qualquer outro. É saber que todos fedem à mesma merda. Arguições, mesmo saídas dum dito materialismo dialético, carregam cruzes, apóstolos.
Eu me encuquei semanas atrás se havia força no meu discurso, não muito importando a forma em que era forjado. Se alugém cairia no meu papo mole e faria o que eu quisesse simplesmente pelo teor da parole ou se seria levado pelas circunstâncias. Cheguei à conclusão de que toda a "locupletação" que o meu discurso medrasse atingiria na essência a mim e talvez a meus pais (disputinha tosca de filhos nas conversas entre amigos; oh, necessidade!). Em outras pessoas variaria conforme a necessidade delas -necessidade de afeto, por exemplo-, não a minha.
Algumas necessidades determinam o grau de fé numa mula ou no Deus do Evangelho. Necessidades entaladas nalguma parte da cachola.
A piada, eu continuo não a perdendo. Sempre que puder zoar com coleguinhas “crentes”, zoo; mesmo tão "crente" quanto eles. A necessidade de rir do mau gosto extremo!

